sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Ponte sobre o rio Oiapoque, ligando o Brasil à França, torna-se emblema do subdesenvolvimento do Amapá



RAY CUNHA
raycunha@gmail.com


BRASÍLIA, 18 DE NOVEMBRO DE 2016 - A ponte binacional sobre o rio Oiapoque, que liga a cidade de Oiapoque, ligando o Amapá a Saint-Georges, na Guiana Francesa, está pronta desde junho de 2011, mas sua inauguração depende da conclusão da única rodovia federal no Amapá, a BR-156, que vem sendo construída desde a década de 1950. Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) a obra custou R$ 70 milhões, mais R$ 15,5 milhões na construção da aduana, despesas divididas entre os governos brasileiro e francês. A ponte estaiada de 378 metros, que une o Amapá à Guiana Francesa, ou seja, o Brasil à França, ou o Mercosul à União Europeia, não é utilizada porque falta pavimentar mais de 100 quilômetros da BR-156, os quais, na estiagem, se tornam um tormento de poeira, e, no período de chuva, um atoleiro infernal.

Em junho de 2011, a França concluiu toda a estrutura viária e aduaneira do lado de lá, incluindo a rodovia de 200 quilômetros entre Saint Georges de l’Oyapock a Caiene, capital da Guiana Francesa, e esta à América Central, com aquele asfalto caprichado visto nos Estados Unidos e Europa, e não o asfalto infame do Brasil. Mas a BR-156, que liga Oiapoque a Macapá, a capital do estado do Amapá, vem sendo construída há mais de 60 anos.

O Amapá tem potencial econômico fabuloso, como todos os estados da Amazônia, mas a roubalheira desenfreada, o tráfico de drogas e de mulheres e crianças,e  a mentalidade de colonizado do amazônida, tornam a região refém de mazelas insanáveis. Contudo, as costas do Amapá, o mais setentrional da Amazônia Azul e portal brasileiro para a América Central e o Caribe, recebem 20% da água doce superficial do planeta e 3 milhões de toneladas de húmus do rio Amazonas, por dia, o que as tornam as mais ricas do mundo em vidas do mar, embora sejam as mais mal guardadas pela Marinha de Guerra e, também por isso, as mais disputadas pela pirataria global.

Macapá, seccionada pela Linha Imaginária do Equador na margem esquerda do Amazonas, a cerca de 200 quilômetros da boca do Mar Doce, dista 8 horas de navio, ou 16 horas de barco, ou 50 minutos de avião, da porta da França, e conta também com porto mais estratégico da Amazônia, o de Santana, com capacidade de receber navios de qualquer calado; trata-se do porto na boca da Amazônia, ligando todo o interior da região aos mercados americano, europeu e asiático (via Canal do Panamá).

A BR-156 constitui-se, assim, no símbolo de uma Amazônia mais colônia do que nunca, já que, além das potências hegemônicas, é explorada também por Brasília, que busca no Trópico Úmido principalmente energia hidrelétrica, minerais, madeira e terras para plantação de soja. E São Paulo consome 90% da madeira grilada da Amazônia. Isso é público. Quanto às potências hegemônicas, fazem atualmente como o Japão: usam a própria energia hidrelétrica da região e mão de obra barata para moverem seus parques industriais.

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