segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

José Guilherme Merquior volta às livrarias, e Euler de França Belém volta à redação do Jornal Opção


O jornalista Euler
de França Belém
Euler de França Belém é editor do Jornal Opção, editorialmente o melhor de Goiás. O Popular, do grupo Jaime Câmara, uma espécie de Associados de Goiás, chega cedo às 246 cidades goianas, conta com sistema de classificados e com algumas dezenas de repórteres, por isso tem que ser o mais popular. Quanto a Euler de França Belém, é um dos jornalistas mais brilhantes de Goiás. Esteve afastado da redação do Opção, recuperando-se de estresse. Mas agora está de volta, e também na sua coluna, Imprensa. Aqui publicamos o último artigo de Euler. 


José Guilherme Merquior volta às livrarias


O intelectual e ensaísta
José Guilherme Merquior
EULER DE FRANÇA BELÉM
Para o Jornal Opção

O diplomata e ensaísta José Guilherme Merquior morreu com apenas 49 anos, em 1991, e sua obra, importantíssima, desapareceu do mercado. Alguns livros são disputados nos sebos, notadamente no Estante Virtual, e os preços não são convidativos. Na maioria das vezes, os leitores têm de se contentar com cópias mambembes. No espectro da direita às vezes “misturam” Merquior e o filósofo Olavo de Carvalho. O motivo é o de sempre: o primeiro não era e o segundo não é de esquerda. Merquior era um liberal clássico, dado a polêmicas duras, com, entre outros, Marilena Chauí, Carlos Henrique Escobar, Paulo Francis e Caetano Veloso. Certa vez, concedeu entrevista ao jornalista Bernardo Carvalho, hoje escritor consagrado no país e no exterior, e citou o poeta Metastasio (1698-1782). Saiu “metástase”, na Folha de S.Paulo, porque o ensaísta estava com câncer. Ele teve de fazer a correção. Olavo de Carvalho, embora tenha obra filosófica apontada como sólida, é mais militante, combatente e beira o ridículo com sua fama de “astrólogo”. Merquior, embora escrevesse em jornais com frequência, com profundidade e clareza raras no meio acadêmico, era mais refletivo, menos, digamos assim, “de” direita — tanto que, ao contrário de Olavo de Carvalho, mantinha interlocutores frequentes e empáticos no campo da esquerda, como o filósofo Leandro Konder (Glauber Rocha, que o admirava, pediu-lhe uma bolsa para estudar Oscar Wilde na Inglaterra). Entretanto, embora não fosse um direitista empedernido, sua obra, vinte anos depois de sua morte, praticamente foi retirada dos catálogos das editoras patropis. Um boicote silencioso e poderoso contra uma obra que tem a dizer, aqui e fora do país, pois Merquior analisava com rigor Michel Foucault e Jacques Derrida, antecipando algumas das críticas que são feitas hoje aos filósofos franceses. Agora, graças ao empenho da Editora É Realizações e do professor universitário e crítico literário João Cezar de Castro Rocha, sua vasta obra — 22 livros — voltará às livrarias brasileiras, possibilitando a reabertura do debate, mais maduro e distanciado, das ideias de um intelectual que deve ser chamado mais de filósofo do que de ensaísta (a obra será publicada integralmente até 2014, com a inclusão de “dois volumes adicionais” — um tributo daqueles que conviveram com Merquior e uma biografia do ensaísta-filósofo). Era também um crítico literário refinado, que, a despeito da enorme bibliografia que arrolava, lia de fato os livros examinados, como a poesia de Carlos Drummond de Andrade, e acrescentava suas próprias interpretações. Discordava em geral da bibliografia, desprovincianizando tanto a crítica quanto o objeto examinado.
Não deixa de ser sintomático de uma mania nacional — esconder (ou difamar) aquilo de que discordamos — que a notícia da “volta” de Merquior às livrarias tenha saído com destaque tão-somente no caderno “Sabático”, de O Estado de S.Paulo. A reportagem-comentário é de Antonio Gonçalves Filho, que cita o crítico Eduardo Portella. O ex-ministro da Educação diz que Merquior era “a mais fascinante máquina de pensar do Brasil pós-modernista — irreverente, agudo, sábio”. Não citado pelo Estadão, o filósofo e antropólogo Claude Lévi-Strauss ficou impressionado com o volume de leituras do brasileiro, sobretudo porque eram leituras assimiladas, deglutidas e questionadas. Merquior, entendeu Lévi-Strauss, não era um papagaio, um repetidor de ideias alheias. Muitos autores chegaram aos leitores brasileiros graças às suas críticas, em geral contundentes e perspicazes. O brasileiro dialogava de igual para igual com Foucault e Derrida, dos quais apontava, de modo implacável, as deficiências e, mesmo, exageros interpretativos.
Críticos brasileiros quase sempre têm um quê de tucanismo. Fazem a crítica e, em seguida, apontam aspectos supostamente positivos — para ficar bem com todo mundo, de escritores a editores. Merquior dizia o que pensava, porque pensava bem e com independência. Se examinasse a obra do filósofo esquerdista Leandro Konder, seu amigo e protegido na ditadura, apontava as insuficiências, mas, honesto, sugeria que tinha algum valor (penso completamente diferente: Konder é dos mais superficiais filósofos brasileiros). No geral, não havia ressalvas positivas. Era pau puro. Ao resenhar um livro fragílimo de Marilena Chauí notou que a filósofa da USP havia copiado trechos inteiros de uma obra do filósofo francês Claude Lefort. Em artigos duros, detalhistas, apontou o problema, mas sem as baixarias típicas do intelectual patropi. No lugar de assumir o plágio, Marilena Chauí, secundada por dois então aliados, Maria Sílvia de Carvalho Franco e Roberto Romano — que, felizmente, deixaram de ser papagaios da esquerda —, partiu para a desqualificação, sugerindo que Merquior era funcionário da ditadura, por ser diplomata e manter ligações com o ministro Leitão de Abreu. Não comprovou, porém, nenhuma ação de Merquior no sentido de fortalecer os traços autoritários da ditadura. Chauí, grande estudiosa da obra do filósofo Espinosa, aderiu à técnica do jornalista Paulo Francis, que dizia que ganhava o debate não o que argumentava melhor, e sim aquele que argumentava com mais charme e virulência. Pega em flagrante, Chauí socorreu-se com o filósofo Lefort, que, também de esquerda, protegeu a discípula. Inventaram uma farsa: o plágio não era plágio — e sim “filiação de pensamento”. Roberto Romano, filósofo respeitável e intelectual íntegro, deve morrer de vergonha por ter dado “cobertura” à trapaça. Merquior era tão decente que, durante o debate de mão única — só ele estava debatendo; os outros apenas atacavam-no, como suposto “esbirro” da ditadura —, não disse, nenhuma vez, que, na ditadura, ajudou a salvar vidas e a tirar pessoas do país. Um dos que foram ajudados é o filósofo marxista Leandro Konder. Curiosamente, ninguém apareceu para defender Merquior, nem mesmo os intelectuais que conhecem o mandrionismo das esquerdas.
Paulo Francis e Caetano Veloso passaram pelo crivo da pena ácida de Merquior. Francis era um polemista esplêndido e um vulgarizador da cultura notável. Como escritor, pertencia ao time reserva, sua imaginação literária, como não era forte, nutria-se muito mais de ideias e informações. Ele queria se tornar uma espécie de Thomas Mann brasileiro. No máximo, tornou-se um sub-Thomas Mann. Numa polêmica com Francis, Merquior escreveu que, depois dos romances Cabeça de Papel e Cabeça de Negro, o jornalista certamente escreveria “Cabeça de Vento”. Francis ficou irritadíssimo e o atacou com fúria, para, mais tarde, reconhecer que Merquior era original, corajoso e brilhante. No Brasil exige-se que o artista, como Caetano Veloso, se apresente como intelectual e dê opiniões sobre vários assuntos, quando deveria falar sobre aquilo que sabe fazer — cantar ou compor. Merquior, num tom apelativo, disse que Caetano era um “pseudointelectual de miolo mole”. O baiano, ao lado de Chico Buarque, pelo menos tem certo preparo intelectual, embora não fosse, é claro, páreo para o cultíssimo Merquior.
Entre os que admiravam Merquior estavam Lévi-Strauss, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e o eminente crítico literário Antonio Candido. Sua biblioteca, com livros lidos e anotados, tinha mais de 10 mil volumes. Tinha paixão por Espinoza e pela pintura de Poussin. Júlia Merquior assinala que o pai tinha um “humor perene”. Ela diz que a luta do filósofo “era contra ver as coisas de uma maneira só”. Antonio Gonçalves escreve que, “visto como um direitista pela esquerda, Merquior se definia como um liberal em economia, social-democrata em política e anarquista em cultura. Ele dizia que no Brasil há uma intelectualidade, mas não uma intelligentsia”.
Livros de Merquior que serão publicados em 2012 no Brasil:

1 — Razão do Poema (1965)
2 — Arte e Sociedade em Marcuse, Adorno e Benjamin (1969)
3 — Saudades do Carnaval (1972)
4 — Formalismo e Tradição Moderna (1974)
5 — As Ideias e as Formas (1981)
6 — O Elixir do Apocalipse (1983)
7 — De Anchieta a Euclides (1977)
8 — O Fantasma Romântico (1980)

sábado, 21 de janeiro de 2012

HUMOR/Sarney ganha Troféu Algemas de Ouro no Baile do Pega Ladrão!

O maranhense Zé Sarney (PTMDB), presidente do Senado Federal; Jaqueline
Roriz (PMN-DF), flagrada recebendo propina; e Zé Dirceu (PTMDB), chefe
da quadrilha do Mensalão, foram os mais vaiados no Baile do Pega Ladrão!



Brasília, 21 de janeiro de 2012 - O Troféu Algemas de Ouro de 2011 "consagrou" o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu (PT), e a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF). Os foliões que compareceram ao tradicional Clube dos Democráticos, na Lapa, para participar do Baile do Pega Ladrão!, realizado na madrugada de sexta-feira 20, no Rio, vaiaram entusiasticamente os vencedores da votação realizada no Facebook, que teve 7 mil eleitores.
Foram entregues as algemas de ouro, prata e bronze, respectivamente, a Sarney, que teve 59,5% dos votos, a Dirceu, com 18,8%, e à deputada Jaqueline Roriz, com 8,4%, filmada recebendo dinheiro de propina e que foi absolvida pela Câmara dos Deputados no ano passado.
O baile foi animado pelo conjunto vocal Anjos da Lua, de Eduardo Gallotti, que apresentou repertório inspirado na corrupção e na impunidade na política brasileira, como Se gritar pega ladrão!, de Bezerra da Silva; Pecado Capital, de Paulinho da Viola; Lama, de Mauro Duarte; Homenagem ao malandro, de Chico Buarque; Saco de feijão, de Francisco Santana; e Onde está a honestidade?, de Noel Rosa.
O Baile do Pega Ladrão! e o Troféu Algemas de Ouro foram organizados pelo Movimento 31 de Julho, que tem realizado atos contra a corrupção nos últimos meses. As iniciativas contaram com apoio de diversos movimentos do Rio e de outras cidades do País.
A proposta dos organizadores é manter a mobilização contra a corrupção e a impunidade mesmo neste período de festas e férias. O Movimento 31 de Julho planeja realizar um show na Zona Sul do Rio, depois do Carnaval, com a participação de artistas que apoiam a causa do combate à corrupção e à impunidade.
A agenda política dos grupos contra a corrupção inclui a realização de atos pela aplicação da Lei da Ficha Limpa nas eleições municipais deste ano; pela agilização do julgamento do Mensalão pelo STF; em solidariedade à ministra Eliana Calmon (CNJ); e em apoio à liberdade de Imprensa.


Nota do Editor deste DF-GOIÁS – Zona Metropolitana de Brasília: Não há nenhum Baile do Pega Ladrão! marcado em Brasília, muito menos na Esplanada dos Ministérios, ou no Congresso Nacional, ou na Praça dos Três Poderes.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Os idiotas, os ratos e as famílias atingidas pela tragédia óbvia ululante

Brasília, 17 de janeiro de 2012 – Até idiotas sabem que todo início de ano no Brasil chove forte e rios alagam, e que ratos de colarinho branco põem em movimento a indústria da cheia. Há também os políticos que não fazem nada e ficam jogando para a plateia. Sabem que no Brasil talvez menos de 1% lê, e que, portanto, o que disserem na televisão, que os acoitam, vira verdade para o povão. Assim, os ratos continuam se espojando na desgraça alheia. Entre os comentários veiculados na grande imprensa, um é emblemático: o artigo A idiotia no poder, que Augusto Nunes publicou segunda-feira 16 na sua coluna Direto ao Ponto, da Veja.com. Vamos a ele.

 
A idiotia no poder

AUGUSTO NUNES


Os idiotas estão por toda parte, avisou já no título o artigo aqui publicado em 21 de janeiro de 2011 e reproduzido na seção Vale Reprise. Depois de registrar no parágrafo de abertura que foi Nelson Rodrigues o primeiro a detectar, numa crônica do fim dos anos 60, “a ascensão espantosa e fulminante do idiota”, o texto trata do fenômeno que atingiu dimensões alarmantes no Brasil deste começo de século. No início do nono ano da Era da Mediocridade, cretinos fundamentais que antes se limitavam a babar na gravata se intrometem em assuntos que ignoram sem constrangimentos nem inibições. A idiotia está no poder.
Em junho passado, no jantar em homenagem ao octogésimo aniversário do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro Nelson Jobim evocou a mesma crônica de Nelson Rodrigues para repetir a essência do post. “O cronista dizia que, no seu tempo, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos”, discursou Jobim. “O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia.” Leitor da coluna, Jobim demorou seis meses para endossar o diagnóstico: a espécie em acelerada expansão está cada vez mais desenvolta e vai ganhando força no governo e na oposição, no Congresso, nos tribunais e na imprensa, na plateia que assiste à passagem do cortejo ou nos andores da procissão das nulidades.
Há exatamente um ano, ao fim de um passeio de helicóptero pela Região Serrana do Rio, Dilma Rousseff prometeu fazer o que Lula jurou ter feito em 2005, solidarizou-se com as famílias assassinadas pela incompetência do Planalto e do governo estadual e elogiou o comparsa Sérgio Cabral. O governador devolveu o elogio, agradeceu a Lula por oito anos de providências imaginárias e debitou o massacre premeditado na conta dos antecessores, de São Pedro, do imponderável e dos mortos.
Dois dias depois, ambos foram desmoralizados por Luiz Antonio Barreto de Castro, demissionário do cargo de secretário de Políticas e Programas do Ministério de Ciência e Tecnologia, durante uma audiência no Congresso. Ao lhe perguntarem que fim levaram as obras prometidas no verão anterior, o depoente encerrou a conversa fiada da dupla com seis palavras: “Falamos muito e não fizemos nada”. A oposição poderia ter usado a confissão de Barreto de Castro para interditar a reapresentação do espetáculo da inépcia da temporada de 2001. Preferiu fazer de conta que nem ouviu a frase. A idiotia é suprapartidária.
Mas há limites até para a cretinice, precisa aprender o governador Sérgio Cabral, que nesta segunda-feira (16) voltou a comparar o que houve na Região Serrana com a passagem do furacão Katrina por New Orleans em 27 de agosto de 2005. Se Nova Friburgo fosse atingida por um furacão de categoria 5, nível máximo na escala de Saffir-Simpson, não sobraria ninguém para contar a história. Se New Orleans fosse castigada por uma chuva torrencial de 20 horas, só morreriam os que resolvessem suicidar-se por afogamento. A menos que o prefeito da cidade fosse Sérgio Cabral: quem confunde temporal com furacão não precisa de mais que uma bomba de fabricação caseira para produzir outra Hiroshima.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Rato comum ataca no Congresso Nacional


RAY CUNHA
Rato mordeu uma funcionária do Senado
Federal. Na foto (Antônio Cruz/ABr) abaixo,
Sarney, presidente da casa


Pombos comuns, ou pombos domésticos (Columba livia), lembram políticos. Infestam o país do Oiapoque ao Chuí e não têm predador que os comam. No entorno da pastelaria Viçosa, na Rodoviária do Plano Piloto, centenas de pombos se misturam aos comensais, mendigos, pessoas que estão aguardando o Novo Gama e Pedregal, passantes, serventes, numa farra que lembra urubu nos lixões, ao som dos altos falantes da Rodoviária, que fazem uma barulhada infernal. São chamados de ratos de asas, porque hospedam dezenas de microrganismos danosos aos seres humanos, embora não haja registro de doença transmitida por pombo.

Mas acho que o animal que melhor simboliza mesmo os políticos é o rato, que come tudo o que encontra, inclusive verba para a compra de merenda escolar e de material que salvariam bebês em hospitais; transmitem a peste, pois infectam tudo em que botam as patas, pelagem, saliva, urina e fezes; escondem-se em labirintos; são tão nojentos quanto a conversa cancerosa de políticos; multiplicam-se rapidamente; e roubam pelo menos 50 bilhões de reais todos os anos.
A Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes, principalmente o Congresso Nacional, têm uma quantidade incrível de pombos comuns, e ratos comuns também. Outro dia, um rato mordeu uma funcionária do Senado Federal, na sala da Secretaria Geral da Mesa Diretora, presidida por Zé Sarney, o dos Atos Secretos, eleito senador vitalício pelos tucujus, de Macapá-AP. Sarney deve ter ordenado imediatamente uma desratização dos ratos comuns.
Segundo li de uma agência de notícias, no Senado também já foram encontrados escorpiões.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Governo petista espiona todo mundo


LUIZ SOLANO/O Repórter do Planalto


Nos meus 72 anos de idade e 57 de jornalista, cobrindo o Palácio do Planalto, ministérios militares, Congresso Nacional, nunca vi o Brasil numa situação tão vergonhosa como esta: órgãos públicos espionando a vida de brasileiros, nos molde da CIA, KGB e Abim (Agência Brasileira de Inteligência).

Pois bem, tudo começou com uma discussão no Fórum de São Paulo, que teve a presença de líderes como: Lula, Dilma Rousseff, José Dirceu, Tarso Genro, José Genoíno, e muitos outros que hoje estão no poder. Para os participantes do Fórum de São Paulo foi transmitido que a espionagem "oficial" é necessária para a consolidação de um governo de esquerda, no qual todo recurso para consolidá-lo deve se usado,   como aconteceu no Iraque, Líbia, Egito, México e Síria.

Com autorização da Justiça, hoje em crise, foram feito, em 2011, cerca de 195.270 grampos em linhas telefônicas em todo o País, inclusive a minha, além de 3.365 e-mails sendo fiscalizados e 11.494 linhas telefônicas que utilizam a internet para transmissão de voz, sistema conhecido como VOIP.
Quando eu era funcionária do governo do Distrito Federal, na época em que Cristovam Buarque exercia o mandato de governador, eleito pelo PT, Erenice Guerra montou um grande sistema de espionagem em uma sala, no governo de Brasília, e depois transferiu a parafernália para o Palácio do Planalto, quando assumiu a chefia da Casa Civil da Presidência da República. Hoje, esse sistema de espionagem funciona no Anexo II do Palácio do Planalto, com todos os blogs sendo monitorados por um grupo de "agentes" do PT, cujas notas são copiadas, analisadas e armazenadas em um banco de dados para consultas futuras.
Todo governo que se preza tem o seu sistema de informações, porém o que está acontecendo no Brasil é algo fora do comum, jamais visto na história deste país. É uma ditadura branca, que nos mete medo e nos assusta pelo que pode vir a acontecer, pois já está em pleno funcionamento. Nada escapa da sanha dos arapongas e espiões do PT.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A bacanal do Bode




Mario Vargas Llosa começou a ganhar o Nobel em 2000, quando publicou A festa do Bode (La fiesta del chivo, Alfaguara/Objetiva, Rio de Janeiro, 2011, 450 páginas), reportagem sobre a ditadura de Rafael Leónidas Trujillo Molina, o Bode, de 1930 a 1961, na República Dominicana, país que divide com o Haiti uma das ilhas do Mar do Caribe, Hispaniola, primeiro território americano a ser descoberto por Cristóvão Colombo. Se quiserem chamar A festa do Bode de romance, tudo bem. “Se o leitor preferir, considere este volume como um trabalho de ficção. Seja como for, ficção ou não, há sempre a possibilidade de que lance alguma luz sobre aquilo que foi escrito como matéria de fato” – escreveu Ernest Hemingway, no prólogo de Paris é uma Festa. O fato é que A festa do Bode disseca a mecânica da mente de um ditador, qualquer um deles. Basicamente, perseguem o poder absoluto, poder que, paradoxalmente, será sempre seu inferno pessoal.
Ditadores, e os que gostariam de sê-lo, têm em comum alguns traços: são, em potencial, populistas, nepotistas, patrimonialistas, mentirosos, profundamente covardes, ladrões, perversos, bestas crudelíssimas, torturadores, estupradores, assassinos, criaturas diabólicas. Como se diz em psicologia: psicopatas. Chegam ao poder porque são ousados, e maus, e porque se cercam de preguiçosos, ávidos por carniça, a quem alimentam, para se cercarem de zumbis dispostos a empalar a própria mãe por dinheiro.
A festa do Bode: “Ele a segurou pelo braço e deitou-a ao seu lado. Com movimentos de pernas e de cintura, montou sobre ela. Aquela massa de carne a esmagava, afundando-a no colchão; o bafo de conhaque e a raiva lhe davam náuseas. Sentia seus músculos e ossos sendo triturados, pulverizados. Mas nada disso impediu que notasse a rudeza daquela mão, daqueles dedos que exploravam, escavavam e entravam nela à força. Sentiu-se rachada, esfaqueada; um relâmpago percorreu seu corpo do cérebro aos pés. Gemeu, sentindo que ia morrer. “Grite, sua cadelinha, vamos ver se você aprende” – cuspiu a vozinha ferina e ofendida de Sua Excelência. “Agora, abra-se. Deixe eu ver se está furada mesmo, se você não está gritando só de farsante que é.”
Creio que foi em 2006 que visitei meu amigo Walmir Botelho, em Belém do Pará. Ele é um dos leitores mais sem limites que conheço. Recomendou-me que lesse A festa do Bode. Já em Brasília, procurei o livro de Llosa, mas estava esgotado. Llosa ganhou o Nobel ano passado e logo depois as livrarias exibiam montes de livros dele. Comprei A festa do Bode no dia 24 de dezembro de 2011 e terminei-o de ler, ontem, dia 11 de janeiro de 2012. Lia-o à noite, em casa, ou no ônibus a caminho do trabalho. Desde o início, não dormi mais direito, passando, às vezes, a noite em claro, ou entrecortada de pesadelos. Às vezes, lendo-o, eu era possuído de indignação, e também sentia meus olhos humedecerem.
A festa do Bode: “Quando o castraram, o fim estava próximo. Não cortaram os testículos com uma faca, mas com uma tesoura, enquanto estava sentado no Trono. Ouvia risos hiperexcitados e comentários obscenos, de uns sujeitos que eram apenas vozes e cheiros ácidos, de axilas e fumo barato. Não lhes deu o prazer de ouvi-lo gritar. Eles lhe enfiaram os testículos na boca, e ele os engoliu, desejando que tudo aquilo apressasse a sua morte, coisa que nunca imaginou que pudesse desejar tanto”.
Até onde vai meu conhecimento literário, vejo na Ibero-América três escritores realmente monumentais, que podem ser colocados lado a lado na prateleira dos grandes: o argentino Jorge Luis Borges, o colombiano Gabriel García Márquez e o peruano Mario Vargas Llosa. Borges, porque entendeu o que é espaço-tempo e transcendeu, na literatura, nosso grosseiro mundo físico; Gabo, porque pôs como ninguém no papel o que os europeus chamam de realismo fantástico, que é, tão somente, o Trópico; e Llosa porque é um construtor de catedrais.
A festa do Bode: “Duas ou três semanas depois, em vez do habitual prato fedorento de farinha de milho, trouxeram para o calabouço uma panela com pedaços de carne. Miguel Ángel Báez e Modesto quase engasgaram, comendo com as mãos até se fartar. Pouco depois, o carcereiro voltou a entrar. Olhou para Báez Díaz: o general Ramfis Trujillo queria saber se não lhe dava nojo comer o seu próprio filho. Do chão, Miguel Ángel o insultou: “Diga a esse filho da puta nojento que engula a língua e se envenene”. O carcereiro riu. Foi e voltou, mostrando pela porta uma cabeça juvenil que segurava pelos cabelos. Miguel Ángel Báez Díaz morreu horas depois, nos braços de Modesto, de um ataque cardíaco”.
A festa do Bode será sempre um alerta contra as ditaduras, como a de Hugo Chávez, que, juntamente com sua família, está roubando tudo dos venezuelanos. Mas por que essas serpentes não caem? Porque, como a metástase, contaminam quase todo o país, sobrevivendo do cadáver. Por isso é que não basta apenas eliminá-los - é necessário recomeçar tudo. O povo cubano, por exemplo, terá que enterrar, além dos ossos de Fidel Castro e quadrilha, também o “comunismo” cubano, que hoje é apenas nostalgia das viúvas. Ditaduras, sejam de esquerda (?) ou de direita (?), são uma coisa só: degradação humana.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Os patrimonialistas



Os ladrões de colarinho branco atingiram o máximo do cinismo. Cometem ladroagem à luz do dia. É desvio de verbas, fisiologismo selvagem, nepotismo que envolve até cachorro, corrupção nos três Poderes e em todos os escalões (as revistas semanais são verdadeiros cartórios desse tipo de registro), corrupção histórica (veja-se os casos do Mensalão e dos atos secretos no Senado Federal). E os honoráveis bandidos ainda são premiados. Roubar não escandaliza mais, da mesma forma que as crianças que moram nas ruas das grandes cidades, reais como uma pedrada na cara.
Bem, já que o Estado não resolve essas canalhices, quem as resolveriam? Linchar está fora de cogitação. O que fazer, então? Há duas maneiras de mudar essa situação: protestar, cada vez mais, com artigos na internet, e-mails, nas ruas etc., e procurando conscientizar o eleitor da sua cidadania.
O Brasil vem sendo depenado, e é necessário pôr um basta nisso. Tudo está ruindo. Nos aeroportos, vige a política da filósofa Marta Suplicy: relaxar e gozar, mesmo que os aviões comecem a cair em cima dos terminais de passageiros; as rodovias são corredores da morte; os portos funcionam pela metade; e os rios são poluídos por desmatamento, esgoto, lixão e dejeto industrial.
Segundo levantamento publicado por Veja, rouba-se no país pelo menos R$ 50 bilhões por ano, equivalentes à cerca de metade do Paraguai. O Brasil é a sétima economia mundial, mas, aqui, crianças morrem, aos magotes, de fome, ameba, giárdia, verme, malária, estupradas, curradas, ou, simplesmente, assassinadas. Principalmente indiozinhos, ou caboclos. Parece que o Brasil de colarinho branco não está nem aí para indiozinho e caboclo.
Mas deixemos os ladrões de lado. Vamos falar em quem trabalha. Há uma Esplanada deles. São príncipes do atual sistema político brasileiro, que tem no ditador Hugo Chávez sua inspiração. Um grande filósofo destepaíz denominou esses príncipes de seres acima do bem e do mal; podem fazer o que quiserem, inclusive levar o patrimonialismo ao paroxismo de anexar até um estado.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

CARTA/Um notável e patriótico trabalho

Luiz Solano - O Repórter do Planalto

MANOEL SORIANO NETO
Coronel, historiador militar e advogado


Quem, como eu, lê a prestigiosa coluna do Cláudio Humberto, observa a publicação de sueltos quase diários, da lavra do ilustre jornalista Luiz Solano - O Repórter do Planalto (colunista deste DF-GOIÁS – Zona Metropolitana de Brtasília). O insigne jornalista é meu confrade no Instituto Histórico e Geográfico do DF e na Academia de Letras e Artes do Planalto, de Luziânia (GO), e se caracteriza por seu adamantino caráter, por sua aguda inteligência, argúcia, competência e, principalmente, acendrado patriotismo, eis que desenvolve um verdadeiro apostolado cívico junto aos seus inúmeros leitores.
 Ele vem constantemente abordando sérios problemas nacionais, como, entre outros, os da política, das Forças Armadas e de nossa Amazônia. É exemplar a iterativa defesa que ele vem fazendo das Forças Armadas, hoje tão desaparelhadas, com os vencimentos aviltados de seus dedicados integrantes, ou seja, relegadas a plano secundário pelo governo. Igualmente, Luiz Solano vem defendendo a Soberania Nacional, hoje ameaçada máxime em nossa internacionalmente cobiçada Amazônia, onde já se fala em fracionamento do Brasil, em face de presumível criação futura de "nações indígenas", em especial nas colossais reservas indígenas como as existentes no estado de Roraima. Diga-se que o bravo jornalista foi, recentemente, um dos mais aguerridos batalhadores contra a divisão do Pará, sua terra natal.
Não apenas por tudo isso, Luiz Solano é um baluarte do patriotismo, que honra a Imprensa brasileira!
Aqui ficam registrados os meus cumprimentos pela benemérita e contínua ação desse dileto amigo e grande jornalista!

sábado, 7 de janeiro de 2012

Brasília em janeiro


RAY CUNHA
raycunha@gmail.com


Qualquer cidade é única, mas Brasília é a mais singular de todas. Lúcio Costa, o urbanista que a tracejou no Cerrado, disse que suas vias seguem curvas femininas. Mas as cidades são como mulheres porque guardam mistérios que só podemos desvendar caminhando nas suas ruas, mergulhando nos seus subterrâneos, subindo a seus terraços mais altos; nas mulheres, percorremos insondáveis abismos. E quanto mais nos perdemos nesses labirintos mais as amamos. Oscar Niemeyer completou o equívoco de Lúcio Costa. Afirmou que ergueria uma cidade comunista. Com efeito, Brasília é feita de monumentos e guetos. A cidade mais moderna do mundo é uma sucata de concreto, e absolutamente corrompida.

Em janeiro, Brasília morre um pouco. Suas manhãs são sonolentas e as noites, burocráticas. A cidade renasce em março, quando as estudantes enchem as ruas de rosas, as noites guardam surpresas inesgotáveis e os ladrões estão mais assanhados do que nunca na Casa dos Horrores. Em janeiro, restam os shoppings, catedrais de luxúria, livrarias, cafés, restaurantes, mulheres que de tão bonitas parecem irreais.

Já não ouvimos falar no operário deslumbrado pelo poder e mitômano – por isso mesmo perigoso -, nem no patrimonialista da Casa dos Horrores. O povo fica cada vez mais como os franceses de 1789. No Rio de Janeiro e em São Paulo, que são o Brasil de ponta, as águas de março se antecipam na sua rotina anual e desmascaram governantes incompetentes. No Brasil profundo o tempo permanece parado.

Além do meu jardim, que explode em rosas, e de mangueiras grávidas de mangas lindas como seios, e além do quarto, entrego-me ao meu mundo secreto, prenhe de prazeres e de morte. Trabalho num romance com páginas perigosas, no qual se movem personagens sinistras como Cara de Catarro e Boca de Sacola, mas que não andam simplesmente atrás de vasos marajoaras recheados de cocaína, nem de diamantes, estão atrás de verbas para obras públicas, de merenda escolar e de cabides de empregos.

Agora, as cidades contam também com os blogueiros. Há blogueiro para tudo. Os blogueiros são a desgraça dos honoráveis bandidos, dos governadores e prefeitos capazes de furtar, ou, se for o caso, assaltar a própria mãe, metendo-lhe um facão, se houver necessidade. Os blogueiros são como os franceses de 1789; são, muitas vezes, jornalistas na verdadeira acepção do termo, pois desmascaram os honoráveis bandidos em plena bacanal.

Logo virá o Carnaval. Brasília morre também um pouco no Carnaval. Depois, as ruas voltam ao seu movimento habitual, e só então Brasília se assemelha um pouco a uma cidade brasileira. Fica mais barulhenta, mais cheia de lixo, de buracos, de carros. Porém voltam a desabrochar nas ruas, nos subterrâneos, nos shoppings, as rosas de março.

Crônica publicada em 18 de janeiro de 2011

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

2012

Desde 2003, o estado brasileiro escorrega para dentro de um abismo de lama, e quanto mais longe for esta situação mais se assemelhará a uma bomba atômica quando for acionado o freio (porque o freio será acionado). A corrupção perpassa e se acama em todas as camadas da sociedade brasileira, e se tornou normal. O povão não sabe o que está acontecendo, pois acredita em qualquer mentira que qualquer vagabundo de colarinho branco afirme. Para o povão, autoridade é como príncipe. Rouba-se por ano, no país, pelo menos R$ 50 bilhões, e ninguém devolve nada. Os corruptos poderosos estão currando o povão brasileiro sem sequer cuspir; o povão está satisfeito com a bolsa...

Durante os 8 anos de governo (1995-2002), Fernando Henrique Cardoso, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), pôs ordem no país, tirando-o de uma hiperinflação a criando marco regulatório para coibir a corrupção e visando ao desenvolvimento do país. Mas o PSDB, partido cheio de caixinhas-de-pose, se implodiu, e Lula, fundador do PTMDB, reina absoluto desde 2003, agora em governo títere, de olho em 2014, visando ficar até 2022, elegendo, então, José Dirceu. Essa tese é hilária, mas do jeito que as coisas vão tem tudo para dar certo.

O trabalhador brasileiro trabalha cada vez mais para sustentar instituições inúteis, como o Senado, por exemplo. Para que serve um senador? Dizem que os senadores representam as unidades da Federação. É mesmo? Não há símbolo melhor para caracterizar o Senado do que seu presidente, o maranhense Zé Sarney. A doença que mais mata crianças no Maranhão é fome. Zé Sarney anexou o Amapá ao Maranhão, e há amapaense que beija a mão de Zé. Égua!

Só em 2011, tramitaram 4 mil projetos no Congresso Nacional. Quase todos são inacreditáveis, de tão oportunistas, ou estúpidos mesmo. Atualmente, no Congresso dos Estados Unidos, se houver duas dezenas de projetos tramitando é muito. Mas lá há o voto distrital. Se o parlamentar for vagabundo, leva um chute na bunda; se for ladrão, é preso.

O fato é que a situação no Brasil está ficando igual a de Águas Lindas de Goiás, na Zona Metropolitana de Brasília. Trata-se de uma cidade com mais de 150 mil habitantes, sem esgoto e onde se mata mais do que no Iraque. A propósito, as tropas americanas estão deixando o Iraque, mas a guerra não acabou. Bush, aquele ex-presidente americano com olhinhos de jacaré, invadiu o Iraque mentindo como ministro brasileiro. Mentira de autoridade gera tragédias, às vezes, como o assassinato de crianças, que morrem de fome ou estupradas na rua. Voltando a Águas Lindas de Goiás, de vez em quando a população toca fogo em alguns ônibus. Lá, como nas outras cidades goianos do Entorno do Distrito Federal, o transporte público é pior do que o de Brasília, atualmente “governada” por Agnelo Queiroz (PTMDB), freguês da seção de polícia das revistas semanais.

No Brasil, o grande negócio é ser autoridade, mesmo que seja vereador em um grotão. O sujeito passou fome braba na infância e cresce com a ideia de se tornar autoridade para tirar a barriga da miséria, empregar toda a família, incluindo o cachorro, ficar milionário e conseguir uma ilha. Aqui, um só bandido de colarinho branco rouba centenas de milhões de reais, sequer é preso, não devolve o dinheiro, e continua a badalar em sociedade, juntamente com outros mafiosos, familiares, capangas, puxa-sacos e lambe-botas.

Nos Estados Unidos, quando não se consegue dar jeito num gangster, o que é que se faz com ele?