domingo, 29 de setembro de 2013

CONTO/Sábado

RAY CUNHA
raycunha@gmail.com

O Potiguar Caldos, no Sudoeste, estava lotado naquela noite de sábado, como, aliás, era de praxe. Quem se voltasse para o estacionamento podia ver, no outro lado da Rua das Jaqueiras, os prédios do Cruzeiro Novo. Um casal acabou de chegar, atravessou entre as mesas, e até as mulheres se viraram para ver mais um pouco a beldade. Era uma adolescente de mais ou menos 17 anos, ruiva, olhos verdes, longilínea, de pernas torneadas, tipo potranca, em vaporoso vestido de seda rosa. Parecia flutuar. O rapaz era maciço e ao menor movimento seus músculos saltavam; era também muito bonito. O garçom os guiou até uma mesa que acabara de ser preparada.

Ao lado, havia um casal ocupando duas mesas juntas, uma das quais continha um fogareiro com a chapa cheia de maminha com queijo e batata frita, uma terrina com mandioca e toda sorte de acompanhamentos. A mulher era pequena, loira e graciosa, e ele, grande, lembrava uma fêmea de búfalo albino, grávida. Sua camisa estava metida na calça e os botões quase saltavam à pressão da volumosa gordura querendo libertar-se. Conversavam. Ele se debruçara sobre o prato e entre uma palavra e outra enfiava na bocarra grandes garfadas. Ela comia devagar e aos pouquinhos, olhando-o e falando sempre, graciosa como toda mulher.

Quatro jovens, quase garotos, ocupavam a mesa que fazia um triângulo com os dois casais; eram três moças e um rapaz e estavam comendo sanduíches com suco, cada qual de olho no seu telefone celular de última geração, admirando, simultaneamente, a nova tatuagem da moça de pele leitosa e vestida de negro. A tatuagem fora aplicada recentemente e estava envolta numa espécie de plástico, como um curativo transparente.

Vocês não vão acreditar: o boliviano que me tatuou é famoso e nunca veio ao Brasil; ontem, soube que ele estava em Brasília e fui ao hotel onde estava hospedado. Cara, nem acreditei quando ele terminou – disse a tatuada.

– Quem é o tio que ele tatuou – o rapaz quis saber.

– Che Guevara – disse a moça. – Você não sabe quem é Che Guevara?

– Ouvi dizer que é um carniceiro que ajudou Fidel Castro a foder com Cuba. É isso? – volveu o rapaz. As outras duas moças perderam o interesse pela tatuagem e pela conversa e estavam de olho nos seus celulares, mastigando lentamente seus sanduíches e bebendo golinhos do suco.

– Oh! Não! Veio! Esse cara é aquele do filme de Walter Salles! – a tatuada defendeu-se.

– Humm! Quando é que vocês vão parar com esse papo-cabeça? – perguntou a bela morena de olhou azuis, desgrudando-se, um instante, do seu celular.

– Acho que você foi enganada por esse boliviano; deve ser um tio brega... – disse o rapaz. – Se fosse eu, preferiria uma folha de jambu.

– Folha de quê? – perguntou a terceira moça, uma negra tão linda quanto a ruiva que acabara de passar.

– De jambu – disse o rapaz. – Meu pai é de Belém do Pará e ele já me mostrou uma folha de jambu; ele me explicou que jambu é uma síntese da Amazônia e que a Amazônia é como se fosse uma realidade dentro da realidade. Não entendi muito bem, mas senti que é alguma coisa mágica.

– Você anda fumando muita maconha – disse a morena de olhos azuis, baixando a voz.

O búfalo se levantou; em pé, lembrava um gorila branco. Sua esposa também se levantou. Era pequena e graciosa, daquele tipo que temos vontade de pôr inteira na boca. Ele sequer empurrou sua cadeira, quanto mais a dela. Saiu palitando os dentes e dando pequenos arrotos. Ela parecia não prestar atenção às grosserias do elefante. Ele pôs uma pata sobre os ombros da esposa e se foram rumo ao estacionamento. As três moças e o rapaz não se deram conta da saída do casal anômalo; desinteressaram-se completamente pela tatuagem e se voltaram para seus celulares. No braço da moça tatuada, branco como leite, a tatuagem saltava aos olhos como um grande ferimento colorido. A noite, ali, alcançara um momento de pico, e mais pessoas chegaram. O casal belíssimo encontrava-se a meio caminho de terminar a refeição e o fogareiro com carne de sol estava pela metade. A moça ruiva parecia flutuar dentro do seu próprio perfume. No âmbito do seu entorno, não houve quem não a olhasse, mesmo que fosse um olhar inconsciente. Um velho, enrugado como maracujá de gaveta, e sozinho, mirava-a do seu posto, uma mesa na beira da calçada, quase caindo no meio-fio. É provável que só ele visse um fio de luz saindo da moça e se espalhando ao redor. “Ela é linda porque é jovem e é a manifestação física de energia fina” – pensou o velho, que desmontava um tucunaré frito como quem desmonta um relógio, olhava de vez em quando para a ruiva e suspirava. Os quatro jovens terminaram seus sanduíches e de um momento para outro sumiram. Pouco depois desceram do carro no estacionamento do bloco da moça leitosa, no Cruzeiro Novo, procuraram um lugar escuro e acenderam o baseado.

Não demorou para que o rapaz musculoso e a jovem ruiva terminassem e saíssem. Ela era tão linda que todos se voltavam para si e a acompanhavam até a perderem de vista; por isso, um velhote levou um beliscão dolorido da megera que o mantinha sob cerrada vigilância.

– Vamos para casa – disse a moça ruiva.

– Sim, vamos, minha irmã – o rapaz respondeu.

Naquele momento, a loira pequena acabara de montar o monstro. A barriga dele luzia à claridade mortiça do abajur. Ela começou a cavalgar e a gemer, até começar a gritar. Ele soltou um urro medonho. Depois, o abajur foi desligado, e o silêncio desabou como a escuridão.


BRASÍLIA, 29 DE SETEMBRO DE 2013

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Mensalão II

RAY CUNHA
raycunha@gmail.com

BRASÍLIA, 19 DE SETEMBRO DE 2013 – A letra da lei no Brasil é feita sob medida para punir com crueldade o transgressor pobre e lamber o traseiro dos ricos, ou bem situados na sociedade; é preconceituosa, aristocrática. Em termos práticos, lei no Brasil é para quem pode pagar advogados, de preferência que já tenham sido ministro de tribunal superior ou da Justiça; a legislação criminal brasileira parece o atual asfaltamento das vias de Brasília: cheio de brechas. Por exemplo: embargo infringente é o recurso cabível contra acórdãos não unânimes proferidos pelos tribunais nas ações que visam a reapreciação das ações impugnadas pela parte recorrente (Wikipédia).

Nessa quarta-feira, 18, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), legalizou, com voto de Minerva, o Mensalão, o mais emblemático episódio de corrupção da ditadura nas sombras, que vem destruindo o Estado brasileiro desde 1 de janeiro de 2003.

Haverá novo julgamento, ad infinitum. Ou não. Com a nova composição da corte, cheia de petistas, é líquido e certo que os mensaleiros ainda virarão heróis. Enquanto isso, Zé Dirceu continua curtindo à larga a fortuna que amealhou nesse meio tempo, juntamente com outros, quadrilheiros?, agora não mais, é melhor dizer companheiros, como o esperto Zé Genoino e o gabiru João Paulo Cunha.

Vem aí Mensalão II. Devastador. A menos que as eleições, depois da Copa do Mundo de 2014, surpreendam.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Corremos o risco de ver o Estado brasileiro desmoralizado com o voto de Celso de Mello em favor de uma das quadrilhas mais ousadas que já se flagrou neztepaiz

RAY CUNHA
raycunha@gmail.com

BRASÍLIA, 16 DE SETEMBRO DE 2013 - Tenho notado algumas pessoas desejando uma ditadura militar para fazer frente ao atual momento no Brasil, em que já não se distingue político de ladrão, narcotraficante ou mafioso, e em que corremos o risco de ver o Estado brasileiro desmoralizado, nesta quarta-feira, com o voto de Celso de Mello em favor de uma das quadrilhas mais ousadas que já se flagrou neztepaiz.

Mesmo assim, a situação permanece em uma ditadura nas sombras e Lula ainda não conseguiu dar o bote certo; vem tentando, por meio do aparelhamento do Estado, paternalismo e corrupção generalizada, mas o Brasil não é Cuba, nem, muito menos, Venezuela, ou Bolívia, ou as ditaduras purulentas da mamãe África. Isso significa dizer que ainda podemos reagir. Quando o povo quer, nem bombardeio pesado o segura.

Com ditadura militar, ou qualquer outra ditadura, que são todas a mesma coisa, não podemos pensar em voz alta, nem protestar pela internet, muito menos nas ruas, porque, então, as balas são de chumbo quente. Durante a Ditadura dos Generais (1954-1985), trabalhei como repórter policial do jornal A Notícia, em Manaus, por volta de 1976.

Todos os dias, da tarde para a noite, um casal (de fato e de direito) de policiais federais ia para a redação e lia tudo. Cheguei a ser chamado ao Comando Militar da Amazônia para dar explicação sobre uma nota que escrevera afirmando que os waimiris-atroaris estavam atacando na BR-364. No Casarão, a velha central de polícia, a tortura comia solta, inclusive contra jovens estudantes, bastando para isso que houvesse uma acusação, por mais absurda que fosse.

No Brasil, estamos num momento efervescente da democracia, numa luta da banda boa contra a banda podre, dos cidadãos contra os corruptos. O negócio é fortalecer as instituições. Uma hora dessas pegaremos de jeito o Chefão. E depois há uma coisa certa: pela sua incompetência, o PT está caindo de podre, e levará para o fundo pútrido do pantanal, quando o casco da sua embarcação fender, todos os ratos que participam da bacanal.

O caminho

RAY CUNHA


BRASÍLIA, 14 DE SETEMBRO DE 2013 – Mulheres grávidas em vestidos amplos são combustível para o meu voo, de modo que a gravidez da Josiane, minha esposa, que deu à luz Iasmim, nossa princesinha, foi vertiginosa. Desde a concepção, aquela onda azul começou a vibrar no triângulo equilátero que, desde então, formamos. Nossa comunicação física teve início assim que a barriga da Josiane começou a crescer; eu podia sentir a presença da Iasmim, e quando o ventre ficou realmente grande, bastava que me aproximasse para a barriga ficar saliente; era a princesinha tentando tocar minhas mãos, meu rosto, e quando me deitava de costa para o colo da Josiane, a princesinha me abraçava. Às vezes, Josiane lia para nós, orava, dizia eu te amo, bebê, e afagava o ventre.

Quando vi minha princesinha pela primeira vez, seus olhos como duas luzes me abarcando, chorei perfume, como choram os jasmineiros da Amazônia, nas noites tórridas de julho. Começava, aí, nova preparação do caminho. As flores são indestrutíveis na sua eternidade porque Deus arruma todas as suas manhãs, tardes e noites, Pessoalmente, e assim comecei a arrumar o jardim para a princesinha, e li, para ela, todas as joias escritas, e, dia após dia, ofertei-lhe os tesouros mais preciosos do Universo, diamantes rosas e rubis azuis que eu ia buscar na parte imersa do meu iceberg. Também Josiane, por seu turno, dava-lhe todas as riquezas que extraía da sua própria vida.

Ainda garotinha, Iasmim é quem escolhia suas roupas; apenas a direcionávamos quando, por exemplo, ela escolhia um vestido quente no verão, e explicávamos por quê. E se tornou leitora voraz, escreveu contos, pintou óleos sobre tela e manifestou a vontade de fazer o curso de moda, mas ao concluir o nível médio optou por turismo, apenas para perceber, claramente, que seu negócio é moda, mesmo, e fazer a correção do caminho.

Assim é a própria vida. Pessoas são condenadas a vender-se porque seus pais as querem advogados, médicos ou físicos, quando seu talento é para santo, poeta, palhaço, ou acupunturista. Outra maneira de matar os filhos, ou qualquer pessoa, é arrogar-se a viver a vida alheia. Zumbis são isto: mortos vivos, a manada, o rebanho, o rótulo, o apego, a ilusão.

Masaharu Taniguchi disse que o mundo físico é apenas criação da mente; o segredo para entendermos isso está no iceberg da vida. Como bem observou o criador de O Velho e o Mar, Ernest Hemingway, o iceberg flutua com tanta elegância porque sete oitavos ficam submersos, e somente um oitavo aparece fora da água, o equivalente ao mundo físico, limitado pelo espaço e pelo tempo. Os sete oitavos dentro da água podem ser identificados como realidades múltiplas, universos multidimensionais, ou qualquer outra coisa que se aproxime do que rotulamos de realidade. E o que é realidade? Matéria? Poesia? Sonho?

Gosto de pensar que realidade são os caminhos do triângulo, o éter, o vácuo, o nada, algo que apenas flui, e que sou leão de asas mergulhando no abismo azul, imerso no mistério de mulher nua.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Ray Cunha autografa O Casulo Exposto para alunos da Escola de Administração e Negócios (Esad)

O escritor amazônida e amigos em sessão de autógrafos na Galeria Olho
de Água/Bar Faixa de Gaza, do ensaísta fotográfico Ivaldo Cavalcante


MARCELO LARROYED


BRASÍLIA, 13 DE SETEMBRO DE 2013 – Ray Cunha autografa O Casulo Exposto (LGE/Ler Editora, Brasília, contos, 2008, 153 páginas, R$ 28), dia 27 de setembro, uma sexta-feira, a partir das 19h30, na Escola de Administração e Negócios (Esad), Sexto Andar da Torre Leste do shopping Pátio Brasil, Sala 609, especialmente para alunos da Esad e seus convidados. Durante o evento, o escritor lerá um conto e falará sobre o livro. O Casulo Exposto enfeixa 17 histórias curtas ambientadas em Brasília. “Desde 1987, trabalho como jornalista, na cidade, cobrindo-a amplamente, bem como o Entorno do DF e o Congresso Nacional, o que me proporcionou conhecer bem essa geografia, inclusive a humana, o que serviu para criar personagens e cenário para esses contos” – comenta o autor.

Segundo Ray Cunha, “o casulo é uma alegoria à redoma legal que engessa o Patrimônio Cultural da Humanidade, a borboleta de Lúcio Costa, ninfa golpeada no ventre, as vísceras escorrendo como labaredas de luxúria, depravação e morte nos subterrâneos da cidade dos exilados, exibindo a fauna heterogênea que transita na esfera política e chafurda nos subterrâneos da cidade-estado; amazônidas que deixaram a Hileia para trás e tentam sobreviver na fogueira das vaidades, que arde na ilha da fantasia; jornalistas se equilibrando no fio da navalha; políticos, daquele tipo mais vagabundo, que não pensam duas vezes antes de esconder merenda escolar na mala do seu carro e dinheiro na cueca; estupradores; assassinos; bandidos de todos os calibres; tipos fracassados e duplamente fracassados, misturando-se numa zona de fronteira e penumbra”.

HOMENS PERDIDOS – Escreve o jornalista Maurício Melo Júnior no prefácio de O Casulo Exposto: “O escritor Jorge Amado costumava se queixar de algumas ausências na literatura brasileira. E dizia que a mais gritante delas era a falta de romances sobre o ciclo do café, como os que foram escritos sobre os ciclos da cana-de-açúcar e do cacau. Também podemos dizer que ainda não surgiram os escritores que tomaram o desafio de contar as sagas da busca da borracha na Amazônia e da construção de Brasília em pleno cerrado goiano.

“Neste seu novo livro de contos e novelas o escritor Ray Cunha, nascido no Amapá e vivente de Brasília, passa longe da narrativa de homens perdidos na solidão da floresta ou na poeira das construções incansáveis. O que interessa ao escritor são os resultados daquelas experiências, são os personagens que ficaram depois das epopeias.

“Os homens e mulheres que saltam das páginas de O Casulo Exposto são bastante curiosos. Têm a política no sangue, embora apenas transitem em torno dela. Veem o poder bem de perto, mas não participam de suas benesses. Também calejados pelas dores impostas pela opressão da floresta, já nada os surpreende e a violência pode ser uma forma de defesa ou sobrevivência. Sim, os escrúpulos são poucos. Ou, citando Jarbas Passarinho, um acriano que fez carreira política no Pará, “às favas com o escrúpulo”. Em compensação, a sensualidade aflora na pele dessa gente. O perigo é que também este poder de encantar e seduzir é instrumento de dominação.

“Naturalmente que a visão que temos aqui está superdimensionada pelos requisitos da literatura, mesmo assim sua base tem intensos pontos de realismo. E Ray ainda lhes dá um tratamento recheado de um humor cáustico, em alguns momentos até cruel. No entanto, este humor nasce do clima noir, o clima dos filmes e livros policiais surgidos nos anos de 1940.

“Sem saudosismos e com muito suspense, os contos e novelas de Ray Cunha nos põem diante dos brasilienses, esses seres nascidos da junção plena de todos os brasileiros. E vale muito a pena conhecê-los”.

SOBRE O ESCRITOR – Ray Cunha nasceu em 1954, em Macapá, na margem esquerda do estuário do rio Amazonas, na confluência da Linha Imaginária do Equador, capital do estado do Amapá, na Amazônia Azul e caribenha. Vive em Brasília desde 1987, onde realiza também trabalho jornalístico. Estreia como escritor num pequeno volume coletivo de poemas, Xarda Misturada (edição dos autores, Macapá, 1971), juntamente com o poeta e contista José Edson dos Santos (que também mora em Brasília) e José Montoril. Seguem-se Sob o Céu nas Nuvens (edição do autor, Belém, 1982, poemas); A Grande Farra (edição do autor, Brasília, 1992, contos); A Caça (Editora Cejup, Belém, 1996, conto); Trópico Úmido - Três Contos Amazônicos (edição do autor, Brasília, 2000); A Casa Amarela (Editora Cejup, Belém, 2003, romance); e O Casulo Exposto.

Livreiros interessados poderão pedir O Casulo Exposto para o editor, Antonio Carlos Navarro, pelo telefone: (55-61) 3362-0008; fax: (55-61) 3233-3771; e-mails: lereditora@lereditora.com.br e acnavarro@lereditora.com.br, ou na própria Ler Editora, no SIG (Setor de Indústrias Gráficas), Quadra 4, Lote 283, prédio da Fórmula Gráfica, Primeiro Andar.

O Casulo Exposto e Trópico Úmido - Três Contos Amazônicos estão à venda na Livraria Cope Espaço Cultural, na 409 Norte, Bloco D, Loja 19/43, telefone: 3037-1017, e-mail: copelivros@ibest.com.br.

Para o agendamento de sessões de autógrafos de O Casulo Exposto e Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos, entrar em contato com Ray Cunha pelo e-mail: raycunha@gmail.com

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ray Cunha realiza sessões de autógrafos limitadas

MARCELO LARROYED

A fim de potencializar a venda de dois livros seus, O Casulo Exposto (LGE/Ler Editora, Brasília, contos, sem prazo de validade, 153 páginas, R$ 28) e Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos (Edição do autor, Brasília, sem prazo de validade, 116 páginas, R$ 20), Ray Cunha faz um apelo a seus amigos e leitores a que promovam ou patrocinem sessões de autógrafos desses livros, em Brasília, Goiânia e Entorno, ou em qualquer cidade de língua portuguesa. O evento poderá iniciar com um bate-papo, ou leitura viva, ou palestra, sobre, por exemplo, a geografia do Casulo Exposto (Brasília) ou do Trópico Úmido (Amazônia). Também o autor poderá enviar esses livros, autografados, pelos Correios, mediante pedidos, por R$ 40 o volume. Ao recebê-los, o comprador poderá depositar o dinheiro na conta bancária enviada pelo autor. O contato deve ser feito pelo e-mail: raycunha@gmail.com

O Casulo Exposto enfeixa 17 histórias curtas ambientadas em Brasília. Desde 1987, trabalho como jornalista na cidade, cobrindo-a amplamente, bem como o Entorno do DF e o Congresso Nacional, o que me proporcionou conhecer bem essa geografia, inclusive a humana, a qual serviu para criar personagens e cenário para esses contos” – diz Ray Cunha. “O casulo é uma alegoria à redoma legal que engessa o Patrimônio Cultural da Humanidade, a borboleta de Lúcio Costa, ninfa golpeada no ventre, as vísceras escorrendo como labaredas de luxúria, depravação e morte nos subterrâneos da cidade dos exilados, exibindo a fauna heterogênea que transita na esfera política e chafurda nos subterrâneos da cidade-estado, amazônidas que deixaram a Hileia para trás e tentam sobreviver na fogueira das vaidades da ilha da fantasia; jornalistas se equilibrando no fio da navalha; políticos, daquele tipo mais vagabundo, que não pensam duas vezes antes de esconder merenda escolar na mala do seu carro e dinheiro na cueca; estupradores; assassinos; bandidos de todos os calibres; tipos fracassados e duplamente fracassados, misturando-se numa zona de fronteira e penumbra” – comenta o escritor.

O jornalista e escritor Ray Cunha lança a coletânea de contos O Casulo Exposto


Nascido em Macapá (AP), mas radicado em Brasília desde 1987, o jornalista e escritor Ray Cunha conhece como poucos as cicatrizes da capital brasileira. Experiência adquirida em mais de duas décadas como repórter de cidades e na cobertura intensa do Congresso Nacional. Por isso, não deixa de ser oportuno que o seu mais recente trabalho, o livro de contos O Casulo Exposto, chegue às livrarias justamente no momento em que o Senado passa por uma de suas piores crises. (Descobriu-se, em 2009, que o senador maranhense José Sarney jogou o Senado na clandestinidade, ao assinar atos secretos, na condição de presidente da casa. Houve um movimento para sua expulsão, mas o então presidente Lula defendeu-o com unhas e dentes, e Sarney conservou o mandato.)

“Embora seja todo ficção, o livro fala de um momento atual. Essa politicalha na qual estamos mergulhados vem do país inteiro, mas Brasília é a síntese”, comenta o autor, que reúne 17 contos escritos desde 1989. “Nenhum dos meus trabalhos anteriores foram inspirados em ocorrências jornalísticas. Este sim. Mas tudo o que acontece na vida de um escritor acaba entrando, de um jeito ou de outro, na ficção”, observa.

A unidade das tramas esbarra no submundo de Brasília. Ray Cunha, autor também do romance A Casa Amarela, explica que o título remete à utopia em que se transformou a capital do país. Tal ideia está nitidamente expressa no primeiro conto do livro, por meio do encontro de dois homens, um guia e um engenheiro, num lugar onde, num futuro não muito distante, será construído o sonho de JK. “O senhor acha que vai dar certo, gente de toda parte se mudar para cá?”, pergunta o guia ao engenheiro. “Sim. Aqui, todos serão iguais”, responde.

“O desenho de Brasília também lembra o de uma borboleta. E a primeira passagem da vida de uma borboleta é o casulo. Um casulo que expõe suas vísceras que são os subterrâneos”, explica. “Uma Brasília engessada”, emenda.

A intimidade do autor com a cidade é denunciada não apenas por meio dos temas abordados, seja a política ou as mazelas da cidade, mas também pela geografia desenhada em histórias que têm como personagens as vias da cidade como a W3 Sul e a W3 Norte ou um encontro aparentemente casual na Churrascaria Porcão. “Sou um observador privilegiado da cidade”, diz.

Homens perdidos

MAURÍCIO MELO JÚNIOR

O escritor Jorge Amado costumava se queixar de algumas ausências na literatura brasileira. E dizia que a mais gritante delas era a falta de romances sobre o ciclo do café, como os que foram escritos sobre os ciclos da cana-de-açúcar e do cacau. Também podemos dizer que ainda não surgiram os escritores que tomaram o desafio de contar as sagas da busca da borracha na Amazônia e da construção de Brasília em pleno cerrado goiano.

Neste seu novo livro de contos e novelas o escritor Ray Cunha, nascido no Amapá e vivente de Brasília, passa longe da narrativa de homens perdidos na solidão da floresta ou na poeira das construções incansáveis. O que interessa ao escritor são os resultados daquelas experiências, são os personagens que ficaram depois das epopeias.

Os homens e mulheres que saltam das páginas de O Casulo Exposto são bastante curiosos. Têm a política no sangue, embora apenas transitem em torno dela. Veem o poder bem de perto, mas não participam de suas benesses. Também calejados pelas dores impostas pela opressão da floresta, já nada os surpreende e a violência pode ser uma forma de defesa ou sobrevivência. Sim, os escrúpulos são poucos. Ou, citando Jarbas Passarinho, um acriano que fez carreira política no Pará, “às favas com o escrúpulo”. Em compensação, a sensualidade aflora na pele dessa gente. O perigo é que também este poder de encantar e seduzir é instrumento de dominação.

Naturalmente que a visão que temos aqui está superdimensionada pelos requisitos da literatura, mesmo assim sua base tem intensos pontos de realismo. E Ray ainda lhes dá um tratamento recheado de um humor cáustico, em alguns momentos até cruel. No entanto, este humor nasce do clima noir, o clima dos filmes e livros policiais surgidos nos anos de 1940.

Sem saudosismos e com muito suspense, os contos e novelas de Ray Cunha nos põem diante dos brasilienses, esses seres nascidos da junção plena de todos os brasileiros. E vale muito a pena conhecê-los.

Brasília como ela é

ALDEMYR FEIO

Segue-se entrevista concedida por Ray Cunha ao jornalista paraense Aldemyr Feio.

O que o levou a escrever O Casulo Exposto?

Costumo ambientar meus livros na Amazônia, especialmente Belém, minha cidade predileta. Porém vivo em Brasília desde 1987. Do início de 1996 ao fim de 1997, voltei a morar em Belém, mas por questões profissionais retornei a Brasília. Uma estada tão longa nos leva a conhecer bem o ambiente onde vivemos; assim, é natural que comecemos a escrever algumas histórias com a geografia da cidade onde moramos. Em 2008, observei que já escrevera 17 contos ambientados em Brasília e com personagens que são, quase sempre, migrantes, que transitam nas ruas e nos meios jornalísticos e políticos da cidade-estado. Submeti os 17 contos à leitura do Maurício Melo Júnior, escritor talentoso e crítico literário bem preparado. Ele escreveu a apresentação do livro e sugeriu que o levasse ao Antonio Carlos Navarro, diretor da LGE Editora, que resolveu editá-lo.

Maurício Melo Júnior, ao apresentar o livro, afirma que “O que interessa ao escritor são os resultados daquelas experiências, são os personagens que ficaram depois das epopeias”. Por quê?

Um dos fios condutores de O Casulo Exposto são as personagens, em geral migrantes, às vezes frustrados ou duplamente frustrados. As epopeias a que Maurício se refere é a construção de Brasília – uma fase da cidade que já acabou. Restaram os candangos bem-sucedidos, como o empresário Paulo Octávio, dono de boa parte da cidade, e muita gente que mora em assentamentos e invasões. Migrantes continuam chegando, mas agora tudo está lotado. Os contos, portanto, não enfocam uma epopeia, mas a miudeza do dia-a-dia na capital da república.

Maurício também afirma: “Ray Cunha ainda lhes dá um tratamento recheado de um humor cáustico, em alguns momentos até cruel”. O que ele quis dizer com isso?

Algumas das personagens dos contos são tragicômicas. Outras, apenas trágicas. Creio que o humor cáustico a que Maurício se refere é o que costumamos chamar de humor negro, quando situações, apesar de dramáticas, ou trágicas, contêm, mesmo assim, viés risível.

Seus romances e contos são, geralmente, ambientados na Amazônia. Qual a sensação de escrever um livro candango, ou seja, produzido com as coisas que acontecem em Brasília?

É a mesma sensação de trocar pirão de açaí com dourada frita por pão de queijo, ou de trocar a Estação das Docas por shopping. São duas situações absolutamente diferentes. No meu caso pessoal, caio de joelhos por tudo o que diz respeito à Amazônia, mas também curto Brasília. Assim, sinto-me perfeitamente à vontade tanto na Amazônia como em Brasília.

O casulo é uma alegoria à redoma legal que engessa o Patrimônio Cultural da Humanidade... mas também tresanda a perfume, romance e esperança, nas luzes da grande cidade. Dá para explicar?

O casulo do título evoca o fato de que Brasília é reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade. Em termos práticos, não se pode mudar a arquitetura original do Plano Piloto, que compreende o projeto do urbanista Lúcio Costa, excluindo-se as cidades-satélites. Então, o Plano Piloto é protegido sob uma redoma legal, um engessamento. É Patrimônio Cultural da Humanidade, mas nas suas ruas e nos seus subterrâneos não há romantismo, como em toda metrópole brasileira, inchadas e perigosas. Apesar disso, há contos de puro perfume, romance e esperança. A história que encerra o livro, A Caça – que inclusive já foi publicado pela Editora Cejup (Belém, 1996), quase no fim, refere-se às luzes de Brasília e termina no quarto de um bom hotel.

Você acha que o leitor vai entender as suas colocações contidas no Casulo?

Certamente que sim. A literatura, como qualquer arte, tem algo maravilhoso. No seu caso específico, as palavras remetem o leitor a mundos que são somente dele. O escritor é um mero porteiro. Lembrei-me de um caso que ocorreu com William Faulkner. Alguém o informou que leu duas vezes um livro seu e não entendeu a história. Faulkner sugeriu que lesse mais uma vez.

Nos casos relatados no livro você teve alguma participação ou foram vivenciados apenas superficialmente?

O senso comum mistura atores com personagens e acredita que ficção é o que conhecemos como realidade. Se assim fosse, quantos escritores não estariam atrás das grades por assassinato? O fato é que até nas autobiografias há mais ficção do que realidade. O escritor que faz seu trabalho com seriedade não está interessado em jornalismo. Estou certo de que pelo menos 75% do que os jornais publicam originam-se de interesses dos donos, de ideologia, de conjecturas, de boatos, ou de mentiras pura e simplesmente. Também o escritor não está interessado em si mesmo, pois todos os escritores são pessoas comuns e, muitas vezes, introvertidas. Qual a participação que um escritor pode ter numa história que se passa em outro planeta?  Como Antoine de Saint-Exupéry criou O Pequeno Príncipe? Esta é a diferença: as antenas especiais com que os escritores nascem, o que permitiu, por exemplo, que Ernest Hemingway criasse uma mulher abortando, em Adeus às Armas, ou que John Steinbeck desse vida a uma mulher que acaba de perder seu bebê recém-nascido e dá de mamar a um ancião que está morrendo de fome, em Vinhas da Ira.

Quem é Ray Cunha?

Nasci em Macapá, na margem direita do estuário do rio Amazonas, cortado pela Linha Imaginária do Equador, em 7 de agosto de 1954. Fui educado na Amazônia. Conheço a Hileia razoavelmente, por longa leitura e por ter vivido lá. Hoje, vivo em Brasília por uma questão de mercado de trabalho. Aqui, consigo oferecer à minha família razoável padrão de vida, sustentado pela minha profissão, jornalismo. Literatura, para mim, é minha missão pessoal. Embora morando em Brasília, a internet me permite ficar ligado o tempo todo à Amazônia. Tenho ligação íntima com Belém, um dos meus grandes amores, e, naturalmente, com Macapá. Quanto a Brasília, já somos velhos namorados. Brasília me deu duas mulheres fundamentais: minha esposa, e minha luz, Josiane, e uma flor, minha filha Iasmim.

Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos

MARCELO LARROYED

Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos reúne histórias curtas com pano de fundo em quatro cidades da Amazônia: Belém, capital do Pará; Macapá, capital do Amapá; Manaus, capital do Amazonas; e Rio Branco, capital do Acre. Inferno Verde conta a história do repórter Isaías Oliveira, num duelo com o sinistro traficante Cara de Catarro. A trama se passa em Belém e na ilha de Marajó.

Latitude Zero se desenrola em Macapá, cidade situada no estuário do maior rio do planeta, o Amazonas, na confluência com a Linha Imaginária do Equador; um punhado de jovens começa a descobrir que a vida produz também ressaca.

A Grande Farra narra peripécias do jovem repórter e playboy Reinaldo. Candidato a escritor, ele gasta seu tempo trabalhando como repórter, bebendo e se envolvendo com inúmeras mulheres. Este conto tem sua geografia em Manaus, encravada no meio da selva amazônica, e em Rio Branco, no extremo oeste brasileiro.

Obsessões amazônicas

MAURÍCIO MELO JÚNIOR

A literatura brasileira está numa encruzilhada. Cada autor atira para um lado e ninguém consegue formatar o que no passado se chamou de movimento. Mesmo em lugares onde se pratica uma literatura regional intensa – Pernambuco e Rio Grande do Sul, por exemplo – não há o senso de união. Isso, se por um lado favorece a diversidade temática, por outro, paradoxalmente, desagrega autores e enfraquece o trabalho de formação de leitores. Embora o ato de escrever seja um exercício de solidão, são a vivência e a convivência que dão ao escritor o estofo necessário para a composição do texto.

O escritor Ray Cunha, nascido na beirada da floresta amazônica, sofre do mal que vitimou parte de seus colegas a partir dos anos setenta: é um escritor desagregado, carente de grupos com quem possa discutir temas, estéticas e formas. Isso fica muito claro em seu livro Trópico Úmido – Três Contos Amazônicos, no qual, apesar de uma certa obsessão geográfica, sente-se a ausência da região em sua plenitude. O leitor mais exigente terminará a leitura carente do sotaque e das cores amazônicas, embora fique saciado com o desenvolvimento bem resolvido da trama.

O conto que abre o livro, Inferno Verde, conta a história do repórter Isaías Oliveira em duelo sangrento e perverso com o traficante Cara de Catarro. O segundo texto, Latitude Zero, fala de um grupo de jovens em descobertas sexuais em Macapá. Pode ser visto como um conto de formação, embora carregado do escancaro de Charles Bukowisk, o que é até compreensível em quem sobreviveu às teorias de Freud e à revolução sexual dos anos sessenta. Finalmente, o último conto do volume, A Grande Farra, conta a história de Reinaldo, um repórter que sonha ser escritor, mas, milionário, gasta a vida em bebedeiras e aventuras sexuais.

A linha que liga todos os textos, além da região amazônica, é mesmo a temática da sexualidade. No entanto, este sentimento está muito próximo das práticas vindas com a liberação sexual dos anos sessenta, unidas a um certo sadismo dos personagens. Num pobre exercício de paráfrase com os Atletas de Cristo, que trazem halos angelicais para os nossos atletas do futebol, podemos dizer que os personagens de Ray Cunha são Atletas de Sade. É impressionante a obsessão por um ato doloroso e imposto. Há sempre dominação do macho sobre a fêmea, mesmo quando ela, também filiada à revolução sexual, escolhe seu parceiro. Ainda assim prevalece a força do macho.

Esses personagens construídos pelo autor, por conta da defesa de uma geração perdida, terminam por carregar cores muito iguais. São todos hedonistas, amantes do prazer sobre todas as coisas. Por conta desse sentimento entram de cabeça na vida sem medir qualquer consequência. E fica clara aí a influência de Bukowisk, o velho safado, embora a sensualidade das ninfetas traga para os textos uma certa lembrança de Nabokovisk, o velho também safado, mas um pouco mais pudico. Sobrevive disso tudo um mundo excessivamente cruel, posto que o prazer é o que menos importa aos moços. Todas as relações têm como objeto a sujeição do parceiro.

O poeta Augusto dos Anjos falava em um de seus sonetos da “obsessão cromática”, do que chamava de fantástica visão do sangue se espalhando por toda parte. Ray Cunha trás para a literatura um pouco dessa obsessão, que faz a festa dos repórteres policiais. Há muitas cenas cruéis, com requintes de crueldade, dignos das páginas dos romancistas policiais americanos da década de cinquenta, um período no qual a fineza britânica de Conan Doyle foi substituída pela inspiração de Bram Stoker.

Finalmente, há obsessão geográfica. Para um livro passado na Amazônia isso é bem interessante. No entanto o autor poderia descrever mais e citar menos. Explica-se. É comum por todo o texto o nome de ruas onde moram, vivem e rodopiam os personagens. O problema é que a citação pura e simples do nome da rua simplesmente não remete a qualquer impacto sobre o leitor que não conhece as ruas. O autor poderia descrever as ruas, o que daria uma informação a mais ao leitor, situando-o até no ambiente por onde transitam os personagens.

Fica do livro, entretanto, a construção da história. Há pontos de prisão do leitor no jogo de curiosidades desvendadas aos poucos. O autor sabe manipular bem a trama, levando o leitor ao clímax. Com isso, resgata uma das maiores carências da literatura brasileira atual: o bom contador de história. É que os nossos novos escritores, buscando a universalidade linguística de Guimarães Rosa, esqueceram que ele sabia contar bem uma história. Resultado: renunciaram à narrativa e não ganharam a inventividade estética.

Ray Cunha consegue contar bem suas histórias. No entanto poderia ter trazido o mundo mais amazônico para suas páginas; poderia deixar um pouco as influências estrangeiras e seguir a trilha de autores como Benedicto Monteiro. Isso pode transformá-lo no grande representante da literatura amazônica moderna. Aquele que conseguirá traduzir boa linguagem com boa narrativa, e tudo temperado em um bom caldo de tucupi.

Livros do autor

Ray Cunha estreou como escritor em 1971, com o livro coletivo de poemas Xarda Misturada (edição dos autores, Macapá), juntamente com o poeta e contista José Edson dos Santos (Joy Edson) e José Montoril; em 1982, publicou Sob o Céu nas Nuvens (edição do autor, Belém, poemas), e, em 1990, A Grande Farra (edição do autor, Brasília, contos); em 1996, a Editora Cejup, de Belém, lançou o conto A Caça. Em 2000, saiu Trópico Úmido - Três Contos Amazônicos, e, em 2003, o romance A Casa Amarela, ambientado em Macapá, em 1964, ano do golpe que daria início à Ditadura dos Generais (1964-1985).


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