sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

RAY CUNHA RECEBE SEUS AMIGOS E LEITORES DIA 12 DE MARÇO NO SEBINHO, NA 406 NORTE



MARCELO LARROYED


BRASÍLIA, 28 DE FEVEREIRO DE 2014 – Na Boca do Jacaré-Açu – A Amazônia Como Ela É (Ler Editora, Brasília, 153 páginas, R$ 25) será lançado por Ray Cunha, escritor amazônida radicado em Brasília, no dia 12 de março, uma quarta-feira, a partir das 18h30, no Sebinho, complexo de livraria, cafeteria e restaurante, na 406 Norte, Bloco C, Loja 30/72, com apoio da Preserve Amazônia e da Proativa Comunicação. Será servido coquetel.

O livro já está à venda no site: www.lereditora.com.br. Livreiros devem fazer pedidos pelo e-mail: atendimento@lereditora.com.br, ou pelo telefone: (55-61) 3362-0008, ou ainda diretamente na Ler Editora, no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), Quadra 3, Lote 49, Bloco B, Loja 59  Brasília/DF – CEP 70610-430.

Na Boca do Jacaré-Açu enfeixa 14 histórias curtas, ambientadas em Belém, que perpassa todos os contos e acaba sendo personagem subjacente, e a quem o autor dedica o livro. Algumas histórias têm sequências na maior feira livre da Ibero-América, o Ver-O-Peso, que aparece em fotomontagem na capa desta edição, bem como no Marajó, “maior ilha flúvio-marítima do planeta, ao sul do estuário do rio Amazonas, o maior do mundo, único com estuário e delta, e que despeja por segundo pelo menos 200 mil metros cúbicos de água e húmus no Atlântico, tornando as costas do Amapá e do Pará as mais piscosas da Terra; apesar disso, a Amazônia Azul setentrional é a menos estudada pela academia e a mais mal guardada pelo estado brasileiro” – comenta Ray Cunha.

“O conto que dá título ao livro, Na Boca do Jacaré-Açu, é o mergulho suicida do arqueólogo Agostinho Castro nos abismos do Mundo das Águas, a confluência dos rios Amazonas, Pará, Tocantins e Guamá, e o oceano Atlântico, abocanhando o arquipélago de Marajó, mais de mil ilhas, a maior delas do tamanho de Portugal. Jacaré-açu é o grande réptil amazônico, só perdendo para a sucuri, e que atinge mais de 6 metros de comprimento e meia tonelada de peso; no conto Na Boca do Jacaré-Açu, representa a morte, na pessoa do pai de Agostinho, Castro e Castro” – adianta o escritor.

Na Boca do Jacaré-Açu é o segundo volume de contos que se encaixam no contexto do subtítulo do livro: A Amazônia Como Ela É. No primeiro volume, Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos (edição do autor, Brasília, 116 páginas), a Amazônia é também a base da ficção de Ray Cunha; tanto a Hileia quanto as metrópoles da selva estão presentes nas histórias. “Isto é a Amazônia” – comentou, ao ler Trópico Úmido, o coronel Gelio Fregapani, um dos intelectuais que mais conhecem geopolítica do Trópico Úmido, mentor da Doutrina Brasileira de Guerra na Selva, fundador e comandante do Centro de Instrução de Guerra na Selva e autor, entre outros títulos, de Amazônia - A Grande Cobiça Internacional (Thesaurus Editora, Brasília, 2000, 166 páginas).

“Sou caboco de Macapá, cidade da Amazônia Caribenha que tremeluz na Linha Imaginária do Equador e se debruça no estuário do Amazonas, a cerca de 200 quilômetros da boca do maior rio do planeta, quando o Mar Doce penetra fundamente o Atlântico, fertilizando-o até o Caribe” – define-se Ray Cunha, que mora em Brasília, onde é correspondente do Portal do Holanda (o mais lido da Amazônia e vigésimo do país, segundo o último ranking entre os sites auditados pelo Instituto de Verificação de Circulação – IVC) e estuda Medicina Tradicional Chinesa na Escola Nacional de Acupuntura (ENAc).

TRECHO DO CONTO NA BOCA DO JACARÉ-AÇUQUE DÁ TÍTULO AO LIVRO 

A madrugada começara. Foi ao Mafioso, ali perto. Henrique estava lá.      O bar, por fora, era bastante discreto; por dentro, enfumaçado e mergulhado na penumbra. Ouvia-se boa música ali, numa altura agradável, que não incomodava a quem quisesse conversar. Além do mais, Chico, o barman, preparava grandes drinks. Henrique era escritor. Já era rico antes de se tornar escritor. Tinha a idade de Agostinho e eram amigos de infância. Henrique estava na companhia de uma jornalista, atraente, chamada Soraya.

– E então? – perguntou a Agostinho, quando o viu se aproximar, apresentando-o à jornalista.

– Estou com insônia – disse Agostinho. E para o barman: – Um Jonnie Walker, Chico. – Voltou-se para Henrique e Soraya. – Quero que passes o réveillon conosco, no Marajó. Antônia e Alexandra virão. Tu és também convidada – disse à Soraya. Sorveu um grande primeiro gole de Jonnie Walker.

– Vamos beber champagne em antecipação ao Ano Novo? – Soraya propôs.

Chico providenciou uma garrafa de George Albert, que já estava num balde com gelo, e pôs logo outra garrafa no balde.

– Como vão as coisas? – Agostinho perguntou, continuando a beber Jonnie Walker.

– Já comecei a redigir o discurso de agradecimento do Prêmio Nobel – brincou Henrique, que só publicara um romance ainda, com o prosaico título “Tim-Tim!”, e estava pelejando para terminar outro.

– Bem, e como é esse discurso? – disse Agostinho. – Tu poderias fazer o discurso aqui para a gente.

Soraya acendeu um cigarro. Henrique pigarreou.

– Senhoras e senhores – começou ele. – Minhas palavras se dividem em três partes. A primeira é sobre o ofício de escrever. A segunda, sobre os políticos, que infeccionam meu país. A terceira, são agradecimentos. – Fez uma pausa. Agostinho e Soraya aplaudiram. – Ganhei o Prêmio Nobel de Literatura por pura sorte. Uma série de circunstâncias me levou a ele. Até uns cinco anos atrás não estava certo de que fosse escritor. Nasci em berço de ouro e nunca fui estimulado a ganhar dinheiro para minha sobrevivência. Entretanto, obedecendo a uma ordem soberana, já iniciara, na solidão do meu quarto, a jornada literária que o destino me reservou – Soraya tomou um grande sorvo de champagne. – Descobri que não poderia viver sem escrever. Seria infeliz. Mas estava situado numa colina de prazeres. Faltava entregar-me ao sacerdócio da criação literária como o objeto do sacrifício submete-se ao carrasco. Tinha de pôr minha cabeça no cepo. Um escritor classe A vive em disciplina implacável. Não faz nada que possa prejudicar as horas sagradas do ofício de escrever. É feliz naquelas horas. Trabalha com disciplina e resignadamente. É feliz assim. Seria infeliz se fosse diferente. – Parou um pouco para tomar um gole.

– Isso está me cheirando a Faulkner – disse Agostinho, que lera uma longa entrevista que Faulkner concedera aos repórteres da The Paris Review, publicada num volume intitulado Escritores em Ação, coordenado e prefaciado por Malcolm Cowley.

– Todos os escritores classe A pensam da mesma forma – disse Henrique, em tom de brincadeira e voltando ao discurso. – Somente os gênios não precisam submeter-se à disciplina, porque prescindem dela. Tudo o que fazem, no campo da sua genialidade, é intenso. Se são escritores, escrevem compulsivamente até exaurirem suas forças. Mas esses semideuses são poucos. Em segundo plano vêm os escritores classe A, que conseguem ser tão bons como os semideuses, mas com muito esforço, disciplina e trabalho. O que é trabalho para um escritor classe A é puro lazer para o semideus e tortura para o escritor medíocre. O escritor medíocre é aquele que se sente realizado com o primeiro livro que escreve, e vive da glória de ter escrito esse livro. – Agostinho os serviu de champagne. – O escritor classe A esconde-se algumas horas por dia – continuou Henrique. – Vai refugiar-se na solidão do seu esconderijo. Tem hora marcada com seu culto. É o padre que oficia a missa. Escreve com fé. Nada o abala. E tudo o que acontece ao seu redor alimenta-o para novo encontro com seu deus. – Soraya e Agostinho bateram palmas.          – Cumprida sua tarefa diária, realizado seu trabalho, se for um escritor pobre, partirá para ganhar seu sustento e o de sua família, se a tiver; se for rico, irá divertir-se. E tudo o enche de prazer. Viajar, ver peixes, frutas, amar, beber, comer, bater papo, ler, ouvir, ver as telas que ama, reler os livros que aprendeu a amar desde a infância, ouvir a música de Mozart, ver o sorriso de uma criança, emocionar-se, beber às 6 horas da tarde, ver mulheres absolutamente lindas, sentir cheiros, dormir, ouvir a chuva...

– Estou interessada na parte que fala dos políticos – disse Soraya, que era setorizada no Palácio Lauro Sodré.

– Os políticos que infestam meu país estão infeccionando, necrosando tudo onde passam a mão. Um dia, quando tentarem necrosar nervos expostos, vai espirrar carnicão. Aí será tarde para esses urubus. No meu país, os políticos são vermes expelidos para uma grande privada, onde se locupletam numa bacanal.

– Nossa, isso está ficando um discurso escatológico – disse Soraya.

– Vocês acham? – disse Henrique.

– Bem, acho que o discurso ficou um pouco pesado nessa parte – disse Agostinho.

– Acho que vou tirar a parte dos políticos... – ponderou Henrique.

– A primeira parte está boa – disse Agostinho.

– Fiquei emocionada – falou Soraya.

– Bem, ainda não pensei na parte dos agradecimentos – disse Henrique.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

NEGLIGÊNCIA DO GOVERNO DO DF AMEAÇA MONTAGEM DE PIRANDELLO NO GOLDONI


“Inteligência não é não cometer erros,
mas saber resolvê-los rapidamente.”



BRASÍLIA, 5 DE FEVEREIRO DE 2014 – O Governo do Distrito Federal retirou o dinheiro do Fundo de Apoio à Cultura (FAC),  no final de 2013, alegando que havia sobra de recursos, cancelou os restos a pagar desse ano e até o momento não repassou os recursos de 2014, contrariando a lei complementar 782/2008, deixando os produtores culturais sem possibilidade de cumprirem o que está estabelecido em edital.

Um exemplo é a montagem da peça Liolá, de Luigi Pirandello, Prêmio Nobel de Literatura, com produção feita pelo Núcleo de Arte e Cultura (NAC), que teve seu projeto aprovado pelo Conselho de Cultura e abriu conta bancária no BRB especialmente para receber o dinheiro prometido em edital, mas a Secretaria de Cultura avisou que os recursos prometidos foram retirados pelo GDF no fim do ano passado.

O NAC informa que o projeto aprovado prevê a estreia no dia 14 de março, no Espaço Pé Direito, da Vila Telebrasília, com temporada no Teatro Goldoni, da Casa d’Italia de Brasília a partir de 21 de março, e conta com a direção da atriz Anita Mosca, especializada nas obras de Pirandello. O público de Brasília já conhece seu trabalho desde o Cena Contemporânea de 2012.

Os ensaios já começaram, com atores brasilienses selecionados em um workshop sobre o autor, orientado por Anita, mas não sabem se a montagem poderá ser apresentada ao público de Brasília.

Assessoria de imprensa do Núcleo de Arte e Cultura (NAC)

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

RAY CUNHA LANÇA SEU NOVO LIVRO: NA BOCA DO JACARÉ-AÇU – A AMAZÔNIA COMO ELA É

Ray Cunha, fotografado pelo artista plástico André Cerino, no ateliê dele,
em dezembro de 2013. Ao fundo, acrílica sobre tela da fase Cidade





Por MARCELO LARROYED*

BRASÍLIA, FEVEREIRO DE 2014 – O escritor e jornalista Ray Cunha lança seu novo livro, Na Boca do Jacaré-Açu – A Amazônia Como Ela É (Ler Editora, Brasília, 153 páginas, R$ 25), dia 12 de março, uma quarta-feira, a partir das 18h30, no Sebinho, complexo integrado por livraria, cafeteria e restaurante, na 406 Norte, Bloco C, Loja 30/72, com apoio da Preserve Amazônia e da Proativa Comunicação. O livro já está à venda no site: www.lereditora.com.br. Livreiros devem fazer pedidos pelo e-mail: atendimento@lereditora.com.br, ou pelo telefone: (55-61) 3362-0008, ou ainda diretamente na Ler Editora, no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), Quadra 3, Lote 49, Bloco B, Loja 59  Brasília/DF – CEP 70610-430.

Na Boca do Jacaré-Açu – A Amazônia Como Ela É e Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos (edição do autor, Brasília, 116 páginas) serão autografados também em Manaus, em data a ser definida. Correspondente em Brasília do Portal do Holanda (o mais lido da Amazônia e entre os 15 mais lidos do país, auditado pelo Instituto Verificador de Circulação – IVC), Ray Cunha começou a carreira jornalística em Manaus, no Jornal do Commercio, no extinto A Notícia e em A Crítica, na década de 1970, juntamente com jornalistas como Isaías Oliveira, Raimundo Holanda e Orlando Farias. Na mesma época, frequentou o Clube da Madrugada.

Na Boca do Jacaré-Açu enfeixa 14 histórias curtas, ambientadas em Belém, que perpassa todos os contos e acaba sendo personagem subjacente, e a quem o autor dedica o livro. Algumas histórias têm sequências no Ver-O-Peso, maior feira livre da Ibero-América, e que aparece em fotomontagem na capa desta edição do livro, bem como no Marajó, “maior ilha flúvio-marítima do planeta, ao sul do estuário do rio Amazonas, o maior do mundo e único com estuário e delta, e que despeja por segundo pelo menos 200 mil metros cúbicos de água e húmus no Atlântico, tornando as costas do Amapá e do Pará as mais piscosas da Terra; apesar disso, a Amazônia Azul setentrional é a menos estudada pela academia e a mais mal guardada pelo estado brasileiro” – comenta Ray Cunha.

“O conto que dá título ao livro, Na Boca do Jacaré-Açu, é o mergulho suicida do arqueólogo Agostinho Castro nos abismos do Mundo das Águas, a confluência dos rios Amazonas, Pará, Tocantins e Guamá, e o oceano Atlântico, abocanhando o arquipélago de Marajó, mais de mil ilhas, a maior delas do tamanho de Portugal. Jacaré-açu é o grande monstro amazônico, só perdendo para a sucuri, e que atinge mais de 6 metros de comprimento e meia tonelada de peso; no conto Na Boca do Jacaré-Açu representa a morte, na pessoa do pai de Agostinho, Castro e Castro” – adianta o escritor.

Na Boca do Jacaré-Açu é o segundo volume de contos que se encaixam no contexto do subtítulo do livro: A Amazônia Como Ela É. No primeiro volume, Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos (edição do autor, Brasília, 116 páginas), a Amazônia é também a base da ficção de Ray Cunha; tanto a Hileia quanto as metrópoles da selva estão presentes nas histórias. “Isto é a Amazônia” – comentou, ao ler Trópico Úmido, o coronel Gelio Fregapani, mentor da Doutrina Brasileira de Guerra na Selva, fundador e comandante do Centro de Instrução de Guerra na Selva, um dos intelectuais que mais conhecem geopolítica do Trópico Úmido, autor, entre outros títulos, de Amazônia - A Grande Cobiça Internacional (Thesaurus Editora, Brasília, 2000, 166 páginas).

“Sou caboco de Macapá, cidade da Amazônia Caribenha que tremeluz na Linha Imaginária do Equador e se debruça no estuário do Amazonas, a cerca de 200 quilômetros da boca do maior rio do planeta, quando o Mar Doce penetra fundamente o Atlântico, fertilizando-o até o Caribe” – diz Ray Cunha, que trabalhou como repórter e editor nos maiores jornais da Amazônia. Além do Jornal do Commercio, A Notícia e A Crítica, de Manaus, trabalhou em O Liberal, Diário do Pará e no extinto O Estado do Pará, em Belém; e no extinto A Gazeta do Acre, além de colaborar com o Varadouro, ambos editados pelo jornalista Elson Martins, em Rio Branco.

Ray Cunha é autor do romance A Casa Amarela e da novela A Caça, pela Editora Cejup, de Belém; O Casulo Exposto, pela antiga LGE Editora, hoje Ler Editora, de Brasília; e dos livros de contos A Grande Farra (Brasília, 1992) e de poemas Sob o Céu Nas Nuvens (Belém, 1982), em edição do autor. Estreou com a coletânea de poemas Xarda Misturada (edição de autor, Macapá, 1971), juntamente com José Edson dos Santos e José Montoril. Para o jornalista e escritor Maurício Melo Júnior, que apresenta o programa Leituras na TV Senado, o escritor amapaense representa a moderna literatura amazônica, “temperada em um bom caldo de tucupi”.

Desde 1987, Ray Cunha vive em Brasília, onde trabalhou como repórter e editor de jornais como Correio Braziliense, Jornal de Brasília, e sites como ABCPolitiko, no qual assinou, durante quatro anos, a coluna Enfoque Amazônico.

Segue-se curta entrevista com o autor de Na Boca do Jacaré-Açu – A Amazônia Como Ela É.

Como e por que você escolheu o título Na Boca do Jacaré-Açu?

Trata-se da história que dá título ao livro. Jacaré-açu é o grande réptil amazônico, que atinge mais de 6 metros de comprimento e meia tonelada de peso. No caso do conto, que se passa em Belém e na ilha de Marajó, representa a simbologia da morte. A personagem central da novela, o arqueólogo Agostinho Castro, é filho de um homem forte, dominador e suicida, Castro e Castro, que o leva à boca do jacaré-açu.

Em que período você escreveu os contos que compõem a obra?

Todos eles foram produzidos nos anos 1980/1990. Alguns já foram publicados; outros são inéditos.

Os contos têm alguma ligação, um fio temático que os una e justifique, formando uma obra única?

Sim. Todas as histórias são ambientadas em Belém, conhecida como Cidade das Mangueiras, Cidade Morena, Portal da Amazônia, a quem dedico o livro; algumas histórias contêm sequências no Ver-O-Peso, a maior feira livre da Ibero-América. O conto que dá título ao livro, Na Boca do Jacaré-Açu, como já disse, é também ambientado no Marajó, a maior ilha flúvio-marítima do planeta, situada no que eu chamo Mundo das Águas, especialmente o Amazonas, o maior rio do mundo, e que despeja no Atlântico pelo menos 200 mil metros cúbicos de água por segundo.

Qual a diferença entre ter a Amazônia como cenário em comparação com temas urbanos ou rurais?

O livro Na Boca do Jacaré-Açu é ambientado na mais importante cidade e maior zona metropolitana da Amazônia brasileira, Belém do Pará, e no realismo fantástico de Marajó. É, portanto, recriação urbana e rural.

Quais escritores influenciaram sua obra e em quê?

Os escritores que me influenciaram – alguns ainda me influenciam – são muitos, mas há os mais importantes, os que abrem a porta para outras dimensões, como Antoine de Saint-Exupéry, Ernest Hemingway, Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa, William Faulkner, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Euclides da Cunha, e, no caso da Amazônia, Benedicto Monteiro, o mago de Verde Vagomundo. Todos eles me ensinaram, e continuam ensinando, coisas simples, mas fundamentais, como, por exemplo, enxergar uma rosa nua, extrair gemidos femininos das palavras, montar a luz, mergulhar como leão de asas, ver com o coração e garimpar rubis verdes.

Seus livros têm elementos autobiográficos? Quais?

Tudo o que fazemos é autobiográfico, o que não quer dizer que os livros que escrevemos são autobiográficos. Trata-se de um paradoxo, estou ciente disso. O que fazemos é autobiográfico porque o fazemos; contudo, a realidade carnal não existe, porque é limitada por altura, largura, espessura, gravidade e tempo. Só existe, permanentemente, a realidade absoluta, Deus. Assim, as autobiografias são romanticamente heroicas, e, jornalismo, às vezes, é mentira pura. Nesse aspecto, quando se fala em ficção verdadeira é porque o autor deu à luz. Deixando a filosofia de lado, há muitos elementos autobiográficos no meu trabalho, especialmente cidades, como Belém, Macapá, Manaus e Rio de Janeiro.

E os personagens dos contos? Foram baseados em pessoas conhecidas ou são criações da imaginação do escritor Ray Cunha?

Há personagens que nascem prontas; outras, são retalhos de várias pessoas; algumas, ainda, apresentam-se em sonhos e por meio de sons e visões.

Explique uma de suas marcas como escritor: a repetição, em diferentes obras, de elementos emblemáticos, como Chanel nº 5 e a personagem Frênia.

Tu bem o disseste: emblemáticos. Chanel 5 simboliza, para mim, sensualidade; o Caribe; noites tórridas, encharcadas de jasmim, em Macapá; maresia; o azul, tão azul que sangra; o perfume das virgens ruivas; rosas nuas; o primeiro beijo; colostro; negra em vestido de seda; mulher na chuva; espilantol. Daí porque são elementos recorrentes no meu trabalho de criação. Mais de uma pessoa querida já me alertou para o que lhes parece falta de criatividade. Mas certos elementos na escrita de um autor são como fases na produção de um pintor: passam. Quanto à Frênia, trata-se de um nome feminino danado de sensual; remete-me a frêmito, frenesi, frenética. Frênia soa como certa noite em que nos dedicamos a mergulhar o mais fundo possível na mulher mais sensual do mundo; ela é lindíssima porque a desejamos, e está na nossa frente, nua.


*MARCELO LARROYED é escritor, mestre em língua portuguesa e revisor da obra de Ray Cunha

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

ILHA DA FANTASIA – BRASILIENSES ESTÃO APAVORADOS COM A VIOLÊNCIA NA CAPITAL


RAY CUNHA
raycunha@gmail.com


BRASÍLIA, 12 DE FEVEREIRO DE 2014 – Em janeiro, a Polícia Civil registrou 75 assassinatos em Brasília, cidade considerada por muita gente que vem de fora como o último refúgio do Brasil. Mas a situação do Distrito Federal é atualmente de “medo, pânico e tragédia social, como uma tragédia anunciada”, com um governo “omisso” e “sem autoridade”, disse da tribuna, na abertura dos trabalhos legislativos deste ano, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB/DF). “O sentimento do brasiliense é de que os bandidos governam a cidade. Qualquer cidadão brasiliense hoje vive com medo. Se sair de casa, não sabe se voltará, por absoluta omissão do governador.” O governador Agnelo Queiroz (PT) é tratado à socapa de “Agnulo”.

Rollemberg criticou o gasto de “quase R$ 2” com o Estádio Nacional Mané Garrincha para a Copa do Mundo, em detrimento de investimento em segurança pública. O fato é que a violência no DF é assustadora. Estudo da Secretaria Nacional de Segurança Pública, em 2007, já apontava a jovem capital como o segundo lugar mais violento do país, atrás somente de São Paulo. O DF liderou em roubo, furto e sequestro. Em 2008, pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) colocou o DF entre as 10 cidades mais violentas do país, com 28 assassinatos por 100 mil habitantes.

“Uma consequência previsível do crescimento desordenado dos grandes centros é o aumento da criminalidade. A grande massa se aglutina em torno das cidades mais ricas, mas não se beneficia do crescimento econômico. Isso gera uma revolta social, que gera a violência” – observa o professor de sociologia José Carlos Rassier.

Entretanto, ele reconhece que a bandidagem não é só a população marginalizada. “Claro que não se pode responsabilizar a população das satélites e do Entorno pela violência em Brasília. Aqui, somos surpreendidos por filho de juiz, por funcionário de banco, por playboyzinho aí que mata mendigos, que queima e espanca pessoas, homossexuais, prostitutas… isso aqui em Brasília é comum” – afirma o sociólogo.

Falta de perspectiva e vida fútil seriam causas para jovens da classe média de Brasília se tornarem criminosos. “Eles têm carro do ano, moram nos condomínios nobres, não precisam se esforçar para ter nada. Isso banaliza valores como a vida alheia. Eles agridem, matam, como foi caso do índio pataxó aqui em Brasília, e depois dizem que foi uma brincadeira mal sucedida. Os órgãos de justiça têm que voltar seus olhos para esses criminosos, a imprensa tem que voltar seus olhos para a classe média violenta, e impune” – adverte José Carlos Rassier.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Joaquim Barbosa falará hoje na abertura dos trabalhos no Congresso Nacional



BRASÍLIA, 3 DE FEVEREIRO DE 2014 – O Congresso Nacional abrirá seus trabalhos de 2014 às 16 horas de hoje, no Plenário Ulysses Guimarães, quando será lida mensagem da presidente Dilma Rousseff, que entra no ringue para seu último ano de governo. O documento é um resumo dos esforços de Dilma no sentido de desenvolver o país: nenhum! Basta ver que o país fica cada vez pior, haja vista a assustadora escalada da violência, o matadouro em que a Saúde se transformou e a desqualificação do ensino público, sem falar no sucateamento da infraestrutura básica e na estagnação econômica. Dilma pedirá mudanças no sistema tributário e reforma política. Só encenação.

O grande esperado é o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Depois que o primeiro-secretário da Câmara, deputado Marcio Bittar (PSDB/AC), ler o texto produzido por assessores de Dilma, será a vez de Joaquim Barbosa falar. Ele deverá fazer uma síntese das realizações do Judiciário em 2013, fatalmente trazendo à tona o Mensalão e a prisão na Papuda, a penitenciária de Brasília, da ex-cúpula do PT.

No Senado, aguarda discussão a proposta de emenda constitucional que põe um freio na criação de estatais, ministérios e demais órgãos públicos por parte do Poder Executivo. A PEC 34/2013, de autoria do senador José Agripino (DEM/RN), altera dois artigos da Constituição (37 e 38), exigindo lei complementar para mudanças na estrutura da administração pública. Seu propósito é dar um basta à escalada na criação de cabides de emprego.