quinta-feira, 29 de março de 2012

Os torturadores e o general aposentado, no labirinto



BRASÍLIA, 29 de março de 2012 – Cedo ou tarde o país procuraria passar a limpo a Ditadura dos Generais (1964-1985). O processo já começou, 27 anos após o regime militar. A presidente Dilma Rousseff, que pegou em armas na resistência aos militares – que, por sua vez, reagiam à possibilidade de um golpe comunista, mas acabaram mergulhando o país na ditadura por 21 anos -, não vai deixar essa oportunidade passar, até porque a permanência do PT no poder central, em 2014, é cada vez mais uma incógnita.
Pois bem, está crescendo um movimento na internet para identificar militares que torturaram durante a ditadura. Ontem, o general aposentado Marco Antonio Felício da Silva, 74 anos, autor do manifesto assinado pelos militares da reserva contra a Comissão da Verdade, chamou de "terrorismo" as manifestações promovidas contra agentes da ditadura. Disse que haverá reações se militares forem molestados na reunião de hoje do Clube Militar, no Rio de Janeiro, em homenagem ao aniversário do golpe de 31 de março, a que os militares chamam de revolução, ou contrarrevolução.
“Esse pessoal está sendo convocado pela internet para fazer arruaça em frente ao Clube Militar. E na medida que os oficiais passarem, serão molestados. Logicamente, ninguém vai aceitar qualquer molestamento sem reação. Foram tomadas várias medidas de segurança e nós vamos para lá em massa e ver o que vai acontecer" - disse o general à Folha, no lançamento em São Paulo do livro Médici - A Verdadeira História, de Agnaldo Del Nero Augusto.
O general chamou de "esculhambação" os atos realizados país afora, na semana de aniversário do golpe, com protestos e pichações em frente a casas e locais de trabalho de supostos ex-torturadores. "São atitudes antidemocráticas, de intimidação, terrorismo. É um terrorismo seletivo e indiscriminado. É seletivo por focar em determinadas pessoas. E é indiscriminado no caso do Clube Militar" - afirmou. Terrorismo era a expressão usada pelos militares para se referir às ações de guerrilha dos militantes de esquerda durante o regime militar.
"Quem é o torturador da época? Que provas eles têm disso? Quando eles foram presos, todos eles saíam da cadeia sem ser molestados, mas dizendo que tinham sido torturados barbaramente" – disse Marco Silva.

Com informações da Folha.com

sábado, 24 de março de 2012

Memórias da Ditadura dos Generais (1964-1985)


RAY CUNHA


A Ditadura dos Generais (1964-1985) é um ferimento profundo que ainda sangra e vai arder como as fogueiras da Inquisição por muito tempo, espalhando fedor de carne queimada na alma da nação. Todas as guerras são sujas e crudelíssimas, e quando são entre irmãos, causam sofrimento por gerações. O Golpe Militar de 31 de março de 1964 é uma ferida aberta na sociedade brasileira, com saudosistas de um lado e revanchistas do outro lado da moeda, mas que, cedo ou tarde, terá que ser posto em pratos limpos. O que já dá para ler claramente é que os comunistas brasileiros queriam, como continuam querendo, instalar no Brasil uma ditadura, que eles chamam, paradoxalmente, do proletariado, algo como é hoje na Coreia do Norte, onde o povo está morrendo de fome, literalmente, enquanto a família de Kim Jong-um nada em champagne; ou em Cuba, onde famílias prostituem suas filhas para não morrerem de fome, enquanto os Castro gozam há mais de meio século; ou na China, onde mata-se como quem bebe um cafezinho; ou na Venezuela, onde Hugo Chávez e família já rasparam a burra e o povo come capim – e ninguém pode reclamar nem um tiquinho, senão morre todo rebentado na prisão. A lista de ditadores, e de candidatos, é grande. Tanto faz se autointitularem de esquerda ou de direita, são farinha do mesmo saco: fascistas, totalitários, nazistas, comunistas do alheio. Ditadores são híbridos de humano e hiena. Impressionam o povão com suas mentiras e se aliam à bandidagem e a psicopatas; estes, por sua vez, vislumbram nos ditadores a grande oportunidade de fazer o que quiserem impunemente.
No Brasil, para que seja instalada uma ditadura de esquerda, só se acabarem, antes, com as Forças Armadas. Lula, e sua cria, o PT, bem que tentaram, e continuam tentando, mas os militares, mesmo a pão e água, resistem. Contudo, eles continuam sendo guardadores de fogo pesado. Pois bem, vendo que uma revolução comunista seria fatal, em 1964, as Forças Armadas iniciaram uma contrarrevolução e mergulharam o país na clandestinidade durante 21 anos. Tempo demais. Só saíram porque tiveram que enfrentar um homem chamado Ulysses Guimarães, do antigo MDB, que liderou um movimento que mobilizou as massas, pela volta da democracia.
Ditaduras são o ventre da besta. Nos anos de chumbo, os militares torturaram, mataram, amordaçaram a imprensa, manietaram o Judiciário, quebraram as pernas do Legislativo, acabaram com o ensino, mergulharam o país no terror totalitário, levando sofrimento a incontáveis lares. Duas gerações cresceram sob a mordaça e o arbítrio. Hoje, só o fato de se contar com uma imprensa sem mordaça e de se poder falar de igual para igual com os generais já é um salto e tanto. Porém, 27 anos depois do fim da Ditadura dos Generais e 24 anos após a Constituição Cidadã, um código messiânico de leis, o Brasil continua se arrastando: a guerrilha stalinista deixou a trincheira e foi para o hotel seis estrelas que é o Congresso Nacional, assumiu pelo voto obtido com propaganda e contrapropaganda o comando do país, que mergulha cada vez mais fundo no populismo, no paternalismo, no patrimonialismo, no aparelhamento do Estado, na corrupção velada, que, tanto na ditadura sem máscara quanto na democracia mascarada, é a normalidade imposta. Se na ditadura militar bastava chumbo quente e porrete para intimidar, na democracia capenga um cipoal de leis, como, por exemplo, a legislação eleitoral, garante a corrupção.
Quando os militares deram o golpe, eu tinha 10 anos de idade e vivia na minha cidade natal, Macapá, localizada na confluência do maior rio do planeta, o Amazonas, com a Linha Imaginária do Equador. Era a capital do então Território Federal do Amapá. Em 1968, aos 14 anos, comecei a ter alguma noção do que estava acontecendo. Alguns artistas, da minha roda de amigos, tinham que se apresentar, de vez em quando, no quartel local do Exército, e o poeta Isnard Lima Filho, pai da minha geração de artistas, fora preso na Fortaleza São José de Macapá e no antigo presídio São José, em Belém do Pará.
Em 1971, houve uma grande mudança na minha vida. Eu cursava o antigo quarto ano ginasial (hoje, quarto ano do ensino fundamental) no Colégio Amapaense, quando, com três amigos, criamos o jornal estudantil A RosaBonitinha, mas ordinária. Meus amigos eram o poeta José Edson dos Santos, o Joy Edson, o jornalista Walter Júnior do Carmo e o advogado José Nazareno Nogueira. O pasquim só circulou uma vez, porque era deboche puro. Na época, o diretor do Colégio Amapaense era o professor Tinilo e o vice, professor Edgar. Tinilo era um sujeito olhudo, sombrio, e Edgar era dissimulado. Fui submetido, pelos dois, a um inquérito que durou cerca de uma hora, eles e eu, numa sala fechada. Queriam saber onde o jornal fora datilografado e mimeografado. Não disse nada e peguei 15 dias de suspensão.
O governador era o general mato-grossense Ivanhoé Gonçalves Martins. O Palácio do Setentrião fica defronte ao Colégio Amapaense, separado por uma praça. O governador gastava parte do seu tempo olhando de binóculo para o Colégio Amapaense. Certa vez, o jornalista Haroldo Franco publicou no seu jornal, do qual, mais tarde, fui editor, por pouco tempo, uma foto do general Ivanhoé montado num cavalo, com uma legenda mais ou menos assim: O governador Ivanhoé Gonçalves Martins (o de cima) sai para uma blitz. Haroldo Franco teve que se esconder até as coisas esfriarem. Pois bem, enviaram A Rosa para Ivanhoé, acho que o Tinilo e seu comparsa Edgar.
Na Secretaria de Educação, um amigo meu, Montoril, pai do poeta José Montoril, impediu, não me lembro mais como, que o jornal caísse nas mãos do general. Mas, naquelas alturas, eu andava desestimulado com a vida estudantil, e com a cidade. Eu frequentava uma roda de artistas. Em Macapá, e naquela época, artista era tratado, pela sociedade local, como vagabundo, marginal mesmo. Em dezembro daquele ano, 1971, publiquei, com Joy Edson e José Montoril, um livro de poemas, Xarda Misturada, e parti para o Rio de Janeiro. Tinha 17 anos.
MANAUS - Em 1975, aos 21 anos, fui a Manaus conhecer a família do meu pai. Naquele mesmo ano trabalhara como redator do jornal da Rádio Clube de Santarém (PA) e quando cheguei em Manaus entrei no primeiro jornal que encontrei, o Jornal do Commercio, então na Avenida Eduardo Ribeiro, no coração da cidade, atrás de emprego. Havia uma vaga para repórter policial. Comecei no dia seguinte.
Rotineiramente, cobria o Tribunal de Justiça e as delegacias de polícia, principalmente a central, um casarão no centro da cidade, do qual guardei na memória o fedor de urina e de tortura. Ali, perpetrava-se todo tipo de barbaridade. Também me lembro que uma vez meu amigo Wanderley Fortaleza escreveu alguma coisa, não recordo mais exatamente o que, e a redação foi invadida pela Polícia Militar.
Fiquei por pouco tempo no Jornal do Commercio e fui para A Notícia, que me proporcionou o que julgo ser uma das melhores, senão a melhor entrevista que já fiz como repórter, com o então ministro da Educação, o general de brigada Ney Braga. No dia 31 de março de 1976, Ernesto Geisel inaugurou o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, de Manaus. Ney Braga foi também. Quase toda a equipe do jornal foi escalada para cobrir a permanência de Geisel e comitiva em Manaus, o dia todo. Fazia parte da minha pauta fazer entrevista exclusiva com Ney Braga e perguntar a ele se o Decreto 477 (editado em 1969) ainda era necessário. O diretor de redação, Bianor Garcia, deixara claro: se eu não conseguisse a entrevista era melhor nem voltar para o jornal. Desconfiei que Bianor queria se livrar de mim, pois a missão era impossível. A propósito do Decreto 477, enquadrava estudantes e professores que, pensando alto, contrariassem o regime.
À noite, Ney Braga participaria de um encontro cultural no Ideal clube, na Avenida Eduardo Ribeiro. Fui para lá. Sentia-me meio condenado, contudo, movia-me o desespero do tudo ou nada. Fiquei de plantão num local pelo qual Ney Braga teria que passar. Quando ele se aproximou, avancei. Os seguranças foram pegos de surpresa, pois não dei tempo a ninguém. O gravador na mão, avancei para Ney Braga, com a serenidade dos que não têm nada a perder, me identifiquei como repórter de A Notícia e sapequei a pergunta:
- O Decreto 477 ainda tem razão de ser?
Ney Braga parou, me olhou nos olhos. Os olhos dele tinham a opacidade de quem compartilha as intimidades do ditador, uma espécie de tédio e certeza de que pode tudo.
- Você é jornalista? – ele me perguntou. Eu não era jornalista. Sequer tinha o ensino básico completo. Só em 1982, já vivendo em Belém, é que comecei a cursar jornalismo, por pressão das empresas jornalísticas e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Pará.
- Sou repórter de A Notícia – repeti.
  - E o que é que você acha? Você acha certo a anarquia? – ele disse algo mais ou menos assim.
- Quero saber sua opinião, ministro – insisti.
O restante da entrevista caiu para a burocracia. O general, e seu labirinto, foram-se logo. Creio que ele encerrou a entrevista mais por enfado do que por pressa. Lembrava os generais de Hitler, no cinema, sempre acompanhados de uma comitiva. Naquelas alturas, suponho, os generais já tinham começado a sentir que a farsa havia ido longe demais. Escrevi um boxe curto com essa entrevista.
Outra vez, escrevi uma nota sobre rodoviários atacados por waimiris-atroaris na BR-174, a Manaus-Boa Vista. Por conta dessa nota, o Bianor Garcia foi chamado para dar explicações no Comando Militar da Amazônia. Não foi; mandou a mim. Lembro-me que o coronel que chamara o Bianor Garcia não gostou de ver apenas um repórter, e de 21 anos, para dar explicações sobre uma “questão de segurança nacional”, mas me fez algumas perguntas e me liberou. Recriei esse episódio no conto A grande farra, publicado em livro homônimo, em 1992, em Brasília, edição do autor. Segue-se trecho do conto:
“Naquela sexta-feira, Reinaldo foi instruído pelo editor para pedir desculpas ao comandante Militar da Amazônia. O jornal tinha publicado que os waimiris-atroaris estavam atacando na BR-174 e o editor recebeu um telefonema dando conta de que o assunto era de segurança nacional.
“Foi recebido por um sargento.
“- Gostaria de ver o general - disse-lhe.
“- O assunto? - perguntou-lhe o sargento.
“- Vim representando o Jornal do Comércio e dar-lhe uma explicação quanto a uma matéria que saiu.
“- Sente-se e aguarde. Seus documentos, por favor...
“- Pois, não. Aqui está minha carteira de jornalista.
“- Sua carteira de identidade também.
“- Ei-la, senhor.
“- Sente-se e aguarde.
“- Obrigado.
“Não demorou e veio um major, que o introduziu a uma sala maior e mais arejada.
“- O general esperava o editor - disse. - De qualquer modo ele vai recebê-lo. - O major olhava-o de sua poltrona, por detrás da grande mesa em que trabalhava. Veio um ordenança com cafezinho. O major apanhou as xícaras e ofereceu-lhe uma. Eram de porcelana. O telefone tocou e o major atendeu-o. Desligou-o, levantou-se e convidou-o a acompanhá-lo. Reinaldo foi introduzido a uma sala ampla. Em frente de uma escrivaninha belamente trabalhada estava o general, que não disfarçou o desgosto de ver o jornalista - mas isso durou apenas um segundo. Saiu de sua imobilidade e estendeu a mão a Reinaldo.
“- Sente-se - disse ele. Era alto e elegante, e jovem.
“- General, estou representando...
“- Esperava o editor do jornal, meu jovem - cortou-o.
“- Ele não  pôde vir - disse, meio sem jeito, o jornalista. - Vim, em nome do jornal, pedir desculpas pela matéria que veiculamos sobre a BR-174.
“- Tudo lá está tranquilo, tudo sob controle. Quem lhes deu a informação de que os waimiris-atroaris atacaram um automobilista que seguia para Roraima?
“Reinaldo ficou embaraçado. Não sabia responder ao general. Mas ele passou adiante.
“- Notícia desse tipo são sensacionalistas e condenáveis. Por que os senhores não pedem informação a nós? Diríamos que está tudo tranqüilo. Para que conturbar a paz com notícias inverossímeis? Meu jovem, estaremos sempre aqui à disposição da verdade.
“De volta, soube que policiais militares haviam prendido Tom Bacamarte, editorialista do jornal, por causa de um artigo que escrevera contra a polícia. Uma guarnição invadira o prédio e arrastara Bacamarte para o Comando da Polícia Militar. Ninguém pôde impedir, já que ameaçaram metralhar quem se metesse. Martim, que era redator e muito amigo de Bacamarte, comunicou-se com Brasília imediatamente, e com todas as agências de notícias do país.
“Ao saber da prisão, Reinaldo foi imediatamente ao Comando da Política Militar. Gostava muito de Bacamarte.
“Na sala do comandante, Bacamarte enfrentava-o. Naquela noite, no Orten, ele contou como se saiu.
“- Então é o senhor que anda ameaçando a ordem pública, a paz e a polícia? - disse-lhe o comandante, que era gaúcho.
“- Só há uma quadrilha de desordeiros nesta cidade, e o senhor a comanda. Quanto a paz, a presença do Exército na vida civil do país a desmente. E a polícia é quem tem as armas de fogo e o arbítrio para fazer o que quiser.
“O comandante ficou vermelho, mas controlou-se, e falou calmamente.
“- O senhor sabe que poderia ser preso por essas declarações?
“- Sem as formalidades da Justiça? Sim, sei. Sei inclusive que poderei ser assassinado e desaparecer.
“- Meu jovem, tudo o que a polícia faz é para o bem deste país - contemporizou o comandante.
“- Eu sei. A prisão ilegal de estudantes e a tortura.
“- O senhor pertence a alguma facção política, meu jovem?
“- Sou fascista.
“- Meu jovem, vou soltá-lo, mas não volte a falar da polícia...
“- Então, não estou preso? A propósito, quero agradecer a gentileza do convite para vir tomar um chá com o senhor; chá, não, chimarrão.
“- Vou mandar que o levem de volta ao jornal - disse, impassível, o comandante.
“- Obrigado. Vou de pés.”
Assim termina o trecho. Durante todo o tempo em que trabalhei em A Notícia, o jornal esteve sob censura prévia. Todas as noites, um casal de agentes federais, casados mesmo, ia para uma sala contígua à redação e lia tudo o que sairia na edição do dia seguinte, cortando o que achassem que pudesse ofender a ditadura.
ACRE - Em 1978, fui para Rio Branco, trabalhar no jornal Gazeta do Acre, comandado pelo Elson Martins, um dos mais brilhantes repórteres da Amazônia, editor também do Varadouro, o mais famoso jornal de resistência à ditadura produzido na Hileia. Tive, assim, rapidíssima passagem pelo Varadouro, em março de 1979, escrevendo, em jornalismo literário, a matéria Roteiro da prostituição, publicada, com chamada de capa, na edição 14 do Varadouro. Publicada na página 12, a matéria não aparece assinada, mas é minha. No site Biblioteca da Floresta (www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br), o próprio Elson Martins fala sobre a edição número 14 do Varadouro, que pode ser lida no endereço: http://www.cooperacre.com/HOME/varadouro_14.pdf

Varadouro 14: cuidado com a “onça”!

ELSON MARTINS 

Em 1979, a ditadura militar ainda funcionava a plenos pulmões no país. No Acre, o governador nomeado pelo governo federal, Geraldo Mesquita (1975/1979), conseguira através de sua amizade com o general Geisel fazer o sucessor (também biônico) Joaquim Macedo, ex-gerente de seringal em Brasiléia. As opções políticas na época eram tão ruins que o Varadouro acolheu a indicação como boa promessa.
Não que o jornal tivesse algum rabo preso com o governo, mas o barão Mesquita tinha sinalizado que o Acre não devia virar pasto como Rondônia, e Macedo tinha uma caída pelo extrativismo. Outra coisa que o recomendava era o cunhado Elias Mansour Simão Filho, seu chefe do gabinete civil, que figurava na lista montada pelo general Garrastazu Médice (um dos mais duros do regime) com os nomes de 197 comunistas infiltrados na administração pública brasileira.
Nossa relação com Elias era afável e de quase cumplicidade. Isso no começo, pois no meio do mandato de Joaquim Macedo (1979/1982) este recebera até recomendação do médico para não ler nossas provocações na imprensa, do contrário seria difícil controlar sua pressão com remédios. No jornal diário A Gazeta do Acre, que após fracassar sob o comando de um grupo de Porto Velho caiu nas mãos da turma do Varadouro (que parou de circular em 1981), a corda ficou esticada com o governo. Sobrevivemos a duras penas com a ajuda do empresário Wilson Barbosa, que monopolizava o abastecimento de carne na capital.
Na Gazeta, a gente só não podia reclamar do preço da carne, quanto ao resto... Vendíamos cerca de 3.500 jornais diariamente e conseguimos fazer bom jornalismo com uma equipe esforçada e competente. O repórter Arquilau de Castro Melo, hoje desembargador - produzia quatro matérias polêmicas por dia.
Bom, mas estou falando da edição 14 do Varadouro: dois anos antes do jornal bater as botas, estávamos peregrinando pelas gráficas do país porque em Rio Branco não tinha boca para imprimi-lo. Esta edição foi impressa em São Paulo, nas oficinas da empresa jornalística AFA Ltda., na Avenida Liberdade, e para isso contamos com a solidariedade de pessoas e da imprensa nanica espalhada pelo país para encontrar a solução à distância.
Da mesma forma o número de colaboradores aumentava na redação do jornal, localizada na Travessa Epaminondas Martins 141, no bairro do Bosque, precisamente uma ruela que inicia na cabeceira da ladeira da Maternidade, na Avenida Getúlio Vargas. O prédio ainda está lá, quase do mesmo jeito como seu Elizeu nos alugou, consciente de que teria dificuldades de receber a mensalidade. A Eurenice, filha dele, na época universitária e hoje professora doutora da Universidade Federal do Acre, era nossa principal avalista.
Entre os novos colaboradores estavam Paulinho (fotografia), Serginho e José Grilo (diagramação), Raul Velásquez (ilustração), Luis Antônio (revisão) e os redatores Antônio Marmo, Mary Allegretti, Toinho Alves, Ray Cunha, Maria Auxiliadora Guimarães, Cafieiro, Nellie, Vicent Carelli, Raimundo Nonato (Brasiléia), João Batista e Renata. Alguns desses nomes ajudaram no fechamento da edição em São Paulo.
A capa do número 14 veio com quatro manchetes de peso igual: Acre corre sérios riscos, Alucinações do Santo Daime, Mentiras sobre o Índio e Roteiro da prostituição. Essa sobre os riscos partiu do IBDF (hoje Ibama). O órgão subordinado ao Ministério da Agricultura propôs “contratos de risco” com empresas nacionais e estrangeiras para exploração da madeira da Amazônia. Já pensou?  O Toinho, que fez uma ilustração para a última página, já imaginou passarinhos piando em inglês: peaw! peaw!
Mas a matéria mais polêmica na região foi sobre as “mentiras” que o antropólogo Terri Aquino descobriu num relatório da Agência do Banco da Amazônia em Tarauacá. Ao todo foram seis mentiras que o Terri teve que desmentir. A primeira dizia que não existiam reservas indígenas em Tarauacá; a segunda dizia que os índios sempre conviveram pacificamente com os seringalistas; a terceira que os índios recebem apoio dos patrões seringalistas; a quarta que os filhos dos índios estavam nas escolas... E por aí vai.
Após a publicação do relatório o Txai Terri viveu em apuros na região do Juruá, chegando a ser perseguido rio acima e abaixo por um destacamento da Polícia Militar. Chegou-se a anunciar que a “onça” tinha comido o antropólogo, e teve quem viu o corpo (ou o que teria restado dele) ser desembarcado envolto num lençol branco, de um aviãozinho fretado pelo governo. Era boato. Dias depois Terri reapareceu são e salvo pelas bandas de Cruzeiro do Sul. De qualquer forma, o relatório e a repercussão de sua divulgação deixaram claro que o passado do Banco da Amazônia o condena.
Nessa edição tem ainda uma matéria importante sobre posseiros urbanos, um problema que tem origem na expulsão (pelos fazendeiros) das famílias extrativistas dos seringais; e uma carta inédita do seringueiro Rubem Rebouça de Oliveira ao presidente da República. A carta foi recolhida pela antropóloga Mary Allegretti no seringal Alagoas, no alto rio Tarauacá, em maio de 1978. O curioso é que para o Rebouça, o presidente da República ainda era o saudoso Getúlio Vargas, morto em 1954.
Não tem importância: o que ele mandava dizer na carta servia para o presidente de 1978, o general Ernesto Geisel: “Presidente da Nação, o sr. está de costas para o Acre”. Não sei informar se o general a recebeu, muito menos se Getúlio Vargas, onde quer que estivesse, pode ficar de frente para o bravo seringueiro.
BRASÍLIA – Em 1987, quando terminei o curso de jornalismo na Universidade Federal do Pará (UFPA), e trabalhava no jornal Diário do Pará, em Belém, como setorista no Palácio Lauro Sodré, no governo de Hélio Gueiros, ia mudar-me para o Rio de Janeiro, mas passei por Brasília, onde acabei ficando, a convite do Walmir Botelho, que estava assumindo como diretor de redação do antigo jornal Tribuna do Brasil. Aqui, ainda havia o ranço do “sabe com quem está falando?”, e até hoje saudosistas do regime militar se encontram na praça do pau mole, no Conjunto Nacional, shopping ao lado da Rodoviária do Plano Piloto, para sonhar e conspirar contra a ditadura do PT. O fato é que, talvez pela grande presença de militares em Brasília, a cidade ainda respirou o ácido úrico da ditadura durante bastante tempo após 1985.
Por volta de 2002, durante breve período, fui redator-chefe do semanário DF-Notícias, onde conheci o sargento da reserva do Exército, Abílio Teixeira, que, naquele ano, foi candidato a deputado federal. Fluminense, sargentão, paraquedista, assessor de ministro do Exército na época da ditadura, Abílio Teixeira não tem papa na língua. Escrevia uma coluna no DF-Notícias na qual descia o cacete no presidente Lula e nos generais, porque Lula deixava os praças passarem fome com a conivência dos generais, e também porque a infraestrutura do país estava desabando (continua desabando).
Pois bem, um dia, um tenente do Comando Militar do Exército em Brasília ligou para a redação e pediu para falar comigo, marcando a visita de um major. Eu sabia que era por causa dos artigos do Abílio. Eu conversava muito com o Abílio, que me ajudou a compreender melhor a caserna (fui dispensado do Exército por falta de peso) e a desmitificar um vago receio que eu ainda sentia de militares e policiais, pois convivi com a ditadura dos 10 aos 31 anos de idade, toda a minha vida estudantil, entendendo-a como uma zona de guerra, onde a mordaça, a tortura, o estupro, o assassinato, são banais. Na manhã combinada, recebi o major e seu ordenança na minha sala. À certa altura o major me perguntou se poderia ler, de antemão, os artigos do Abílio. O sangue subiu à minha face.
- Censura? – perguntei, irritado.
O major escorregou do galho, mas era bom de comunicação e, com habilidade, conduziu a questão para outro lado, perguntando se poderia consultar o arquivo do jornal. Sim, é claro que poderia, mas pus, de propósito, um obstáculo.
- É claro. Basta que o Exército encaminhe uma carta solicitando isso – disse.
O major se mexeu na cadeira. Não demorou a ir embora, dizendo que providenciaria o documento, e nunca mais soube dele.
A ditadura, agora, é outra. É a de Lula e do PT, que tomaram conta do país por meio do paternalismo, do populismo e do aparelhamento do Estado. Como a perpetuação no poder não se deu mais pelas armas, mas pelo voto, Lula se aliou a todas as excrescências que rastejam, do Oiapoque ao Chuí, como nunca se viu antes neste país. Mas, hoje, neste mundo pós-moderno, não há mais lugar para carniceiros como Fidel Castro, nem para batedor de carteira, mas perigosíssimo, como Hugo Chávez. A democracia é, sobretudo, um exercício individual. Quando tomamos atitudes justas, dignas e altruístas, toda a Humanidade melhora, pois nenhum homem é uma ilha; somos, todos, um continente.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Guerrilha do Araguaia: quem tem razão?





Tenente do Exército dá sua versão sobre a luta armada no sul do Pará, entre as Forças Armadas e comunistas

BRASÍLIA, 23 de março de 2012 - Onde estão os guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) mortos e desaparecidos, bem como os militares que morreram na Guerrilha do Araguaia? Dar a resposta é o que promete o livro Bacaba - Memórias de um Guerreiro de Selva da Guerrilha do Araguaia, de José Vargas Jiménez (136 páginas, R$ 30), segundo tenente da reserva do Exército, cadastrado no Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), como Guerreiro de Selva número 702, que vivenciou e participou da última fase da Guerra de Guerrilha do Araguaia, no Sul do Pará, entre as Forças Armadas e guerrilheiros da Força Guerilheira do Araguaia (Fogueira), do PCdoB, que queriam instalar no Brasil uma ditadura comunista.
Os fatos relatados no livro são ilustrados com documentos confidenciais e secretos do Centro de Informações do Exército (CIE), para provar a autenticidade da realidade vivida pelo autor, à época sargento, que conta, sob sua ótica, como se desenvolveu a Guerrilha do Araguaia, desde seu planejamento pelo PCdoB (1968-1972), até o final, quando os guerrilheiros foram exterminados pelas Forças Armadas. O livro contém fotos dos guerrilheiros e militares que morreram em operação, bem como de guerrilheiro capturado, “vivo”, pelo autor, e que hoje consta como "desaparecido" no Araguaia.
“Se quiserem saber muito mais a respeito da grande repercussão no Brasil deste meu livro, acessem o site: www.google.com.br e pesquisem o seguinte: Livro Bacaba, depois Chico dólar e depois José Vargas Jiménez. Verão que para uns brasileiros sou torturador e assassino porque lutei contra os terroristas/comunistas do PCdoB, que queriam impor o regime comunista no Brasil, e para outros sou herói, corajoso, valente, doido, maluco, por estar peitando esses ministros que estão no poder e que querem acabar com a Lei da Anistia, e que criaram a “Comissão da Verdade". Deixo a seus critérios este pedido para que me ajudem a divulgar o meu livro” – pede o tenente Vargas.

SERVIÇO
Bacaba - Memórias de um Guerreiro de Selva da Guerrilha do Araguaia pode ser adquirido autografado e com frete pelos Correios pago, pelos e-mails:
chico.dolar@hotmail.com

Ou pelo telefone residencial: (67) 3365-6844/Campo Grande-MS


Sebastião Curió e Carlos Eugênio da Paz - as diferenças entre
o militar do Exército e o militante da esquerda talvez sejam
meramente ideológicas. Ambos agiram com crueldade


O coronel Curió da esquerda

GOIÂNIA, editorial do Jornal Opção, edição de 18 a 24 de março de 2012 - A ONU e o Ministério Público Federal deveriam ler os livros do ex-guerrilheiro Carlos Eugênio da Paz. O último comandante da ALN revela que, como líder de um Estado paralelo, executou friamente um capitão do Exército e um esquerdista que cometeu o crime de revelar que queria deixar a luta armada.
Com algum alarde, mas sem que a mídia explorasse suficientemente suas caudalosas revelações, as editoras Civilização Brasileira e Bertrand Brasil publicaram dois livros histórica e humanamente honestos em 1996 e 1997. Viagem à Luta Armada (225 páginas) e Nas Trilhas da ALN (206 páginas) são memórias romanceadas do último comandante militar da Ação Libertadora Nacional, Carlos Eugênio Sarmento Coêlho da Paz. Na guerrilha, era mais conhecido como comandante Clemente e Clamart. O ex-guerrilheiro promete fechar a trilogia autobiográfica com A Grande Noite Escura — com foco no exílio e na volta ao Brasil, depois da Lei da Anistia do governo João Figueiredo. Hoje, Carlos Eugênio sobrevive como músico no Rio de Janeiro e é um cidadão pacífico e cumpridor das leis do país. Na guerrilha contra os militares, com o objetivo de derrubar a ditadura civil-militar e implantar a ditadura do proletariado, era um homem duro, inflexível. Sua lógica, plausível: era uma questão de sobrevivência.
No livro Nas Trilhas da ALN, na página 160, Carlos Eugênio conta a história da execução de um capitão do serviço reservado do Exército, que estava tentando se infiltrar na guerrilha. Descoberto, o capitão disse ao comandante Clemente: “O que vai fazer?... todos os órgãos de repressão querem sua cabeça, não adianta nada me matar. Palhares vai mandar outros...”. O líder guerrilheiro redarguiu: “Sei disso, mas são nossas leis... você foi condenado à morte por infiltração na Ação Libertadora Nacional...”. Carlos Eugênio relata a execução do capitão — desarmado e, naquele momento, inofensivo — com objetividade, e sem tergiversar: “Ele se cala diante do inevitável, apontamos as pistolas e executamos a sentença. Descarregamos as armas no capitão, trocamos os pentes e batemos em retirada. Sete homens jogam as cartas da vez no jogo da sobrevivência e vencem a mão”.
A execução ocorreu em São Paulo. Ao leitor cabe reter que o comandante Clemente fala em “nossas leis” e “sentença”. Havia, pois, a noção de um Estado paralelo — com leis específicas e uma espécie de poder judiciário guerrilheiro-justiceiro. Os agentes da esquerda tinham mesmo que “assassinar” o capitão — usa-se aspas para ressalvar que, no entendimento dos esquerdistas, não se tratava de um assassinato, e sim de uma execução definida por uma suprema corte da ALN — ou poderiam tê-lo deixado “amarrado” em algum lugar e, assim, escaparem tranquilamente? Como “não” estavam cometendo um “crime”, porque estavam em conflito, numa guerra entre dois Estados, o da ditadura e o da guerrilha, Clemente avalia que o “julgamento” e a execução foram justos. Entre os executantes, revela Clemente, estava Tato, o goiano Paulo de Tarso Celestino. Paulo de Tarso foi preso “em julho de 1971 e torturado até a morte”.
No livro Viagem à Luta Armada, Carlos Eugênio conta uma das histórias mais excruciantes da guerrilha urbana. Clemente faz um relato objetivo, sem tergiversação, como se fosse um longo depoimento judicial ou estivesse elaborando e divulgando um documento histórico. Com crueza, narra o “julgamento” e a execução — assassinato, se visto de outro ponto de vista — do guerrilheiro Márcio Leite de Toledo. As informações estão nas páginas 202, 203, 204, 205 e 222 e, se puder, o leitor deveria consultá-las. Márcio era conhecido na guerrilha como Mário.
Carlos Eugênio diz que Mário/Márcio era um guerrilheiro exemplar e atirava bem. Mas um dia, ao roubar um carro, Mário, que estava com uma metralhadora, não conseguiu dispará-la e saiu correndo, abandonando os companheiros “à própria sorte”. “Vacilou pela segunda vez, não pode haver uma terceira, está fora de ação, vamos pensar o que fazer, talvez seja melhor que saia do país, assim terá condições de escolher o melhor para o seu futuro”, decidiu o exigente e competente comandante Clemente. Ao ser confrontado com a oportunidade de sair do país, Mário/Márcio teria desafiado o comando: “Eu não vacilei, foi uma escolha, era melhor não combater...”.
Num primeiro momento, o comandante Clemente decidiu que Mário/Márcio ficaria afastado, com a possibilidade de ser reintegrado aos poucos, depois de uma autocrítica, ou sair para o exterior, que, na época, significava quase sempre Cuba. O guerrilheiro Célio, que havia sido indicado como tutor ou vigia do jovem guerrilheiro, avisa ao líder Clemente que Mário/Márcio pretendia “se desligar da organização”, acusando os companheiros de “isolá-lo por motivos políticos, diz que não reconhece o vacilo, não tem motivos para sair do país e vai procurar uma organização que o queira”.
Clemente, um líder em guerra, fica preocupado: “Urge tomar uma decisão a respeito, o companheiro conhece esquemas, pode nos prejudicar seriamente, fugiu quando Diogo (Joaquim Câmara Ferreira, líder da ALN, abaixo apenas de Carlos Marighella) caiu e repetiu a dose em ação. Para se desligar, deve aceitar nossas exigências e viajar, é a maneira correta. Ele nega, mas sabemos que está abalado pelas dificuldades da luta, que é bem diferente de um treinamento em Cuba. Caindo com o estado de ânimo que apresenta e sem controle direto nosso, seria uma catástrofe”.
Numa reunião com Célio (o ex-sargento José Milton Barbosa), Hermes (Antônio Sérgio de Matos) e Marcela (Ana Maria Nacinovic), o comandante Clemente transmite o que chama de “decisão fatal”: “Vamos executar Mário... ele é um perigo para a organização, está vacilando e não admite sair do país, escondendo suas fraquezas atrás de supostas divergências políticas. (...) É uma ação de sobrevivência, não nos trará glórias, nem conseguiremos jamais saber se foi ou não acertada, simplesmente os tempos exigem...”.
Antônio Sérgio de Matos e Ana Maria Nacinovic apoiaram a decisão do comandante Clemente. José Milton Barbosa concordou, mas se recusou a participar da execução. “Um comando é designado, os componentes fazem pacto de silêncio, o ato mais polêmico da história da ALN é cometido.” Márcio é julgado e condenado por Clemente e executado pelo comandante da ALN e outros guerrilheiros. Sua culpa: queria sair da guerrilha, mas não havia dedurado nenhum de seus companheiros. Foi morto, por um “tribunal militar”, sem ter qualquer direito a defesa e sem ter cometido qualquer crime. O tribunal guerrilheiro avaliou que “poderia” cometer um crime — dedurar os combatentes em caso de prisão.
Numa avaliação posterior, publicada no livro citado, Carlos Eugênio mostra que, sim, sente profunda culpa pela injustiça cometida: “Foi terrível... hoje não me interessa se tínhamos ou não razão, quero falar, contar... ajudar a que nunca mais um agrupamento de seres humanos tenha direito a tal escolha... já posso me encarar, não importa que outros não assumam comigo, prometi a Felipe (Alex de Paula Xavier Pereira) prestar contas à História... Mário não pode passar por traidor, e os companheiros que tomaram a decisão e executaram a sentença não podem ser conhecidos como frios assassinos políticos que matavam para tomar o poder na organização”. Adiante, Carlos Eugênio diz: “Não assumirei o papel de vítima, fomos combatentes de uma causa justa”. A causa pode ter sido justa, do ponto de vista da esquerda, mas o assassinato, e suposto julgamento, de Márcio Leite de Toledo, um garoto de pouco mais de 20 anos, foram justos? Ele sequer era, admite Carlos Eugênio, “traidor”.
Apesar da confissão de que, junto com outros companheiros, matou um capitão do Exército e um militante da esquerda, Mário Leite de Toledo, Carlos Eugênio nunca foi chamado para depor, para se explicar. Parte-se do pressuposto de que o Estado, ao acionar militares das Forças Armadas e policiais civis, cometeu um crime contra os guerrilheiros. É óbvio que, nos (e fora dos) porões da ditadura, ocorreram atos bárbaros, mas, se aceitarmos a versão de Carlos Eugênio, teremos de aceitar a versão de policiais, como o falecido delegado Sérgio Paranhos Fleury, e de militares, como o coronel Sebastião “Curió” Rodrigues de Moura, de que estavam “apenas” defendendo a Pátria, a soberania do país, ao combater, torturar e matar guerrilheiros. É absolutamente inaceitável o que Curió fez no cenário da Guerrilha do Araguaia, torturando e executando pessoas indefesas, que, manietadas, não ofereciam qualquer perigo aos militares e ao país.
Detidas, não fariam mais guerrilha. Bastava, portanto, encaminhá-las para presídios e, depois, julgá-las. A chamada Operação Limpeza foi de uma brutalidade ímpar — sugerindo um sadismo oficial —, e absolutamente desnecessária.
O Ministério Público Federal denunciou à Justiça o coronel Curió pelo crime de “sequestro qualificado” de cinco esquerdistas que participaram da Guerrilha do Araguaia (1972-1975) — Maria Célia Corrêa (Rosinha), Hélio Luiz Navarro Magalhães (Edinho — suspeita-se que esteja vivo), Daniel Ribeiro Callado (Doca), Antônio de Pádua Costa (Piauí) e Telma Regina Corrêa (Lia). Apesar das investigações, os corpos das vítimas não foram localizados. A Organização das Nações Unidas pediu ao Supremo Tribunal Federal que acate a denúncia do MPF. A ONU diz que se trata do “primeiro passo crucial para lutar contra a impunidade que permeia o período do regime militar no Brasil”.
Concedamos: dizer que Carlos Eugênio é o Curió da esquerda talvez seja mesmo exagero, mas, por aquilo que conta em seus livros, denota-se que avaliava-se praticamente como chefe de um Estado guerrilheiro, com leis próprias e direito de tirar a vida de aliados, ex-aliados e adversários-inimigos políticos e militares. A guerrilha era uma espécie de Estado dentro do Estado e contra o Estado. Os procuradores da República e os funcionários e dirigentes da ONU deveriam ler, cuidadosa e seriamente, o relato de Carlos Eugênio. Poderão colher informações que, de algum modo, sinalizem para um coronel Curió nas esquerdas. O próprio Carlos Eugênio admite que, no caso de Márcio Leite de Toledo, a ALN cometeu um “erro”, ou seja, foi responsável por um crime bárbaro, sem nenhuma razoabilidade.
O Jornal Opção é contra a tortura — seja cometida por esquerdistas ou direitistas. Avalia-a como um crime inominável — mesmo que se considere que chumbo trocado não dói e que se estava, entre 1968 e 1975, em guerra (estar em guerra não significa abolir o mínimo de civilidade e respeito às leis). Sugere, apenas, que a violência ocorreu dos dois lados, porque se estava numa guerra, e que não se deve investigar tão somente os militares. Houve abusos dos dois lados — o dos militares e policiais aparecendo mais porque seus efetivos eram maiores e seus armamentos mais potentes.
Agora mesmo, estão falando em rever a Lei de Anistia e exatamente no momento em que a Comissão da Verdade mais precisa de aliados para colher depoimentos e documentos sobre a violência política. Historiadores e jornalistas sabem, por experiência própria, que grande parte dos documentos, especialmente os que envolveram as Forças Armadas e os guerrilheiros, não está guardada nas gavetas, armários e computadores militares. Vários documentos foram levados para casa por generais, coronéis, majores, capitães, entre outros. No caso de um diálogo sem vingança, é possível que vários documentos apareçam. O próprio coronel Curió, que está sendo biografado pelo jornalista Leonencio Nossa, de O Estado de S. Paulo, pode refluir e não liberar sua documentação sobre a Guerrilha do Araguaia.
Há, por fim, os chamados documentos orais (depoimentos), igualmente valiosos, sobretudo quando escasseiam documentos oficiais escritos. Alguns militares, especialmente aqueles que não tiveram participação direta na violência contra os guerrilheiros, poderiam falar — se o clima não fosse de caça às bruxas. No entanto, quando se fala que o produto da Comissão da Verdade pode ser usado para punir e até para rever a Lei da Anistia, poucos militares, mesmo os não envolvidos com os porões da ditadura civil-militar, podem silenciar-se. O Jornal Opção tem insistido que a história verdadeira do pós-1964 só poderá ser contada se se aceitar que é impossível construir uma história oficial, e com o objetivo mais de punir do que de esclarecer. Não somos contra punições, notadamente para sádicos, como Curió e Sérgio Fleury. Mas iluminar, antes de penalizar, talvez seja mais eficaz.
A história exime-se das verdades absolutas e, para se tornar mais objetiva e, talvez, completa, precisa conter as versões essenciais dos episódios. Com o tempo, com várias pesquisas e interpretações, são os historiadores, e não os governos, ou os militares e os ex-guerrilheiros, que vão estabelecer uma história, digamos, mais aceitável (nunca é inteiramente) para todos. A objetividade total é uma impossibilidade, mas os historiadores buscam uma objetividade possível, descortinando versões e buscando definir os fatos como ocorreram. Historiadores da esquerda, como Jacob Gorender e Luís Mir, têm publicado trabalhos consistentes sobre a guerrilha. Apesar dos arroubos de Gorender, que chama os militares de “milicos”, seu livro Combate nas Trevas, sobre a ação da esquerda no pós-64, é um clássico que tem sido confirmado por livros mais recentes. Os livros do historiador Carlos Fico e do jornalista Elio Gaspari são uma espécie de comissão da verdade não-oficial — tal o volume de informações relevantes, que, somadas com outros trabalhos (universidades e jornalistas, como Luiz Maklouf e Hugo Studart, têm feito um trabalho meritório), resultarão numa história mais próxima da verdade e menos infensa à partidarização.
A direita tenta impor sua verdade, o que não é ruim, e a esquerda tenta impor sua verdade, o que também não é ruim. Quanto mais as duas se revelam, apresentando suas versões, mais contribuem para o debate e, assim, para a construção de uma história geral. Entretanto, o mais importante é que aceitem que é do choque dessas verdades que os historiadores vão extrair uma história mais aceitável para a sociedade. A história de todos não é de ninguém em especial. É, como se disse, de todos. Mas as histórias que mais compreendem do que condenam — ainda que torturadores e assassinos, que matavam fora de combate, devam mesmo ser julgados pelo Judiciário (um juiz diz que os crimes estão prescritos, mas o Ministério Público Federal contesta, apontando a questão dos sequestros) — são as que têm utilidade para firmar um país sério e democrático.

CORRUPÇÃO/Demóstenes Torres pediu dinheiro a Carlinhos Cachoeira. Carlos Leréia e Sandes Júnior estão enrolados também


BRASÍLIA, 23 de março de 2012 – Segundo matéria do jornal O Globo, de ontem, gravações da Polícia Federal revelam que o senador Demóstenes Torres (GO), líder do DEM no Senado, pediu dinheiro e vazou informações de reuniões oficiais a Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de chefiar a exploração ilegal de jogos em Goiás. Relatório com as gravações foi enviado à Procuradoria Geral da República em 2009, mas o chefe da instituição, Roberto Gurgel, parece tê-lo engavetado. O documento aponta ainda ligações comprometedoras entre Cachoeira e os deputados Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) e João Sandes Júnior (PP-GO).
Numa das gravações, feitas com autorização judicial, Demóstenes pede para Cachoeira “pagar uma despesa dele com táxi-aéreo no valor de R$ 3 mil”. Em outro trecho do relatório o senador fez “confidências” a Cachoeira sobre reuniões reservadas que teve no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. O relatório revela ainda que desde 2009 Demóstenes usava um rádio Nextel (tipo de telefone) “habilitado nos Estados Unidos” para manter conversas secretas com Cachoeira. Segundo a polícia, os contatos entre os dois eram “frequentes”. O relatório expõe também a proximidade entre Cachoeira e os deputados Leréia e Sandes Júnior. Leréia também usava um Nextel para conversas secretas com Cachoeira.
Como não pode investigar parlamentares sem autorização prévia do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal enviou o material à Procuradoria Geral em 15 de setembro de 2009. No segundo semestre de 2010, a PF abriu inquérito para apurar exploração ilegal de jogos em Luziânia (GO) e se deparou com as mesmas irregularidades da investigação concluída há três anos.

Assessores de Aécio Neves no Senado recebem jetom em estatais mineiras

FÁBIO FABRINI
O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA, 23 de março de 2012 - Assessores do gabinete do senador Aécio Neves (PSDB-MG) estão engordando seus contracheques graças a cargos em estatais mineiras. Três servidores comissionados recebem, além do salário do Senado, remunerações por integrar conselhos de empresas do Estado, governado pelo tucano de 2003 a 2010 e agora sob o comando do aliado Antônio Anastasia (PSDB). Assim, turbinam os rendimentos em até 46%. Ninguém é obrigado a bater ponto no Senado e, nas estatais, são exigidos a ir a no máximo a uma reunião por mês.
Nomeado assessor técnico de Aécio em fevereiro de 2011, o administrador Flávio José Barbosa de Alencastro recebe R$ 16.337. No Conselho de Administração da Companhia de Abastecimento de Minas (Copasa), ele tem direito a até R$ 5.852 por mês, totalizando R$ 22.190. A política de remuneração da Copasa, enviada à Comissão de Valores Mobiliários, diz que em 2011 foram reservados R$ 632.100 para o pagamento dos nove conselheiros. Metade é paga como parcela fixa mensal e o restante, conforme a participação nas reuniões. Alencastro foi eleito para o conselho em 15 de abril, menos de um mês após a nomeação no Senado.
Também assessora de Aécio, com salário de R$ 16.337, a jornalista Maria Heloísa Cardoso Neves recebe jetons de R$ 5 mil por mês da Companhia de Desenvolvimento Econômico de MG (Codemig) para participar, obrigatoriamente, de três reuniões anuais do Conselho de Administração. E, por vezes, de encontros extraordinários. Em 2011, foram três. Heloísa foi indicada em 2004, pelo então governador Aécio, e admitida pelo Senado em 2011. Ela diz que sua atribuição é, sobretudo, cuidar de estratégias de comunicação e projetos ligados à área.
Assistente parlamentar do senador, Maria Aparecida Moreira, trabalha como atendente no escritório político do tucano na capital, com salário de R$ 3.202 pago pelo Senado. A Companhia de Habitação (Cohab-MG) lhe garante R$ 1.500 mensais por integrar o Conselho de Administração. Segundo o órgão, os integrantes participam de “até uma reunião ordinária mensal”. A assessora está no conselho desde 2003 e no Senado desde agosto de 2011.
Questionado, Alencastro não se pronunciou. Heloísa Neves e Maria Aparecida disseram que não há irregularidade e que a documentação referente aos conselhos foi entregue ao Senado, sem objeções. A Casa não se pronunciou sobre o acúmulo de cargos.
Aécio informou, via assessoria, que não há vedação legal ou incompatibilidade entre as funções. Alegou que a acumulação indevida, prevista na Constituição, não se aplica a esses casos e que o STF, em medida cautelar, acolheu esse entendimento. Aécio disse que os funcionários cumprem carga horária regular no Senado.

Prefeitura de Novo Gama realiza Ação Comunitária neste sábado, 24, com atendimento médico

Doka entrega muda em Ação Comunitária na Escola Municipal do Residencial
Alvorada. Amanhã, será na Escola Municipal Ulysses Guimarães. As novas edições
da Ação Comunitária aconterão dias 14 e 28 de abril. (Foto: Rodrigo Cabral)


NOVO GAMA (GO), 23 de março de 2012 - O prefeito João de Assis Pacífico, o Doka (PSDB), e todo o seu secretariado e assessores, participam, neste sábado, 24, das 8 às 14 horas, na Escola Municipal Ulisses Guimarães, de Ação Comunitária promovida pela Prefeitura Municipal. Novas edições da Ação Comunitária estão programadas para 14 e 28 de abril, em locais diferentes. A última Ação Comunitária foi realizada na Escola Municipal do Residencial Alvorada, dia 10 de março, quando foram atendidos mais de mil moradores do município.

Na Ação do dia 10, a Secretaria de Administração e Finanças realizou atendimentos referentes à Junta do Serviço Militar, Banco do Povo e emissão de carteiras de identidade e de trabalho. A Secretaria de Ação Social e Trabalho fez atendimento relativos a corte de cabelos, CREAS, CRAS e Conselho Tutelar. A Secretaria de Saúde fez prevenção, aferição de pressão arterial e glicemia, e atendimento odontológico, com a participação da ONG Saúde até Você. A Secretaria de Educação, Desporto e Lazer atendeu a criançada com pintura de rosto. A Secretaria de Infraestrutura Urbana realizou operação tapa-buraco, roçagem, limpeza urbana, iluminação pública e retirada de entulho. A Secretaria de Meio Ambiente distribuiu mudas de ipê amarelo, mogno e outras, e a Secretaria de Agricultura fez a entrega de sementes. Já o Cartório Eleitoral emitiu título de eleitor e fez transferência de títulos.
GO-520 – Como parte da Ação Comunitária, dia 10, Doka fiscalizou, em torno das 11h30, tapagem de buracos na entrada do Residencial Alvorada. A tapagem de buracos vem sendo feita permanentemente, em todos os pontos da cidade. Dia 19, Doka participou, no auditório Hélio Martins Ribeiro, da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), em Goiânia, da assinatura da ordem de serviço, pelo governador Marconi Perillo (PSDB), para o recapeamento de mais de 60% das ruas de Novo Gama, já a partir deste mês, dentro do Programa Rodovida, do governo de Goiás. “Agora sai o asfaltamento de praticamente toda a cidade, além do alargamento, pavimentação e iluminação da GO-520, obra que já está em andamento” – comemorou Doka.
No mesmo dia, Doka se reuniu com diretores da Agetop e da JM Terraplenagem e Construções, empresa responsável pela duplicação da GO-520, a Rodovia Amarildo Meirelles, na rotina de acompanhamento que estabeleceu desde o início das obras, no dia 15 de fevereiro, com prazo para serem concluídas em fevereiro de 2013, ao custo de R$ 8,8 milhões.
O administrador das obras na GO-520, Ariel Monteiro, afirmou que à medida que forem surgindo demanda a JM Terraplenagem e Construções fará contratações no canteiro de obras, instalado na margem da rodovia, na altura do bairro Boa Vista, dando prioridade a moradores de Novo Gama, e que o aviso será feito por meio de editais publicados em jornais da região.
A rodovia, que liga o Novo Gama ao município de Luziânia, é a única via utilizada no transporte coletivo de moradores de vários bairros com destino ao centro da cidade, à Brasília e às cidades da região. Sua pavimentação é aguardada há uma década e meia. Na primeira semana de governo, Marconi Perillo prometeu a Doka que a GO-520 seria a primeira grande obra no Entorno do Distrito Federal. “O governador está cumprindo sua promessa” – disse Doka. Segundo a Agência Goiana de Transporte e Obras (Agetop), serão alargados para 9,5 metros, pavimentados e urbanizados 5 quilômetros de extensão da rodovia.

Via Sacra está com inscrições abertas

As inscrições para participar da décima segunda edição da Via Sacra de Novo Gama estão abertas, e podem ser feitas na Divisão de Cultura da Secretaria de Educação, Desportos e Lazer, que funciona no Ginásio de Esportes Marcelo Viana, Área Central 1000, telefone (61) 3628-7968. A Via Sacra acontecerá na Sexta-Feira da Paixão, 6 de abril, a partir das 16 horas, no Morro Santo, no bairro Lago Azul. Pede-se aos participantes levarem vela.
A apresentação da Via Sacra de Novo Gama, hoje, a maior do Entorno do Distrito Federal, teve início em 2001. Ano passado, o Morro Santo reuniu público estimado em 20 mil pessoas. A encenação é feita por cerca de 200 atores, que fazem o papel de Jesus Cristo, Maria, os doze apóstolos, Pilatos, Herodes, Caifás, soldados e outros.
Via Sacra, ou Via Crúcis (do latim Via Crucis, caminho da cruz), simboliza o caminho que Jesus Cristo percorreu do Pretório de Pilatos até o monte Calvário, compreendendo 14 estações, etapas, ou passos, cada uma das quais apresentando uma cena da Paixão. Quando associado à Via Crucis, Jesus é especialmente venerado sob o nome de Nosso Senhor dos Passos.
A lembrança teatral da Via Sacra teve origem na época das Cruzadas (do século XI ao século XIII), quando os fiéis percorriam na Terra Santa os lugares sagrados da Paixão de Cristo. Essa peregrinação (chamada de Via Dolorosa, em Jerusalém) começou a ser reproduzida no Ocidente e o número de estações foi sendo definido paulatinamente, chegando à forma atual.
Em Novo Gama, as 14 estações foram acrescidas de 5 etapas: Nascimento de Jesus Cristo, Batismo, Santa Ceia, Traição e Julgamento. Seguem-se as 14 estações tradicionais:
1 - Estação: Jesus é condenado à morte.
2 - Estação: Jesus carrega a cruz nas costas.
3 - Estação: Jesus cai pela primeira vez.
4 - Estação: Jesus encontra sua mãe, Maria.
5 - Estação: Simão Cirineu ajuda Jesus.
6 - Estação: Verônica limpa o rosto de Jesus.
7 - Estação: Jesus cai pela segunda vez.
8 - Estação: Jesus encontra as mulheres de Jerusalém.
9 - Estação: Terceira queda de Jesus.
10 - Estação: Jesus é despojado de suas vestes.
11 - Estação: Jesus é pregado na cruz.
12 - Estação: Jesus morre na cruz.
13 - Estação: Jesus morto nos braços de sua mãe, Maria.
14 - Estação: Jesus é sepultado.

Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Novo Gama, com informações da Wikipédia

quarta-feira, 21 de março de 2012

Museu dos Correios expõe gravuras de grandes artistas. Como Goya pintaria certos políticos brasileiros?



RAY CUNHA
raycunha@gmail.com


BRASÍLIA, 21 de março de 2012 – O Museu Nacional dos Correios expõe Mestres da Gravura, coleção da Fundação Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro), de terça-feira a domingo, das 10 às 19 horas, até 22 de abril, no Setor Comercial Sul (SCS), Quadra 4, Bloco A, Edifício Apolo. Quem for de ônibus poderá descer defronte ao shopping Pátio Brasil, no início da Avenida W3 Sul. Amanhã, às 19 horas, haverá visita guiada. Vale a pena. As duas salas do museu são meio frias e a música ambiente um pouco alta, mas sempre clássica, nada que se compare às livrarias da cidade, onde o sistema de som toca, alto, o tempo todo, uma sequência interminável de berros, e geralmente em inglês, com raríssimas exceções.
Firulas. Porque o que importa, aqui, é o trabalho dos expositores. Gravuras são como, digamos, a fotografia antes da fotografia. Sua matriz pode ser em pedra, madeira ou metal (como o prelo do alemão Johannes Gutenberg - 1398-1468), ou até mesmo um predecessor do daguerreótipo do francês Louis-Jacques-Mandé Daguerre (1787-1851). Pode-se reproduzir cópias até a matriz se desgastar. No Brasil, Oswaldo Goeldi (1895-1961) é um dos gravuristas mais incensados.
A mostra perpassa a Europa renascentista e iluminista dos séculos XV ao XVIII. São 171 joias. Destacam-se, entre 81 gravadores, o holandês Rembrandt Hermenszonn Van Rijn (1600-1669) e o espanhol Francisco José Goya Y Lucientes (1746-1828). Verdadeira reportagem sobre a velha Europa. Mas é de Goya que quero falar um pouquinho.
Goya foi precursor do expressionismo, escola pictórica que, no Brasil atual, tem em Olivar Cunha, pintor nascido em Macapá, na Amazônia, um dos mais talentosos representantes, bem como o gaúcho Giovane Bellinazo, que vive em Brasília (ou no Rio Grande do Sul). Goya viveu na Espanha dos séculos XVIII e XIV, tempos de Inquisição, pestes, guerras eternas e totalitarismo. Quem desagradasse o rei perdia a cabeça, literalmente. No entanto, Goya pintava até reis como eles eram; e eles, os reis, engoliam o que Goya pintava. Impressionante! Hoje, Julian Froid, que morreu não faz muito tempo, pintava como Goya.
A realidade é uma dama fluida, enganosa como um pântano, e sempre fugaz. O pintor expressionista, além de captar os momentos fugazes da realidade, tem o poder de lhe dar eternidade; no caso do artista plástico, por meio de traços que se movimentam para sempre. Se Goya fosse incumbido de pintar certos políticos brasileiros, encheria a galeria dos Correios com um zoológico perigosíssimo: ratos, escorpiões, serpentes, jacarés, dragões-de-komodo, dendrobatídeos, Crocuta crocuta... em pele de cordeiro.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Estão metendo a mão, rindo, no bolso de trás das nossas calças, até o rego!



RAY CUNHA
raycunha@gmail.com


BRASÍLIA, 19 de março de 2012 – O notório Agaciel da Silva Maia, 54 anos, paraibano, é agora investigado pelo Ministério Público do Distrito Federal e pela Polícia Civil, por grilagem. Agaciel ficou famoso no Brasil porque foi flagrado como executor dos atos secretos do Senado Federal, presidido pelo maranhense Zé Sarney, que, ao lado de Lula, comanda o Partido dos Trabalhadores e Movimento Democrático Brasileiro, PTMDB, confraria que caminha para se transformar em Movimento Democrático Brasileiro e Partido dos Trabalhadores (MDBPT). Depois do flagrante, Agaciel se elegeu deputado distrital por um certo Partido Trabalhista Cristão (PTC), com 14.073 votos. Funcionário do Senado Federal desde 1977, onde começou como datilógrafo, foi alçado a diretor geral, já formado em economia pela Universidade Católica de Brasília, em 1995, pelo então (e ora) presidente do Senado, Zé Sarney. Era chamado de o octogésimo segundo senador, tal o poder que acumulou em 14 anos no cargo. Em 2009, uma sindicância interna encontrou 663 atos não publicados, que tratavam de criação de cargos, contratação e exoneração de parentes de senadores, fantasmas, assistência odontológica e psicológica vitalícia a cônjuges de ex-parlamentares etc., durante mais de 10 anos, em benefício próprio dos senadores e funcionários. Agaciel Maia foi exonerado do cargo, mas não perdeu o emprego e conservou sua mansão de R$ 5 milhões.

Eleito para uma das 24 vagas da Câmara Legislativa, em outubro de 2010, foi logo escolhido, pelos seus pares, com aval do governador Agnelo Queiroz (PTMDB, para presidir nada menos do que a Comissão de Economia, Orçamento e Finanças. Afinal, Agaciel era aluno de Zé Sarney. “A população legitimou o seu mandato com expressiva votação" - lembrou o deputado Chico Vigilante (PTMDB). "Não pleiteei o cargo, os colegas me escolheram livremente pelo meu perfil de economista e especialista em orçamento" –argumentou Agaciel. O orçamento de 2011 do DF foi de R$ 19 bilhões.

Agaciel é acusado de ser mandante de invasões em São Sebastião, cidade a 26 quilômetros do Plano Piloto e base eleitoral dele. Depoimentos de invasores de um terreno público, obtidos pelo jornal O Estado de São Paulo, mostram que Agaciel é suspeito de incitar a grilagem. Na Câmara Legislativa, ele apresentou projeto de lei regularizando áreas invadidas, incluindo condomínios de luxo. Se forem legalizadas, renderão uma fábula. No início deste ano, 38 pessoas foram presas na área, que pertence à Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap). No despacho de prisão, o juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Eduardo Smidt Verona, observou que os grileiros agem com a certeza de que, invadida a área, o governo do DF providencia sua regularização. Agaciel convenceu Agnelo a criar a Secretaria de Condomínios, só para regularização de terras. Também é autor de emendas duplicando o acesso aos condomínios.

Agaciel disse ao Estado que nunca invadiu coisa alguma. Ele é réu em apenas duas ações de improbidade administrativa, na Justiça Federal em Brasília. Uma, apura seu envolvimento na ocultação dos atos secretos; a outra, investiga sua participação na assinatura de 10 contratos para a prestação de serviços de publicidade sem licitação, entre 2005 e 2008.

ZÉ SARNEY E LULA BATEM PONTO – “Sarney não pode ser tratado como pessoa comum” - determinou Lula, do Casaquistão, quando o escândalo dos atos secretos enlameou o Senado da República, em junho de 2009. Lula passou 8 anos visitando ditadores e abrindo comércio entre o Brasil e o Quarto Mundo. Ele criticou o “processo de denuncismo” e afirmou que não sabia a quem interessava enfraquecer o Legislativo. No dia anterior, Zé Sarney, com discurso de poeta seiscentista (é autor de Marimbondos de Fogo), esquivou-se da responsabilidade pela criação secreta de cargos e nomeação de parentes, embora conhecido praticante de nepotismo e de patrimonialismo, tendo se tornado o maior patrimonialista do país, abaixo somente da família imperial, esta, por direito. Zé Sarney alegou que a responsabilidade era coletiva, dos senadores. E negou as acusações, afirmando que houve erro técnico, razão pela qual os atos não teriam sido revogados. A OAB lançou nota de repúdio aos atos secretos: “Mais que isso, repudia os termos do pronunciamento feito por seu presidente, José Sarney, da tribuna do Senado, quando procurou eximir-se de responsabilidades”. Na época, o Estado investigou e descobriu que Zé Sarney tinha pelo menos meia dúzia de parentes e aliados políticos nomeados por atos secretos.

O professor da Faculdade de Direito da UERJ, Gustavo Binenbojm, afirmou: “A não publicação é o caminho mais usado para a prática de improbidade administrativa. Evita o conhecimento da sociedade e dos órgãos de controle. Provavelmente foi este o objetivo”.

E HOJE? - Mesmo depois da lama de 2009, o empreguismo continua a todo pano. Levantamento realizado pelo jornal O Globo mostra que dos 81 senadores pelo menos 25 abrigam em seus escritórios em Brasília ou nos estados desde estudantes que moram fora do Brasil até médicos e advogados que passam o dia entre clínicas e tribunais. Fantasmas. Agripino Maia (DEM/RN), por exemplo, pagava mais de R$ 4 mil mensais em seu escritório político no Rio Grande do Norte para a estudante de medicina Gleika de Araújo Maia, sobrinha do deputado João Maia (PR-RN), que fazia estágio, em agosto de 2011, na Espanha. O notório Renan Calheiros (PMDB/AL) mantinha no seu gabinete, em 2011, a fisioterapeuta Patrícia de Moraes Souza Muniz Falcão, que trabalhava em duas clínicas, uma delas o Instituto Graça Calheiros, onde permanecia 40 horas semanais. Renan não abre mão da mulher de seu primo, o empresário Tito Uchôa, sócio do filho do senador, o deputado Renan Calheiros Filho, no Sistema Costa Dourada de Difusão. Segundo O Globo, Vânia Lins Uchôa Lopes teve de deixar um cargo na presidência do Senado, em 2009, acusada de ser fantasma, mas foi logo recontratada. No Rio Grande do Norte, o senador Paulo Davim (PV) paga R$ 8,1 mil para a cardiologista Carla Karini de Andrade Costa, sua sócia em uma clínica no estado. Esses são alguns exemplos da desfaçatez e certeza de impunidade.

E há os parlamentares que mordem o salário dos seus funcionários.

Em 2011, o Congresso Nacional custou R$ 6,2 bilhões. Só no Senado, são 8.905 funcionários para cuidar de 81 príncipes. Auditoria do Tribunal de Contas da União mostrou que, lá, 464 servidores ganham, desde 2009, acima R$ 24,5 mil, até R$ 46 mil. O site Congresso em Foco publicou a relação dos marajás, que processaram os jornalistas.

Mas no Brasil até vereador tem salário, e em muitas cidades são marajás. Essa não é uma prática na maioria dos mais de 200 países do planeta. É trabalho voluntário. No Brasil, recebem até verba para paletó. Nos 5.561 municípios brasileiros, os 60.267 vereadores custam R$ 4,8 bilhões.

GASTOS SECRETOS – Os gastos sigilosos do governo federal por meio do cartão corporativo – cuja natureza não pode ser divulgada “para garantia da segurança da sociedade e do Estado” –, entre 2009 e 2011, somam R$ 89,7 milhões, 44,1% apenas com cartões corporativos. Em 2011, os gastos secretos do cartão corporativo somaram R$ 29,9 milhões; em 2010, foram gastos R$ 32 milhões, e, em 2009, R$ 27,8 milhões. A Presidência da República foi o maior gastador nos três anos: R$ 48,5 milhões; R$ 16,5 milhões apenas em 2011.

MAIOR ROUBO DA HISTÓRIA - O ex-jogador e deputado federal Romário alertou, domingo 18, que a Copa do Mundo de 2014 se tornará o "maior roubo da história" do país, por conta dos políticos brasileiros. “Esta palhaçada vai piorar quando faltar um ano e meio para o Mundial. O pior está por vir porque o governo deixará que aconteçam as obras emergenciais, as que não precisam de licitações. Aí vai acontecer o maior roubo da história do Brasil" – disse o Baixinho no Facebook. “O governo engana o povo; a presidente Dilma Rousseffestá sendo enganada ou se deixa enganar quando afirma que a Copa será a melhor de todos os tempos.” O melhor jogador do mundo, em 1994, convidou os brasileiros a se manifestarem. Pela internet ou na Praça dos Três Poderes, Peixe?



Com Agências, Google e Wikipédia

sábado, 17 de março de 2012

Especialista em café, Antonello Monardo vai ministrar cursos para os alunos do UniCeub

Antonello Monardo montou a mais completa escola de
formação de barista em Brasília (Foto: Renato Mendes)


RAY CUNHA


BRASÍLIA, 17 de março de 2012 – É bastante fácil identificar a Rua Comercial 201/202 Sul, por causa da sede do Banco Central do Brasil, um dos edifícios mais altos de Brasília e com paredes externas em vidro fumê. Quem chega de ônibus, ou desce no ponto defronte ao Banco Central, no Eixinho Leste, ou na Avenida W3 Sul, atravessa a 302 e transpõe o Eixão pela passagem subterrânea, saindo defronte ao banco. A 201/202 Sul é um dos mais procurados redutos gastronômicos de Brasília. Entre as dezenas de restaurantes, quiosques, cafeterias e bares, pode-se ler, no Bloco B, Loja 9, da 201: Escola de Gastronomia de Brasília. É lá que o mais famoso barista da cidade, Antonello Monardo, ministrará, em abril, o quadragésimo nono curso de barista, tendo como assistente a barista Suleyne Shiratori e o garçom Andrés Antonio Ibarra Franco. No mesmo endereço, funciona o curso Parlando Italiano – Cantando, Mangiando, Viaggiando – o ensino de italiano por meio da sua cozinha, cultura e da própria Itália – berço da cultura ocidental.

Este ano, o Centro Universitário de Brasília (UniCeub) começou o curso tecnológico em Gastronomia, de 2 anos de duração. Antonello Monardo, que está fazendo o curso de Gastronomia, recebeu da diretoria do UniCeub uma incumbência inusitada: ministrar o curso de barismo para todos os alunos da instituição que queiram fazê-lo, o que vai ampliar consideravelmente o mercado de cafés finos em Brasília.

Antonello Monardo nasceu em 1960 (fundação de Brasília), em Reggio Calábria, antiga colônia da Grécia Clássica. Técnico em agrimensura, chegou ao Brasil em 1990, aos 36 anos. Começou vendendo maquinário de padaria e de café espresso, sorvete e tiramisú (sobremesa italiana de creme, café e chocolate). Em 1999, começou a vender café e máquinas da Segafredo Zanetti, líder mundial de café espresso. Em 2002, criou a marca Antonello Monardo Caffé Espresso e o curso de barista, em Brasília, onde vive desde 1992. Hoje, é delegado da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria, torrefador de café gourmet e especiais, ganhador da Medalha de Ouro do International Coffee Tasting 2008 e Maestro del Caffè pela Accademia Italiana Maestri del Caffè. Seu curso atrai alunos de todo o país.

O Brasil é o maior produtor de café do mundo, e produz os melhores cafés do planeta, do tipo arábica, especialmente no sul de Minas Gerais, devido ao clima tropical de altitude e o solo. Consome-me café, bebida composta de milhares de substâncias nutricionais e farmacêuticas, há pelo menos 1.300 anos, e, modernamente, há dois séculos, em todo o mundo, envolvendo, hoje, uma liturgia tão sofisticada quanto a do vinho. É onde entra profissionais como Antonello Monardo.

Barista é o profissional especializado em cafés especiais, de alta qualidade, com a tarefa de alcançar a xícara perfeita. Grande conhecedor de café, desde o cultivo da planta, beneficiamento do grão, processos de torra e moagem, até a extração da bebida em máquinas de espresso ou em outros métodos de preparo, é o barman, o sommelier do café.

A palavra espresso, praticada na Europa, vem do italiano e remete à “pressão”. Sua etimologia é do latim “expressus”, que significa “espremer”. Expresso, como também se diz no Brasil, dá a entender que se trata de café feito de forma rápida, entre 15 e 20 segundos. Espresso é extraído do pó por meio de água a 90 graus centígrados sob determinada pressão (tecnicamente, 900–1000 kPa, ou 9–10 atmosferas ou bars). Curto é a primeiro café que cai na xícara, até a metade; é encorpado, rico em substâncias aromáticas, gustativas e nutritivas. O restante quase só tem cafeína, daí porque espresso longo é mais “forte” do que curto, este, mais encorpado.

Você só encontrará barista em cafeterias sofisticadas. Já estive em cafeterias bonitinhas, onde a balconista (geralmente, nas cafeterias, são moças que atendem ao balcão) aparou um café longo, despejou meia xícara fora e o serviu a mim. Quando isso ocorre, sabedor de que não recebem o menor treinamento, porque, certamente, o dono do negócio pensa que curto é uma xícara sem transbordar, sempre explico rapidamente o conceito de café curto à balconista incauta. Mas, uma vez, fiquei de queixo caído. Eu morava em Valparaíso, cidade goiana na divisa com o Distrito Federal, e vi, numa lanchonete perto de casa, que haviam adquirido uma máquina de café espresso. Entrei e pedi um curto. A senhora que me atendeu encheu de café uma xícara de tamanho médio, que parecia uma tigela.

- É curto! – disse-lhe de novo.

- Menos do que isso é pouco demais. Eu gosto assim – ela respondeu, estendendo-me o que agora parecia-me uma chaleira.

Provei o café e quase o cuspi. Era um robusta forte como um soco no estômago. Paguei e me escafedi. (Com informações da Wikipédia)


SERVIÇO

49º Curso de Barista de Brasília
Na Monardo Gastronomia & Cultura
201 Sul – Bloco B – Loja 9 – Asa Sul – Brasília-DF
Sexta-feira, 13 de abril, das 19 às 22 horas, e sábado, 14, das 9 horas às 12h30 e das 14 horas às 17h30
Mais informações pelo telefone: (55-61) 3425-3566