terça-feira, 29 de setembro de 2015

Dilma anuncia nova meta: reduzir em 43% as emissões de gases de efeito estufa até 2030

RAY CUNHA
raycunha@gmail.com

Em discurso domingo 27 na Organização das Nações Unidas (ONU) a presidente Dilma Rousseff anunciou que o Brasil reduzirá suas emissões de gases de efeito estufa em 43% até 2030, afirmando que o objetivo já inclui esforços desde 2005 no combate ao desmatamento, e reafirmou o compromisso do país com o fim do desmatamento ilegal na Amazônia. Dilma estará mentindo novamente? Se o governo federal está cortando recursos até da área educacional, como estaria investindo nas Unidades de Conservação (UCs), principalmente da Amazônia, região vista pelos governos que se revezam em Brasília apenas como celeiro de commodities, para produção de energia hidráulica e extração mineral?

Dilma disse que “o Brasil é um dos poucos países em desenvolvimento a assumir uma meta absoluta de redução de emissões”. Segundo ela, “temos uma das maiores populações e PIB (Produto Interno Bruto) do mundo e nossas metas são tão ou mais ambiciosas que aquelas dos países desenvolvidos”. Pelo que tudo indica, são palavras ao vento, simples propaganda. “Patético” – como disse Caio Blinder, correspondente de Veja em Nova Yorque. “Tudo vale no esforço que trafega entre o desesperado e o patético para o governo vender uma agenda positiva e de protagonismo internacional. Claro que as metas são válidas e dignas de serem debatidas pelas regras convencionais do jornalismo. No entanto, este não é um momento convencional no Brasil. Como Dilma pode falar de metas para 2030 quando sequer consegue improvisar um plano para o dia seguinte?”

Também Dilma disse que o Brasil está de portas abertas para imigrantes em geral. E os brasileiros, que não contam mais sequer com saúde pública?

Voltando à Amazônia, segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), somente entre agosto de 2012 e julho de 2014 foram desmatados 1,5 milhões de hectares em toda a Amazônia. Um escândalo!

Entre as fontes de emissão de gases de efeito estufa as duas principais são a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento de regiões tropicais, como a Amazônia. As florestas representam importante estoque natural de carbono, de modo que seu desmatamento e as queimadas liberam o carbono armazenado na biomassa florestal para a atmosfera na forma de CO2, retendo calor e, consequentemente, aumentando a temperatura do planeta, o que põe em risco o equilíbrio climático global.

Outros gases de efeito estufa relevantes são os fertilizantes utilizados na agricultura, que liberam óxido nitroso (N2O); arrozais; e o processo digestivo de ruminantes, que emitem metano (CH4), além de condicionadores de ar e refrigeradores, que emitem os clorofluorcarbonos (CFCs).

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o rebanho bovino global está em torno de 1,03 bilhão de cabeças. A Índia está na frente, com cerca de 329,7 milhões de cabeças, 31,9% do total; o Brasil vem em segundo lugar, com cerca de 208,0 milhões de cabeças, 20,1% do rebanho mundial.

Se na última década o país vem experimentando um sucateamento histórico, a Amazônia é quem está cada vez mais depenada. Tratada como mera colônia e representada por uma bancada apática no Congresso Nacional, geralmente cuidando dos seus próprios feudos, a Amazônia é a reserva onde o governo federal além de gerar energia hidrelétrica busca o equilíbrio da balança comercial com a exportação de minérios dando calote nos royalties, numa política de grandes projetos na Amazônia, e nunca para os amazônidas. Quem explora para valer a Amazônia é a União. Os amazônidas ficam a ver navios singrando o Amazonas/Solimões.

Para completar o quadro, as potências hegemônicas estão desde sempre de olho no Trópico Úmido, a maior província de commodities do planeta. Há inclusive um movimento para que algumas das gigantescas reservas indígenas brasileiras sejam reconhecidas como nações, independentes do Brasil, por meio da Organização das Nações Unidas (ONU). Essas reservas dormem sobre reservas minerais ainda maiores. Diga-se: no Brasil, em vez de se implementar cidadania para os índios, os governos que se sucedem os isolam cada vez mais, entregando-os, de bandeja, para os países hegemônicos. Para piorar, desde a derrocada da Ditadura dos Generais (1964-1985) que os governos que se sucedem em Brasília vêm desmontando as Forças Armadas.

Só para dar uma amostra do descaramento de como se manifesta a cobiça internacional pela Amazônia, em 1991, François Mitterrand, então presidente da França, a mesma que já tem uma colônia na Amazônia, a Guiana Francesa, sugeriu soberania restrita do Brasil sobre a região amazônica, com apoio de George Bush, dos Estados Unidos; e de Mikhail Gorbachev, da falida União Soviética, que Putin tenta reviver.

Se não tomarmos cuidado, acabaremos perdendo a Amazônia. E se for para os Estados Unidos, muitos ficarão felizes por se tornarem cidadãos de um protetorado americano e com a possibilidade de até tomarem caxiri com Brad Pitt e Angelina Jolie. Mas pelo jeito a União não pretende desenvolver a Amazônia; mostra claramente que vai exauri-la. Parece até que o governo federal não quer nosso bem; quer nossos bens – diria um amazônida.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Impeachment a vista

RAY CUNHA
Com Agências

O Palácio do Planalto já trabalha com a possibilidade real da abertura pelo Congresso Nacional de processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A situação do país, cada vez mais despencando para o fundo do poço, requer ação enérgica. O resultado da incompetência de Dilma; o mar de roubalheira protagonizado pelo PT, partido da presidente; a falta de investimento em infraestrutura; os cortes na área social, na educação, na saúde e na segurança; o inchaço da máquina pública; o desemprego, que cresce assustadoramente; e a inflação, que já ultrapassa os 7%, além de o dólar ter ultrapassado a barreira histórica dos R$ 4, empurram a todos para o atoleiro.

E nesta terça-feira 22, o Congresso decidirá se mantém ou rejeita a pauta-bomba, vetos da presidente Dilma a projetos que criam mais despesas, como o reajuste entre 53% e 78% a servidores do Poder Judiciário.

Assim, Dilma convocou um timaço, com a missão de convencer aliados e até a oposição de desistirem do afastamento da petista, dando-lhe a chance de ela mostrar que é capaz de recuperar as finanças do país. No time, o centro avante é o petista Ricardo Berzoini, hoje ministro das Comunicações, que trabalha na grande área, negociando cargos no governo, já estourando de tão inchado, mas com coração de mãe.

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, foi encarregada de pôr a bancada ruralista na linha. Kátia se encontrou recentemente com o líder do PTB da Câmara, Jovair Arantes (GO), que já lhe disse que a bancada estava insatisfeita com o governo, que “não faz o que promete”. O ministro das Cidades, Gilberto Kassab, faz tabela com Kátia Abreu, com a missão de unificar o discurso do seu heterogêneo partido, o PSD, em prol de Dilma até 2018.

Mendonça Filho (PE), líder do DEM na Câmara é um dos protagonistas do movimento pelo impeachment de Dilma. Ele rejeita a pecha de golpista com que Dilma chama o movimento pró-impeachment. “Isso é uma piada. É um jargão estudantil. Quem jogou esse jogo do impeachment pelo impeachment e propôs impeachment como movimento político e nunca foram acusados de golpistas pela situação na época foram os petistas, que propuseram e imputaram crime de responsabilidade quando o Itamar Franco assumiu o poder. E também subscreveram o pedido de impeachment do ex-presidente Collor, que hoje é aliado do petismo. Na verdade o PT não tem moral para atribuir uma atitude golpista da oposição” – afirmou.

Dilma atravessa um setembro negro. Conseguirá?