sábado, 30 de agosto de 2014

Missão empresarial brasileira parte para Moçambique em novembro. Desafio é conseguir financiamento para as pequena e média empresas

Manuel Tomás Lubisse








Governo de Moçambique incentiva investimentos principalmente nas áreas de agricultura, construção civil, tratamento de lixo e ensino




BRASÍLIA, 8 DE AGOSTO DE 2014 – Duas dezenas de empresários de todo o país e técnicos do governo federal, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e da academia partem para Moçambique em missão empresarial de 15 a 20 de novembro, em Maputo, a capital, e Tete, liderados pelo presidente da Associação Nacional de Empresários e Empreendedores Afro-Brasileiros (Anceabra), João Bosco Borba, consultor do mercado africano, membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República.

Para tratar do assunto, foi realizada, dia 26 de agosto, na embaixada de Moçambique, no bairro da Península dos Ministros, Lago Sul, reunião entre o embaixador, Manuel Tomás Lubisse, assessores, João Bosco Borba, empresários e técnicos do governo federal e da academia. Lubisse enfatizou os laços históricos e culturais entre Brasil e Moçambique, e a estabilidade democrática do seu país, juntamente com o sentimento de nação do povo moçambicano, o que oferece ambiente seguro para investidores, no contexto de um mercado consumidor crescente.

A missão reúne pequenos e médios empresários, nas áreas de agricultura, especialmente a familiar; construção da casa própria e de hotéis (a construtora CVC integra a missão); tratamento de lixo; turismo; e educação (a Universidade Paulista – Unip integra a missão), principalmente ensino técnico, com a perspectiva de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), tendo como agente financeiro o Banco do Brasil (BB). O desafio é a Anceabra conseguir financiamento do BNDES para as pequena e média empresas.

Lubisse explicou que uma empresa chega a ser aberta em apenas um dia, em Moçambique, no Balcão Único, órgão que congrega todas as instituições para a abertura de uma empresa, e que o mercado moçambicano está integrado num bloco econômico de 14 países da África subsaariana, com 300 milhões de habitantes, interessadíssima principalmente em agricultura familiar, habitação, cursos técnicos e tratamento de lixo. Para isso, Lubisse manifestou o desejo de que o Sebrae se instale em Moçambique e de que a academia brasileira ajude na instalação de uma incubadora de empresas no seu país.

“Moçambique, e a África subsaariana, são a nova fronteira agrícola do Brasil” – profetizou João Bosco Borba, profundo conhecedor de África e do potencial técnico e tecnológico brasileiro.

O PAÍS

A República de Moçambique debruça-se para o oceano Índico, no sudeste da África, fazendo fronteira com Tanzânia, Malawi, Zâmbi, Zimbabwe, Suazilândia e África do Sul. A capital, Maputo, é a maior cidade do país. Originalmente, a região foi povoada por bantos, e, mais tarde, árabes, até a chegada dos europeus, desde Vasco da Gama, em 1498.

Em 1505, a região foi anexada ao Império Português. Após mais de quatro séculos de domínio lusitano, em 1975, Moçambique se tornou independente, mergulhando, dois anos depois, em guerra civil, até 1992. Em 1994, foram realizadas as primeiras eleições multipartidárias.

Moçambique conta com ricos e extensos recursos naturais. África do Sul, Portugal, Brasil, Espanha e Bélgica são os mais importantes parceiros econômicos do país. A população, cerca de 24 milhões de pessoas, é composta predominantemente por povos bantos, e metade dos moçambicanos comunica-se pela língua portuguesa.