domingo, 31 de julho de 2011

Apesar do PT

Nem o aparelhamento do Estado e da
sociedade, a que o PT vem se dedicando ferozmente, desde 2003, fará com que
o Brasil pare de se desenvolver, graças
à sua mestiçagem e espiritualidade.
Em resumo, foi isso o que o intelectual,
jornalista e escritor Ruy Fabiano
disse em entrevista ao DF-GOIÁS

RAY CUNHA
raycunha@gmail.com

Ruy Fabiano é daqueles jornalistas fundamentais para se entender o Brasil. Sintoma disso é que outro jornalista, Ricardo Noblat, responsável pela premiada internacionalmente transformação editorial e gráfica pela qual passou o maior jornal da capital do país, o Correio Braziliense, na década de 1990, e hoje colunista de O Globo, publica religiosamente todos os sábados artigo de Ruy Fabiano no seu blog, que é o mais lido do país. Esses artigos são verdadeiros bisturis, que vão até o osso na análise do que está acontecendo no âmbito político do país, desmascarando a dissimulação dos camaleões que se agarram com os beiços à farta teta do poder, a qualquer custo.

Ruy Fabiano é carioca e começou a trabalhar como jornalista em 1972, exercendo também a crítica musical. Em 1979, mudou-se para Brasília e passou a se dedicar ao jornalismo político, trabalhando para o Correio Braziliense e para a Agência Estado. É também escritor, autor do romance Profanação (Editora A Girafa, São Paulo, 2005, 253 páginas), ambientado em Brasília, e do livro de contos Os Arquivos de Deus (Editora Novo Século, São Paulo, 2008, 209 páginas).

Fui me encontrar com Ruy Fabiano na casa dele, no Lago Norte, península com formato de bota no Lago Paranoá. A casa do grande intelectual é nova, como tudo em Brasília (que tem muita coisa sucateada, como o sistema viário, o transporte público, os sistemas educacional, de saúde e de segurança pública, a Universidade de Brasília, a rodoviária do Plano Piloto... a lista é grande), mas por dentro conserva a atmosfera de um casarão antigo, especialmente a biblioteca, que é o escritório de Ruy Fabiano e onde ele me recebeu na manhã de 28 de março, uma quinta-feira.

O Brasil é singular no mundo. É a natureza mais pujante do planeta em recursos naturais e condições climáticas, mestiço, espiritualista e cada vez mais rico, apesar dos políticos. Mas nesse cenário o PT, e Lula, não poderão se sustentar mais por muito tempo. Foi isso, de forma sintética, o que disse Ruy Fabiano na entrevista que se segue.

O sistema político brasileiro faliu?

A palavra falir não se aplica, porque pressupõe que em algum momento o sistema político brasileiro teve alguma performance. Ele é disfuncional. O presidencialismo de coalizão é um híbrido que não funcionou. É um monstrengo, porque a Constituição de 1988 foi elaborada tendo em vista o sistema parlamentarista de governo. Mário Covas era o mais entusiasta disso aí e organizou tudo nessa direção. Estava lá também o Fernando Henrique, esse povo todo, querendo o parlamentarismo no Brasil. A certa altura o presidente Sarney disse que não queria ser a rainha Elizabeth. Eu lembro perfeitamente dessa frase dele. O grupo chamado Centrão, que não tinha interesse na área de organização política, mas tinha interesse na área econômica, de não permitir que o país adotasse um perfil socialista, se mobilizou para derrubar iniciativas esquerdizantes na Constituição, e acabou fazendo o jogo do governo Sarney de demolir o parlamentarismo. Só que fizeram uma demolição pela metade. Instrumentos como as medidas provisórias foram inspiradas do modelo italiano, parlamentarista. A medida provisória dá ao Executivo o poder de legislar, sumariamente. Só que no regime parlamentarista o poder executivo é o poder legislativo, mas no regime presidencialista, não. Temos um sistema em que o Executivo legisla e a última palavra é do Legislativo. Se ele derrubar os vetos do presidente, o presidente não governa, o que torna o Congresso um ambiente de negócios.

O ex-presidente Lula já afirmou que é candidato a presidente em 2014. Se ganhar, poderá radicalizar o aparelhamento do Estado, que ele começou em 2003 e que continua até hoje, e instalar uma ditadura nos moldes da de Hugo Chávez na Venezuela, que é o que Lula sempre almejou, manifestando isso com a simpatia, nos seus oito anos de mandato, a ditadores mundo afora, especialmente Fidel Castro, o mais longevo do mundo. As instituições brasileiras estariam maduras para impedir uma ditadura?

Falar, hoje, em 2014, é muito arriscado, porque a rapidez com que as mudanças têm ocorrido, no Brasil e no mundo, não autoriza que se faça um prognóstico de tão longo prazo. Contudo, o Estado brasileiro já está aparelhado. Não só o Estado, a própria sociedade civil está aparelhada. Por exemplo: as entidades associativas, de classe, sindicatos, organizações como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a ABI (Associação Brasileira de Imprensa), tudo isso aí já está aparelhado partidariamente. A UNE, União Nacional dos Estudantes, que sempre se notabilizou por ser uma instituição independente, por ser composta de jovens ainda não contaminados por interesses corporativos, por ser composta de pessoas que tinham uma rebeldia congênita e um papel no cenário político, acabou. Hoje, a UNE faz parte do PCdoB, que é uma célula do governo, da estrutura de poder do PT. Precisamos ver como isso estará até 2014, porque nós não sabemos do cenário econômico, do cenário internacional, e tudo isso provoca uma ebulição muito grande. Lula está fazendo um mero jogo de especulação. Ele tem um capital eleitoral grande junto às massas, que elegem, mas influem pouco na governabilidade. As duas eleições de que ele participou e a da sucessora dele, Dilma Rousseff, foram eleições muito disputadas e em nenhuma delas ele teve uma vitória no primeiro turno, uma vitória massacrante. Se contabilizarmos o universo de eleitores que exerce influência pós-eleitoral, pelo nível de renda, pelo nível intelectual, vai-se perceber que Lula é muito questionado nesse âmbito. E ele ainda lida com um dado complicado: se o governo Dilma for mal sucedido, ele será sempre apontado como o que deixou a herança maldita; se o governo Dilma for bem sucedido, ela terá a possibilidade legítima de postular a reeleição.

Você acredita que o Mensalão realmente será julgado no Supremo Tribunal Federal (STF)?

Não tem como não ser. Agora, tem como diluir isso aí. Os protagonistas do primeiro escalão podem conseguir atenuantes. Mas, de qualquer forma, os 39 restantes já são pessoas fora do cenário político. A figura mais importante é o José Dirceu (ex-chefe da Casa Civil da presidência da República e tido como chefe do Mensalão), que não ocupa nenhum cargo no Estado. José Dirceu é hoje uma pessoa da iniciativa privada. A gente sabe que ele é ainda uma peça-chave dentro do PT, exerce uma liderança muito grande, mas institucionalmente ele já está fora do jogo, não é ministro, não é deputado, não é nada. Então, se ele for condenado, isso será visto como uma coisa menor, à margem do processo político. Se ele for absolvido, aí ele volta com força.

Faça uma avaliação do homem, do político e ex-presidente Lula.

Lula é uma figura ímpar na história da política brasileira. Não é o único político que veio de uma origem pobre. O Juscelino (Kubitschek) teve origem muito humilde. E há outros políticos que não nasceram em berço de ouro. O que diferencia Lula desses personagens é que ele manteve os sinais exteriores da origem dele, e cultivou esses sinais, inclusive a condição de iletrado, e fazia até brincadeira com isso. Lula é um sujeito muito inteligente. Assim como se diz que existe ouvido musical, existe o ouvido político, e Lula tem ouvido absoluto nessa área. Ele capta as coisas e sabe jogar para o público dele. Ele é realmente um talento político. Agora, ele tem um projeto pessoal de poder e se associou a uma série de forças políticas com as quais não se sente efetivamente comprometido. Ele já disse mais de uma vez que não é socialista e que não é comunista. Desde o tempo em que liderava sindicatos ele fazia muito claramente distinção entre interesses da classe trabalhadora, de estudantes, acadêmicos, socialistas, intelectuais, mas se juntou a esse universo todo para chegar aonde ele chegou. Ele tem uma capacidade enorme como político, mas não tem consistência para ter duração muito grande nesse cenário. Acho que a História vai tratá-lo com menos condescendência do que a Fernando Henrique. O resgate do Fernando Henrique, depois de toda a desconstrução que o Lula fez dele, mostra que FHC tem uma consistência maior. E Lula vai enfrentar um período de desconstrução da sua imagem ao longo do governo Dilma, porque, se o governo for mal, a desconstrução será inevitável e espontânea; se for bem, vai haver uma desconstrução política para que ela prossiga.

Se você tivesse que selecionar um item vital para o desenvolvimento do Brasil, qual seria?

O Brasil precisa se organizar politicamente, porque é a política que organiza o resto. Esse quesito, eu acho que é básico; o restante não é preciso organizar porque a ação econômica se dá espontaneamente. A própria sociedade tem energias criadoras. A bagunça política gera danos terríveis, inclusive na escala de valores da população.

Mas como se organizar politicamente?

O Brasil fez uma Constituição num momento muito confuso da sua história. Estava saindo de 20 anos de um regime militar, que organizou uma conjuntura da Guerra Fria, com polaridade ideológica, que se rompeu a certa altura, e nesse momento de rompimento – a queda do Muro de Berlim – o Brasil fez sua constituinte com uma agenda ainda da Guerra Fria. A ditadura aprisionou demandas da sociedade por muito tempo e quando isso acabou houve uma enxurrada de reivindicações, delírios, ilusões, e tudo isso foi para a Constituição, que regulava até taxa de juro. Era como querer regular a temperatura da atmosfera pela lei. Uma Constituição muito cheia de detalhismo; tem um capítulo de legislação trabalhista que parece uma CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Tudo isso é problemático, engessa o país. Penso que a solução para o Brasil seria uma nova constituinte. 

Isso só será possível com uma grande pressão da sociedade, não?

A sociedade não acredita mais na política. Para mobilizar a sociedade para uma constituinte seria preciso que a mídia estivesse de acordo com essa tese, mas a mídia teme essa tese, porque hoje é controlada por grupos econômicos, que têm muitos outros interesses. Não embarcarão numa coisa que é uma porta de entrada que ninguém sabe como será a saída. A constituinte é como uma guerra: sabe-se como começa e não como termina, nem o estrago que causa. O que pode haver são arremedos, como criar uma constituinte congressual, por meio de iniciativas do próprio Congresso, e não por uma mobilização da sociedade.

Isso quer dizer que só nos resta o potencial econômico para levar o país ao desenvolvimento. Os políticos representariam o caos.

Dizia-se, antigamente, que o Brasil cresce de noite porque o governo está dormindo. Esse princípio tem fundamente. O Brasil é um país com algumas peculiaridades que só há aqui mesmo. É um país multicultural, com um processo de miscigenação numa escala que não ocorre em parte alguma do planeta. No Brasil não existe guerra étnica e não existe guerra religiosa, que são dois tipos de conflitos insolúveis. Guerra étnica, por exemplo, vimos entre sérvios e croatas, chechenos e russos, palestinos e israelenses – um não pode ver o outro, matam mesmo, e vão criando um contencioso recíproco que não tem fim. Isso não tem aqui. Quanto ao racismo, é um sentimento individual que há em toda parte. O Brasil é mestiço; a mestiçagem vai diluindo as raças e com isso o racismo, e aqui qualquer manifestação racista é punida até com excessivo rigor. Quem manifestar alguma contrariedade nesse assunto vai preso, não tem fiança e o crime não prescreve. É um negócio duro demais, desproporcional ao delito. Até por assassinato se consegue fiança. Então, o Brasil tem este patrimônio, de ser um país que não tem contencioso político grave com nenhum vizinho; tem um potencial de biodiversidade, de recursos naturais, único – é a maior extensão territorial de terras agricultáveis do mundo -, e tem sol e safra o ano inteiro. São condições que a natureza ofereceu. E o Brasil tem atraído a atenção do mundo exatamente porque é receptivo a todos. Com todas as limitações – estamos às voltas com apagão de mão de obra tecnológica -, o Brasil já é o sétimo PIB (Produto Interno Bruto) e até o final da década se prevê que ele seja o quinto, isso sem levar em conta que existe uma economia informal enorme, que se avalia que seja metade da economia formal. O Brasil está saindo do estado de ser puramente um país com potencialidade para começar a realizar essa potencialidade. Está só no começo. O país acontecerá até por uma fatalidade, uma predisposição do destino, que faz tudo convergir para cá.

O que você acha das cotas étnicas?

Acho uma bobagem, um disparate, num país mestiço se falar em cota étnica. Que etnia? Eu mesmo não sei qual é a minha etnia, porque a minha família tem gente de várias nacionalidades. Cotas criam um problema, que é racializar a crise brasileira, tentando-se criar grupos étnicos que não se sustentam. Por exemplo: no movimento negro 90% são mulatos. O mulato é o branco com o negro. Então, por que a opção pelo negro e não pelo branco? Teve o caso, emblemático, que aconteceu na Universidade de Brasília (UnB), de dois gêmeos que foram se submeter ao sistema de cotas. Um, foi considerado negro e o outro, não. Não sei se isto é positivo, mas pode-se tentar criar cotas sociais, no sentido de se facilitar o acesso social, porém não vejo sentido em acesso racial.

Ajude a resolver uma equação. Como você classificaria o governo petista: fascista ou comunista?

Por enquanto, nem uma coisa, nem outra. Ele é confuso, porque o PT se submeteu a uma mutação ao longo do tempo. O PT surgiu daquele movimento sindicalista do ABC paulista no tempo do regime militar, e o discurso da época era de um sindicalismo diferente do varguista, do pelego. Lula era contra imposto sindical. Então parecia uma coisa moderna. Aquilo atraiu a universidade brasileira e houve a aproximação com os intelectuais. Aí o PT adquiriu um viés socialista e se desenvolveu assim, absorvendo o meio artístico e ganhando espaço como crítico da conduta ética dos políticos, acenando com um mundo diferente quando chegasse lá. Chegou, e pôs em prática tudo o que condenou ao longo da caminhada para chegar ao poder. Aí então entrou o viés que chamam de pragmático: não adianta brigar com essa realidade porque ela é assim mesmo; então vamos usá-la para fazer o que é preciso fazer, as transformações sociais, distribuir renda. Até os instrumentos que eles passaram a usar para fazer isso eram os que eles consideravam negativos, assistencialistas, o Bolsa Família, todo o sistema de bolsas, que foi estabelecido no governo anterior (de Fernando Henrique Cardoso) e que eles consideravam manipulação do Estado. Mas usaram. Chegaram ao poder e, como todo mundo que chega, quer ficar. Então, o PT está num processo de mutação, foi uma coisa, se tornou outra, mais outra e no poder se tornou um partido de viés conservador e na economia já começa a mostrar um viés que o aproxima do fascismo, porque o controle da economia pelo Estado, hoje, é óbvio, inclusive o controle das empresas. Eu tenho uma expectativa de preocupação com relação a isso. 

Como ocorre, hoje, o colonialismo europeu e norte-americano no Brasil?

O colonialismo é ainda cultural. Tudo o que compõe a grande mídia, em que entra, além dos jornais, o cinema, a música, a televisão, a internet, tudo isso aí estabeleceu um neocolonialismo. Porém na minha geração, que hoje está com 50 anos, tinha a presença maciça da música norte-americana, inglesa, mas você tinha também uma música popular brasileira também forte, havia um equilíbrio. Isso aí hoje não há. A geração dos meus filhos, toda, fala inglês, como uma segunda língua e em alguns casos como se fosse a primeira. Isso não acontecia na nossa geração. Poucos falavam inglês. Acho que houve um avanço nisso aí. Mas não sei aonde isso vai dar.

Então esse colonialismo seria positivo?

Eu acho que não. Acho que a cultura brasileira tem coisas muito ricas e que não vão ser colonizadas. É inevitável que no sistema de globalização a comunicação circule de uma maneira intensa, mas existe também uma coisa que vai daqui para lá. Por exemplo: Portugal se queixa da colonização brasileira, e ela de fato existe, as novelas, a música, tudo isso tem uma presença muito forte no cenário português. Agora, o que prevalece é realmente a cultura anglo-saxônica.

Qual seria o verdadeiro embrião da identidade brasileira?

O Brasil é um país que ainda está criando uma identidade, a qual vai sair dessa civilização multicultural miscigenada. Nós não sabemos ainda que país vai resultar disso tudo, mas tem coisas que estão surgindo aí e que ainda não têm uma visibilidade maior que vão marcar essa civilização brasileira mais adiante, pois a gente percebe que os elementos dessa miscigenação cultural são muito ricos. Mas este momento é muito confuso para identificar cultura no mundo, quanto mais no Brasil. A Europa está vivendo uma invasão islâmica, que gera confusão e produz de vez em quando tragédias como a da Noruega, quando alguém não se conforma com o que está acontecendo, alguém que tem uma imagem europeia do passado ideal e que vê que não está presente mais, e aí resolve criar os bodes expiatórios e sai matando. Ao se industrializar, a cultura, pop, massificante, perdeu muito da sua substância. O referencial de religiosidade, de espiritualidade, se diluiu, com a própria secularização das igrejas; elas viraram instituições de poder e perderam a perspectiva do sobrenatural, do transcendental, que elas ofereciam. Esse referencial desapareceu, e não há nenhuma civilização que não tenha surgido a partir de uma religião. A Europa é o fruto maior da civilização cristã. A cristandade construiu a Europa. As pessoas viajam para lá para ver castelos, catedrais, igrejas, tudo fruto do cristianismo. No fim do Império Romano formaram-se feudos e quem organizou e administrou esses feudos foram os padres, que exerciam até função de Estado. Esses feudos se transformaram em nações e, depois do embate com os islâmicos, no tempo de Carlos Magno, a Europa cristã prevaleceu sobre os muçulmanos. Agora, a Europa abdicou do cristianismo. A constituição da União Europeia não menciona nada dessa raiz cristã, diz que a Europa é fruto da civilização grega, da Antiguidade Clássica e da Renascença. É por aí, pela espiritualidade, que o Brasil pode vir a oferecer alguma coisa.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Festival do Alho, Batata e Cebola de Cristalina ocorrerá de 19 a 21 de agosto

O terceiro Festival do Alho, Batata e Cebola de Cristalina – ABC da Boa Mesa será realizado de 19 a 21 de agosto, na Praça da Liberdade, promovido pela Associação Nacional de Produtores de Alho (Anapa), Associação Brasileira da Batata (Abba) e produtores de cebola do Entorno, com apoio da prefeitura local. A expectativa dos organizadores é receber aproximadamente 15 mil pessoas nos três dias de evento, que terá entrada franca.

A infraestrutura do Festival será ampliada em relação a 2010, e contará com Feira Institucional para exposição de máquinas e equipamentos. Restaurantes participantes do evento oferecerão o cardápio Muito Sabor entre Três Amores, com pratos para almoço e jantar a preço único de R$ 13 por pessoa. Serão também organizados cinco espaços para comercialização de alimentos e bebidas: Armazém do ABC, Empório, Bar, Choperia e a Estação das Fritas.
Para estimular oportunidades de desenvolvimento profissional serão ministradas, durante o Festival, oficinas gastronômicas conceituais com teoria e prática por meio de palestras, preparação de receita e degustação, dirigidas para quatro segmentos de público: merendeiras, profissionais do setor de alimentação, pessoas da comunidade e produtores da agricultura familiar.
Também será realizada a Cozinha Show, com chefs convidados e participação especial do humorista Nerso da Capitinga, além de shows com atrações de Cristalina, como o violeiro Almir Pessoa e a dupla Roni & Ricardo. (Fonte: Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Cristalina)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Vereadores de Luziânia se empenham pela emancipação do Jardim Ingá

Vereadores Professora Edna e Padre Hildo: pela emancipação do jardim Ingá
Luziânia (GO), 25 de julho de 2011 - A vereadora Professora Edna e o vereador Padre Hildo, ambos do PMN de Luziânia, participaram de seminário, dia 15 de junho, na Câmara Federal, juntamente com deputados federais e estaduais, prefeitos e o vice-governador do Ceará, Domingos Filho (PMDB), no qual foi discutida a criação de novos municípios. Eles lutam pela emancipação do Jardim Ingá, populoso distrito de Luziânia, com aproximadamente 90 mil habitantes.

Está pronta para ser votada no plenário da Câmara proposta de lei complementar (PLP 604/2010) que define como deve ser a criação de novos municípios. Pela proposta do deputado Vitor Penido, do DEM de Minas Gerais, as novas cidades teriam que ter pelo menos 10 mil habitantes e o município original no mínimo 500 mil. Desde 1996, o processo de criação de novos municípios foi interrompido depois que uma emenda constitucional condicionou a legislação estadual a uma regulamentação federal.

Com o projeto de Vitor Penido tramitam, juntas, 20 propostas. De acordo com o deputado, a regra anterior resultou em excessos como cidades com apenas 800 habitantes e prefeituras com 400 funcionários em municípios de 3 mil habitantes. Vitor Penido afirma que a situação acaba gerando corrupção: "Obras que são financiadas pelo governo federal sem nenhum tipo de fiscalização, em que o município já consumiu R$ 500 mil ou R$ 600 mil para fazer uma creche e não tem nem alicerce. O empreiteiro levou o dinheiro. Porque é município pequeno, não tem fiscalização, não tem assessoria e acaba o dinheiro se perdendo".

O presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkosky, lembra que a nova lei terá que prever plebiscitos prévios com toda a população da área envolvida e estudos de viabilidade econômica. Ele afirma que há urgência na votação do projeto de regulamentação: "Verdade é que, se ela não for apreciada este ano e entrar em vigor, provavelmente nenhum município será criado ano que vem, que é um ano de eleição. Nós temos um levantamento na entidade que aponta uma possibilidade nas assembleias legislativas de 810 pedidos de criação de novos municípios no Brasil".

Segundo Ziulkosky, alguns municípios de Roraima enfrentam distâncias de 400 quilômetros entre um distrito e outro. O país tem hoje 5.565 municípios. (Da Redação, com Rádio Câmara)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Marconi Perillo propõe à Dilma Roussef PAC para o Entorno (ele agora acredita na empacada criação de Lula)

O governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo (foto), propôs à presidente Dilma Rousseff (PT) a criação de um Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) específico para a região do Entorno do Distrito Federal. A proposta foi apresentada dia 17, durante reunião com a presidente no Palácio do Planalto, junto com os demais governadores do Centro-Oeste. A presidente designou dois ministérios para tratar da criação de um projeto para o Entorno, em conjunto com os governos de Goiás e do DF.

Marconi defende a criação de um PAC abrangendo as áreas da segurança pública, saúde, educação, transporte e saneamento, por meio de parcerias entre a União, o estado de Goiás, o Distrito Federal e prefeituras do Entorno.

“A presidente reconheceu os problemas vividos pela população da região, chegando a classificá-la como a nova Baixada Fluminense do Brasil, e se comprometeu a colocar sua equipe para a criação de uma proposta de PAC” - disse o governador, ao frisar que a região precisa ser acudida, enquanto é tempo, em todas as áreas, principalmente de saúde, educação e segurança pública. “Se tivermos um planejamento estratégico para o Entorno de Brasília, em parceria com prefeituras, o governo de Goiás e do Distrito Federal (Cerca de 500 mil moradores do Entorno trabalham em Brasília), em médio espaço de tempo esses problemas, que parecem insanáveis, terão solução.”

De acordo com dados do Ministério da Justiça, 314 pessoas foram assassinadas nos municípios vizinhos ao DF somente no primeiro semestre deste ano.

Contudo, tanto Marconi Perillo como Dilma Roussef jogam para a plateia. A solução para o Entorno, uma das regiões mais violentas deste violento país, não está nas mãos da União, que não fez nada, exceto alojar a Força Nacional para duelar com os chefões do tráfico de drogas na região, e agora mesmo é que não fará, pois Lula gastou em excesso e deixou o caixa baixo. A solução para o Entorno também não está nas mãos do governo do Distrito Federal, que não tem competência nem para resolver os problemas distritais. A solução está nas mãos de Marconi Perillo mesmo.

Na campanha, ano passado, ele afirmou que construiria no Entorno Sul um polo industrial de alta tecnologia e um aeroporto internacional, que instalaria campus da Universidade do Estado de Goiás (UEG) em todas as cidades goianas do Entorno, e que sediaria subsecretarias de Educação e Segurança provavelmente em Luziânia, que é a maior cidade do Entorno. Porém Marconi sumiu. (Com Agências)

sábado, 16 de julho de 2011

Por que o brasileiro não se indigna e não vai à praça protestar contra a corrupção?

O jornalista Reinaldo Azevedo é fundamental para se entender o Brasil, agora. O blog do DF-GOIÁS publica o artigo que se segue na esperança de que os moradores do Entorno, do Distrito Federal e do estado de Goiás, em especial, e leitores deste blog de um modo geral, entendam como o PT, comandado por Lula, aparelhou o Estado e privatizou a mente da massa popular, comprando, por exemplo, movimentos, antes legítimos, como a União Nacional dos Estudantes (UNE).


REINALDO AZEVEDO
Para seu blog


São Paulo, 13 de julho de 2011 - Juan Arias, correspondente do jornal espanhol El País no Brasil, escreveu no dia 7 um artigo indagando onde estão os indignados do Brasil. Por que não ocupam as praças para protestar contra a corrupção e os desmandos? Não saberiam os brasileiros reagir à hipocrisia e à falta de ética dos políticos? Será mesmo este um país cujo povo tem uma índole de tal sorte pacífica que se contentaria com tão pouco? Publiquei a íntegra de seu texto, afirmando que ensaiaria uma resposta, até porque a indagação de Arias, um excelente jornalista, é procedente e toca, entendo, numa questão essencial dos dias que correm. A resposta não é simples nem linear. Há vários fatores distintos que se conjugam. Vamos lá.

Povo privatizado - O “povo” não está nas ruas, meu caro Juan, porque foi privatizado pelo PT. Note que recorro àquele expediente detestável de pôr aspas na palavra “povo” para indicar que o sentido não é bem o usual, o corriqueiro, aquele de dicionário. Até porque este escriba não acredita no “povo” como ente de valor abstrato, que se materializa na massa na rua. Eu acredito em “povos” dentro de um povo, em correntes de opinião, em militância, em grupos organizados — e pouco importa se o que os mobiliza é o Facebook, o Twitter, o megafone ou o sino de uma igreja. Não existe movimento popular espontâneo. Essa é uma das tolices da esquerda de matriz anarquista, que o bolchevismo e o fascismo se encarregaram de desmoralizar a seu tempo. O “povo na rua” será sempre o “povo na rua mobilizado por alguém”. Numa anotação à margem: é isso o que me faz ver com reserva crítica — o que não quer dizer necessariamente “desagrado” — a dita “Primavera Árabe”. Alguém convoca os “povos”.

No Brasil, as esquerdas, os petistas em particular, desde a redemocratização, têm uma espécie de monopólio da praça. Disse Castro Alves: “A praça é do povo como o céu é do condor”. Disse Caetano Veloso: “A praça é do povo como o céu é do avião” (era um otimista; acreditava na modernização do Bananão). Disse Lula: “A praça é do povo como o povo é do PT”. Sim, responderei ao longo do texto por que os não petistas não vão às ruas quase nunca.

O “povo” não está nas ruas, meu caro Juan Arias, porque o PT compra, por exemplo, o MST com o dinheiro que repassa a suas entidades não exatamente para fazer reforma agrária, mas para manter ativo o próprio aparelho político — às vezes crítico ao governo, mas sempre unido numa disputa eleitoral. Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Haddad, ministro da Educação e candidato in pectore do Apedeuta à Prefeitura de São Paulo, estarão neste 13 de julho no 52º Congresso da UNE. Os míticos estudantes não estão nas ruas porque empenhados em seus protestos a favor. Você tem ciência, meu caro Juan, de algum outro país do mundo em que se fazem protestos a favor do governo? Talvez na Espanha fascista que seus pais conheceram, felizmente vencida pela democracia. Certamente na Cuba comuno-fascistóide dos irmãos Castro e na tirania síria. E no Brasil. Por quê?

Porque a UNE é hoje uma repartição pública alimentada com milhões de reais pelo lulo-petismo. Foi comprada pelo governo por quase R$ 50 milhões. Nesse período, esses patriotas, meu caro Juan, se mobilizaram, por exemplo, contra o “Provão”, depois chamado de Enade, o exame que avalia a qualidade das universidades, mas não moveram uma palha contra o esbulho que significa, NA FORMA COMO EXISTE, o ProUni, um programa que já transferiu bilhões às mantenedoras privadas de ensino, sem que exista a exigência da qualidade. Não se esqueça de que a UNE, durante o mensalão, foi uma das entidades que protestaram contra o que a canalha chamou “golpe da mídia”. Vale dizer: a entidade saiu em defesa de Delúbio Soares, de José Dirceu, de Marcos Valério e companhia. Um de seus ex-presidentes e então um dos líderes das manifestações que resultaram na queda de Fernando Collor é hoje senador pelo PT do Rio e defensor estridente dos malfeitos do PT. Apontá-los, segundo o agora conservador Lindbergh Farias, é coisa de conspiração das “elites”. Os antigos caras-pintadas têm hoje é a cara suja; os antigos caras-pintadas se converteram em verdadeiros caras-de-pau.

Centrais sindicais - O que alguns chamam “povo”, Juan, chegaram, sim, a protestar em passado nem tão distante, no governo FHC. Lá estava, por exemplo, a sempre vigilante CUT. Foi à rua contra o Plano Real. E o Plano Real era uma coisa boa. Foi à rua contra a Lei de Responsabilidade Fiscal. E a Lei de Responsabilidade Fiscal era uma coisa boa. Foi à rua contra as privatizações. E as privatizações eram uma coisa boa.  Saiba, Juan, que o PT votou contra até o Fundef, que era um fundo que destinava mais recursos ao ensino fundamental. E onde estão hoje a CUT e as demais centrais sindicais?

Penduradas no poder. Boa parte dos quadros dos governos Lula e Dilma vem do sindicalismo — inclusive o ministro que é âncora dupla da atual gestão: Paulo Bernardo (Comunicações), casado com Gleisi Hoffmann (Casa Civil). O indecoroso Imposto Sindical, cobrado compulsoriamente dos trabalhadores, sejam sindicalizados ou não, alimenta as entidades sindicais e as centrais, que não são obrigadas a prestar contas dos milhões que recebem por ano. Lula vetou o expediente legal que as obrigava a submeter esses gastos ao Tribunal de Contas da União. Os valentes afirmaram, e o Apedeuta concordou, que isso feria a autonomia das entidades, que não se lembraram, no entanto, de serem autônomas na hora de receber dinheiro de um imposto.

Há um pouco mais, Juan. Nas centrais, especialmente na CUT, os sindicatos dos empregados das estatais têm um peso fundamental, e eles são hoje os donos e gestores dos bilionários fundos de pensão manipulados pelo governo para encabrestar o capital privado ou se associar a ele — sempre depende do grau de rebeldia ou de “bonomia” do empresariado.

O MST, A UNE E OS SINDICATOS NÃO ESTÃO NAS RUAS CONTRA A CORRUPÇÃO, MEU CARO JUAN, PORQUE SÃO SÓCIOS MUITO BEM-REMUNERADOS DESSA CORRUPÇÃO. E fornecem, se necessário, a mão-de-obra para o serviço sujo em favor do governo e do PT. NÃO SE ESQUEÇA DE QUE A CÚPULA DOS ALOPRADOS PERTENCIA TODA ELA À CUT. Não se esqueça de que Delúbio Soares, o próprio, veio da… CUT!

Isso explica tudo? Ainda não!

Ao longo dos quase nove anos de poder petista, Juan, a sociedade brasileira ficou mais fraca, e o estado ficou mais forte; não foi ela que o tornou mais transparente; foi ele que a tornou mais opaca. Em vez de se aperfeiçoarem os mecanismos de controle desse estado, foi esse estado que encabrestou entidades da sociedade civil, engajando-as em sua pauta. Até a antes sempre vigilante Ordem dos Advogados do Brasil flerta frequentemente com o mau direito — e o STF não menos — em nome do “progresso”. O petismo fez das agências reguladoras meras repartições partidárias, destruindo-lhes o caráter.

Enfraqueceram-se enormemente os fundamentos de uma sociedade aberta, democrática, plural. Em nome da diversidade, da igualdade e do pluralismo, busca-se liquidar o debate. A Marcha para Jesus, citada por você, à diferença do que querem muitos, é uma das poucas expressões do país plural que existe de fato, mas que parece não existir, por exemplo, na imprensa. À diferença do que pretendem muitos, os evangélicos são um fator de progresso do Brasil — se aceitarmos, então, que a diversidade é um valor a ser preservado.

Por que digo isso? Olhe para a sua Espanha, Juan, tão saudavelmente dividida, vá lá, entre “progressistas” e “conservadores” — para usar duas palavras bastante genéricas —, entre aqueles mais à esquerda e aqueles mais à direita, entre os que falam em nome de uma herança socialista e mais intervencionista, e os que se pronunciam em favor do liberalismo e do individualismo. Assim é, você há de convir, em todo o mundo democrático.

Veja que coisa, meu caro: você conhece alguma grande democracia do mundo que, à moda brasileira, só congregue partidos que falam uma linguagem de esquerda? Pouco importa, Juan, se sabem direito o que dizem e são ou não sinceros em sua convicção. O que é relevante é o fato de que, no fim das contas, todos convergem com uma mesma escolha: mais estado e menos indivíduo; mais controle e menos liberdade individual. Como pode, meu caro Juan, o principal partido de oposição no Brasil pensar, no fim das contas, que o problema do PT é de gestão, não de valores? Você consegue se lembrar, insisto, de alguma grande democracia do mundo em que a palavra “direita” virou sinônimo de palavrão? Nem na Espanha que superou décadas de franquismo.

Imprensa - Se você não conhece democracia como a nossa, Juan, saiba que, com as exceções que confirmam a regra, também não há imprensa como a nossa no mundo democrático no que concerne aos valores ideológicos. Vivemos sob uma quase ditadura de opinião. Não que ela deixe de noticiar os desmandos — dois ministros do governo Dilma caíram, é bom deixar claro, porque o jornalismo fez o seu trabalho. Mas lembre-se: nesta parte do texto, trato de valores.

Tome como exemplo o Código Florestal. Um dia você conte em seu jornal que o Brasil tem 851 milhões de hectares. Apenas 27% são ocupados pela agricultura e pela pecuária; 0,2% estão com as cidades e com as obras de infraestrutura. A agricultura ocupa 59,8 milhões (7% do total); as terras indígenas, 107,6 milhões (12,6%). Que país construiu a agropecuária mais competitiva do mundo e abrigou 200 milhões de pessoas em apenas 27,2% de seu território, incluindo aí todas as obras de infraestrutura? Tais números, no entanto — do IBGE, do Ibama, do Incra e da Funai — são omitidos dos leitores (e do mundo) em nome da causa!

A crítica na imprensa foi esmagada pelo engajamento; não se formam nem se alimentam valores de contestação ao statu quo — que hoje, ora veja!, é petista. Por quê? Porque a imprensa de viés realmente liberal é minoritária no Brasil. Dá-se enorme visibilidade aos movimentos de esquerdistas, mas se ignoram as manifestações em favor do estado de direito e da legalidade. Curiosamente, somos, sim, um dos países mais desiguais do mundo, que está se tornando especialista em formar líderes que lutam… contra a desigualdade. Entendeu a ironia?

Quem vai à rua? - Ora, Juan, quem vai, então, à rua? Os esquerdistas estão se fartando na lambança do governismo, e aqueles que não comungam de suas ideias e que lastimam a corrupção e os desmandos praticamente inexistem para a opinião pública. Quando se manifestam, são tratados como párias. Ou não é verdade que a imprensa trata com entusiasmo os milhões da parada gay, mas com evidente descaso a marcha dos evangélicos? A simples movimentação de algumas lideranças de um bairro de classe média para discutir a localização de uma estação de metro é tratada por boa parte da imprensa como um movimento contra o… “povo”.

As esquerdas dos chamados movimentos sociais estão, sim, engajadas, mas em defender o governo e seus malfeitos. Afirmam abertamente que tudo não passa de uma conspiração contra os movimentos populares. As esquerdas infiltradas na imprensa demonizam toda e qualquer reação de caráter legalista — ou que não comungue de seus valores ditos “progressistas” — como expressão não de um pensamento diferente, divergente, mas como manifestação de atraso.

Descrevi, meu caro Juan, o que vejo. Isso tem de ser necessariamente assim? Acho que não! A quem cabe, então, organizar a reação contra a passividade e a naturalização do escândalo, na qual se empenha hoje o PT? Essa indagação merecerá resposta num outro texto, que este já vai longe.

Do seu colega brasileiro Reinaldo Azevedo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Júnior do Friboi quer ser candidato a governador

Executivo da multinacional JBS-Friboi se filia ao PSB de olho no governo de Goiás, em 2014


Júnior do Friboi manda no PSB do estado de Goiás
O PSB conseguiu um apoio que pode ser medido em arrobas. Dia 8, o empresário José Batista Júnior, mais conhecido como Júnior do Friboi, assinou a ficha de filiação da legenda, como vice-presidente nacional do partido, no Oliveiras Place, em Goiânia, na presença de aproximadamente 500 pessoas, inclusive  do govenador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, e do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT). Agora, os socialistas têm em suas trincheiras o sócio da maior multinacional do ramo de carne bovina do mundo.

Em comunicado enviado à imprensa, Eduardo Campos destacou que “o PSB cresce com a entrada de um quadro com a densidade e a qualidade de Júnior do Friboi”. O governador ainda reforçou as metas de seu partido. “Estamos nos estruturando para crescer nas próximas eleições. Queremos eleger de 10 a 12 prefeitos de capital e mostrar que a população brasileira reconhece os valores que estamos agregando e consolidado na administração publica” - disse.

O novo filiado foi só afagos ao seu líder político a partir de agora. “Ouvi-lo e conhecer os grandes avanços que seu governo vem construindo em Pernambuco me convenceram que o PSB é o partido em que me sinto em casa e ao qual quero pertencer e ajudar a crescer” - declarou Júnior do Friboi.

O integrante do Conselho de Administração do JBS-Friboi filiou-se ao PSB com o objetivo de estruturar o partido em Goiás e em 2014 se lançar candidato a governador do Estado. "Tenho todos os direitos de governar este estado, como goiano que sou. Se esse for o desejo público, estou pronto" - expressou. "Fizemos entendimento para que em 2012 possamos ajudar o PSB a aumentar sua participação política no Estado e depois fazer um trabalho para viabilizar minha candidatura a governador" - afirmou Júnior.

Dono de uma das maiores fortunas do país, ele foi convidado pelo governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, para ingressar no partido, exercer a presidência regional e nomear 70% da executiva goiana. "O PSB não prega um socialismo radical. É um socialismo democrático. Quando se fala em socialismo se pensa naquela coisa de esquerda, de louco. No PSB, em todos os estados não existe nada disso. É um partido de todos" - disse.

Segundo ele, a dicotomia entre esquerda e direita é cada vez menor no Brasil, na medida em que o país obtém avanços sociais e econômicos. "Conforme melhoramos e ampliamos nossos programas sociais, habitacionais, tecnológicos, isso vai mudando o conceito da política brasileira. A população vê o que é bom e o que não é bom. Diminui o cabresto eleitoral, o coronelismo."

Será o terceiro partido ao qual ele se filia. Ficou no PSDB entre 2005 e 2007, a convite do governador Marconi Perillo (GO). Desfiliou-se em seguida para uma temporada nos Estados Unidos após a JBS comprar a Swift, na época a terceira maior processadora de carne daquele país. Retornou ao Brasil e, em 2009, por sugestão de Marconi, filiou-se ao PTB, partido que estava sob a órbita do tucano no Estado, mas que em nível nacional integrava a base aliada do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tentou, então, viabilizar, já em 2010 uma candidatura ao governo estadual, sem sucesso. Agora, vislumbra essa possibilidade para daqui a três anos.

Até lá, contudo, não deve fazer oposição a Marconi. "O PSB transita entre todos aqui, até pelo tamanho dele no Estado. Não temos estrutura ainda para fazer oposição" - disse. No entanto, em 2012, afirma que a legenda deverá apoiar a candidatura do PT à prefeitura de Goiânia.

Sobre eventual conflito de interesses entre sua empresa e a prática político-partidária, ele afirma que há seis anos é apenas acionista da JBS. "Passei o comando aos meus irmãos. Não tenho participação nenhuma. E em 2014 já serão dez anos sem ligação direta com a empresa."

De acordo com ele, o governo da presidente Dilma Rousseff deve começar a mostrar a sua cara mesmo a partir de 2012. "Ela está bem, dando sequência a projetos sociais, à internacionalização do Brasil, ao que já estava programado" - declarou. "Sempre no primeiro ano de governo se passa a maior parte do tempo terminando compromissos assumidos no ano anterior. Depois, no segundo, é que passa a fazer valer os programas para que foi eleito." (Com Agências)