sábado, 31 de dezembro de 2011

Guerra das eleições municipais no Entorno do Distrito Federal começa em 2 de janeiro de 2012

RAY CUNHA

Sob a missão de promover qualidade de vida por meio da informação, este blog, DF-GOIÁS – Zona Metropolitana de Brasília, lançado em 1 de julho deste ano, já recebeu, até hoje, 31 de dezembro, 8.825 visitas, mais de 147 por dia, visitação razoável, considerando-se sua natureza de blog e seu ponto de partida: Brasília, o Entorno do Distrito Federal e o estado de Goiás.

Contudo, publicamos, quase sempre, matérias analíticas e opinativas, e entrevistas exclusivas, produzidas por nós. Também não temos rabo preso, nem engrossamos o cordão dos puxa-sacos. No nosso time, contamos com colaboradores como Ruy Fabiano, um dos mais preparados e cultos analistas políticos do país; Luiz Solano, jornalista veterano, acostumado a cobrir o poder e conhecedor de uma rede de informações nos mais diversos setores do poder. Samantha Larroyed é uma jovem, pós-moderna, bem informada e culta, que se comunica maravilhosamente com o leitor.
Além da análise política, principalmente pondo na berlinda a presidência da República, que Ruy Fabiano faz semanalmente, publicada também no blog do Ricardo Noblat, talvez o jornalista mais lido do país, inclusive no exterior; das notas recheadas de pimenta malagueta que Luiz Solano despacha no do PT; e das dicas sobre acontecimentos artísticos e sociais de Samantha Larroyed, publicamos neste blog matérias analíticas sobre os governadores do DF, de Goiás, e prefeitos do Entorno, a fim de que os moradores do Planalto Central ampliem seu senso crítico na hora de escolher seus dirigentes.
É por essa razão que somos lidos não apenas em Brasília, em Goiânia e no Entorno do DF, mas em todo o país e no exterior, principalmente nos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, e até em países exóticos aos olhos do brasileiro comum, como a Rússia, por exemplo.
Em outubro de 2012, haverá eleições municipais. Estaremos, portanto, de olho nos candidatos, principalmente a prefeito, muitos deles useiros e vezeiros do paternalismo, curral eleitoral mantido pela cesta-miséria; do nepotismo; do fisiologismo; do caixa dois, que, no fim das contas, é também roubo; do culto à vassalagem à imagem, ou simplesmente puxa-saquismo, enquanto suas cidades passam os quatro anos de desgoverno esburacadas, com trânsito assassino, quando são cortadas por rodovias, e cheias de desocupados, porque são prefeitos que têm criatividade para gerar empregos.
Em 2012, as eleições no Entorno serão uma guerra, porque o governador do DF, Agnelo Queiroz (PTMDB), vai querer influir nelas, apesar de não conseguir governar nem o DF, que é só buraco. Na outra ponta, Marconi Perillo (PSDB), sem nenhuma dúvida o mais competente governador, atualmente, fará o necessário para que seus candidatos, mesmo que não sejam tucanos (do PSD, por exemplo), ganhem.
Os pré-candidatos já começaram a se mexer, e a guerra estará nas ruas a partir de 2 de janeiro de 2012. Feliz Ano Novo!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

BRASÍLIA COMO ELA É


A Brasília que emerge das páginas do livro de contos
O casulo exposto (LGE Editora/Libri Editorial, Brasília, 153 páginas, R$ 28), de Ray Cunha, é uma alegoria à redoma legal que engessa o Patrimônio Cultural da Humanidade, a ninfa de Lúcio Costa, golpeada no ventre, as vísceras escorrendo como labaredas de roubalheira, luxúria, depravação e morte nos subterrâneos de Brasília. A fauna que transita na esfera política e chafurda nos subterrâneos da cidade-estado é heterogênea. Amazônidas que deixaram a Hileia para trás e tentam sobreviver na fogueira das vaidades da ilha da fantasia, jornalistas 

se equilibrando no fio da navalha, políticos daquele tipo mais vagabundo, que não pensa duas vezes antes de roubar merenda escolar, estupradores, assassinos, bandidos de todos os calibres, tipos fracassados e duplamente fracassados, misturam-se numa zona de fronteira fracamente iluminada. Contudo, a ambientação de sombra e luz tresanda também a perfume e romance.

Ray Cunha trabalha, desde 1987, como jornalista, em Brasília, cobrindo amplamente a cidade e o Congresso Nacional. “Seus romances e contos são, geralmente, ambientados na Amazônia, mas, como o escritor acaba envolvido ao meio onde vive, surgiu, assim, O casulo exposto” – diz a quarta-capa do livro, prefaciado pelo escritor Maurício Melo Júnior, apresentador do programa Leituras, da TV Senado, e capa assinada pelo artista plástico André Cerino. 


Deu no Correio Braziliense 

Por LÚCIO FLÁVIO

Nascido em Macapá (AP), mas radicado em Brasília desde 1987, o jornalista e escritor Ray Cunha conhece como poucos as cicatrizes da capital brasileira. Experiência adquirida em mais de duas décadas como repórter de Cidades e na cobertura intensa do Congresso Nacional. Por isso, não deixa de ser oportuno que o seu mais recente trabalho, o livro de contos O casulo exposto, chegue às livrarias justamente no momento em que o Senado passa por uma de suas piores crises.

“Embora seja todo ficção, o livro fala de um momento atual. Essa politicalha na qual estamos mergulhados vem do país inteiro, mas Brasília é a síntese", comenta o autor, que reúne 17 contos escritos desde 1989. "Nenhum dos meus trabalhos anteriores foram inspirados em ocorrências jornalísticas. Este sim. Mas tudo o que acontece na vida de um escritor acaba entrando, de um jeito ou de outro, na ficção”, observa.
A unidade das tramas esbarra no submundo de Brasília. Ray Cunha, autor também dos romances A casa amarela e O lugar errado, explica que o título remete à utopia que se transformou na capital do país. Tal ideia está nitidamente expressa no primeiro conto do livro, por meio do encontro de dois homens, um guia e um engenheiro, num lugar, onde, num futuro não muito distante, será construído o sonho de JK. “O senhor acha que vai dar certo, gente de toda parte se mudar para cá?”, pergunta o guia ao engenheiro. “Sim. Aqui, todos serão iguais”, responde.
“O desenho de Brasília também lembra o de uma borboleta. E a primeira passagem da vida de uma borboleta é o casulo. Um casulo que expõe suas vísceras que são os subterrâneos”, explica. “Uma Brasília engessada”, emenda.
A intimidade do autor com a cidade é denunciada não apenas por meio dos temas abordados - seja a política ou as mazelas da cidade -, mas também pela geografia desenhada em histórias que têm como personagens as vias da cidade como a W3 Sul e a W3 Norte ou um encontro aparentemente casual na Churrascaria Porcão. “Sou um observador privilegiado da cidade”, diz. 

Jornalista Aldemyr Feio, de Belém do Pará, entrevista Ray Cunha 

Um breve bate papo com Ray Cunha, para os amigos do Jornal do Feio. Aldemyr Feio é um veterano jornalista que mora no famoso bairro belenense de Icoaraci.  

O que o levou a escrever O casulo exposto? 

Costumo ambientar meus livros na Amazônia, especialmente Belém, minha cidade predileta. Porém vivo em Brasília, desde 1987. Do início de 1996 ao fim de 1997, voltei a morar em Belém, mas por questões profissionais retornei a Brasília. Uma estada tão longa nos leva a conhecer bem o ambiente onde vivemos; assim, é natural que comecemos a escrever algumas histórias com a geografia da cidade onde moramos. Em 2008, observei que já escrevera 17 contos ambientados em Brasília e com personagens que são, quase sempre, migrantes, que transitam nas ruas e nos meios jornalísticos e políticos da cidade-estado. Submeti os 17 contos à leitura do Maurício Melo Júnior, escritor talentoso e crítico literário bem preparado. Ele escreveu a apresentação do livro e sugeriu que o levasse ao Antonio Carlos Navarro, diretor da LGE Editora, que resolveu editá-lo. 

Maurício Melo Júnior, ao apresentar o livro, afirma que "O que interessa ao escritor são os resultados daquelas experiências, são os personagens que ficaram depois das epopeias”. Por que? 

Um dos fios condutores de O casulo exposto são as personagens, em geral migrantes, às vezes frustrados ou duplamente frustrados. As epopeias a que Maurício se refere é a construção de Brasília - uma fase da cidade que já acabou. Restaram os candangos bem-sucedidos, como o empresário Paulo Octávio, dono de boa parte da cidade, e muita gente que mora em assentamentos e invasões. Migrantes continuam chegando, mas agora tudo está lotado. Os contos, portanto, não enfocam uma epopeia, mas a miudeza do dia-a-dia na capital da república. 

Maurício também afirma: "Ray Cunha ainda lhes dá um tratamento recheado de um humor cáustico, em alguns momentos até cruel". O que ele quis dizer com isso? 

Algumas das personagens dos contos são tragicômicas. Outras, apenas trágicas. Creio que o humor cáustico a que Maurício se refere é o que costumamos chamar de humor negro, quando situações, apesar de dramáticas, ou trágicas, contêm, mesmo assim, viés risível. 

Seus romances e contos são, geralmente, ambientados na Amazônia. Qual a sensação de escrever um livro "candango", ou seja, produzido com as coisas que acontecem em Brasília? 

É a mesma sensação de trocar pirão de açaí com dourada frita por pão de queijo, ou de trocar a Estação das Docas por shopping. São duas situações absolutamente diferentes. No meu caso pessoal, caio de joelhos por tudo o que diz respeito à Amazônia, mas também curto Brasília. Assim, sinto-me perfeitamente à vontade tanto na Amazônia como em Brasília. 

"O casulo é uma alegoria à redoma legal que engessa o Patrimônio Cultural da Humanidade..." mas "também tresanda a perfume, romance e esperança, nas luzes da grande cidade". Dá para explicar? 

O casulo do título evoca o fato de que Brasília é reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade. Em termos práticos, não se pode mudar a arquitetura original do Plano Piloto de Brasília, que compreende o projeto do urbanista Lúcio Costa, excluindo-se as cidades-satélites. Então, o Plano Piloto é protegido sob uma redoma legal, um engessamento legal. É Patrimônio Cultural da Humanidade, mas, nas suas ruas e nos seus subterrâneos, não há romantismo, como em toda metrópole brasileira, inchadas e perigosas. Apesar disso, há contos de puro perfume, romance e esperança. O conto que encerra o livro, A Caça - que inclusive já foi publicado pela Editora Cejup (de Belém do Pará) -, quase no fim, refere-se às luzes de Brasília e termina no quarto de um bom hotel. 

Você acha que o leitor vai entender as suas colocações contidas no Casulo? 

Certamente que sim. A literatura, como qualquer arte, tem algo maravilhoso. No seu caso específico, as palavras remetem o leitor a mundos que são somente dele. O escritor é um mero porteiro. Lembrei-me de um caso que ocorreu com William Faulkner. Alguém o informou que leu duas vezes um livro seu e não entendeu a história. Faulkner sugeriu que lesse mais uma vez. 

Nos "casos" relatados no livro você teve alguma participação ou foram vivenciados apenas superficialmente? 

O senso comum mistura atores com personagens e acredita que ficção é o que conhecemos como realidade. Se assim fosse, quantos escritores não estariam atrás das grades por assassinato? O fato é que até nas autobiografias há mais ficção do que realidade. O escritor que faz seu trabalho com seriedade não está interessado em jornalismo. Estou certo de que pelo menos 75% do que os jornais publicam originam-se de interesses dos donos, de ideologia, de conjecturas, de boatos, ou de mentiras pura e simplesmente. Também o escritor não está interessado em si mesmo, pois todos os escritores são pessoas comuns e, muitas vezes, introvertidas. Qual a participação que um escritor pode ter numa história que se passa em outro planeta? Como Antoine de Saint-Exupéry criou O Pequeno Príncipe? Esta é a diferença: as antenas especiais com que os escritores nascem, o que permitiu, por exemplo, que Ernest Hemingway criasse uma mulher abortando, em Adeus às Armas, ou que John Steinbeck desse vida a uma mulher que acaba de perder seu bebê recém-nascido e dá de mamar a um ancião que está morrendo de fome, em Vinhas da Ira.

Quem é Ray Cunha? 

Nasci em Macapá, na margem direita do estuário do rio Amazonas, cortada pela Linha Imaginária do Equador, em 7 de agosto de 1954. Fui educado na Amazônia. Conheço a Hileia razoavelmente, por longa leitura e por ter estado lá. Vivo em Brasília por uma questão de mercado de trabalho. Aqui, consigo oferecer à minha família razoável padrão de vida, sustentado pela minha profissão, jornalismo. Literatura, para mim, é minha missão pessoal. Embora morando em Brasília, a internet me permite ficar ligado o tempo todo à Amazônia. Tenho ligação íntima com Belém, um dos meus grandes amores, e, naturalmente, com Macapá. Quanto a Brasília, já somos velhos namorados. Brasília me deu duas mulheres fundamentais: minha esposa, e minha luz, Josiane; e uma flor, minha filha, Iasmim.


CONTO/Almoço de trabalho no Porcão


Do balcão do Café Doce Café, defronte à Livraria Sodiler, no átrio central do shopping, Galicíssimo abarcava todo o largo hall do Conjunto Nacional, selecionando e acompanhando com o olhar as mulheres sensuais até perdê-las de vista no labirinto de corredores. O passa-passa era intenso. Divisou a jornalista ainda no passeio público. Tratava-se de uma mulher surpreendente: uma mulata ruiva.

- Estou ansiosa para ver o livro – Yanna foi logo dizendo. 

Galicíssimo apanhou o envelope que depusera no balcão e tirou dele um livro. A capa era um óleo de André Cerino - uma boca, uma rosa vermelha, colombiana. O livro intitulava-se: “O perfume das virgens ruivas”. Yanna pegou-o, sôfrega, e o abriu na folha de rosto. Estava lá: “Para Yanna Silva Bergman, jasmineiro em noite tórrida do verão amazônico, que nos faz mergulhar na dimensão do cio”. 

- Meu poeta! - disse Yanna. Puxou Galicíssimo e o beijou, limpando o batom que carimbara nos lábios do homem de cara de terçado. 

Galicíssimo era baixinho - teria um metro e sessenta, mais ou menos -, magricela, estrábico e de cabelos grisalhos, embora só tivesse 43 anos. Mas isso era compensado por epiderme maravilhosa, lisa e rosada como a pele de um bebê. Sua expressão era a de uma criança perdida, despertando nas mulheres o instinto materno. Contudo o que lhe originara o apelido, Galicíssimo, fora seu talento para lidar com as mulheres. Podia-se, nesse caso, aplicar-lhe perfeitamente o ditado que reza: não há mulher difícil; há mulher mal cantada. Em outras palavras, não há mulher que resista a sentir-se princesa; isso as enlouquecem completamente, torna-as reféns absolutamente indefesas e as levam a cometer qualquer crime. Bastava meia hora de papo para as vítimas grudarem, literalmente, em Galicíssimo, que possuía o dom de dissecar a alma feminina com a mesma eficiência de um anatomista que vasculha o corpo humano em busca de compreender melhor a posição dos órgãos, ossos, músculos, tendões, artérias e tecidos, já tão estudados e catalogados. Educara-se em um meio bastante parecido ao de Gabriel García Márquez. Teve um avô como ponto de referência e o resto da casa eram mulheres. Tornara-se, assim, um observador, um analista, um especialista em mulheres, adivinhando os mais recônditos desejos “dessas crianças grandes, dessas criaturas divinas, dessas flores tão delicadas, que se defendem, quando muito, munidas apenas de miseráveis espinhos”. Todas buscavam, pura e simplesmente, consolo, por uma razão da qual não podiam escapar: são todas inconsoláveis. Era então que Galicíssimo dava o pulo do gato, exibindo um instrumento insuspeito, magnífico, que transformava mulheres tristes em tarântulas subindo pelas paredes e se voltando para encarar o surpreendente membro fálico. 

“Os psicoterapeutas confortam os homens menos dotados informando-os de que as mulheres gozam mais devido ao carinho, às preliminares, como dizem, e não a um pênis grande, mas todo homem quer ter o pênis de pelo menos dezesseis centímetros. O meu tem doze centímetros; chega a treze centímetros nos momentos de muita inspiração. Segundo os psicoterapeutas, até esse tamanho ainda é normal. Todas as mulheres que espetei gozaram; às vezes, experimentam gozos múltiplos. Mas acho que as deixaria bastante impressionadas se tivesse pelo menos dezesseis centímetros de pênis” – disse, certa vez, Boi Bambo. “Boi Bambo entende mais é de porrada” – Galicíssimo pensou, naquela ocasião.  

Acendeu um Hilton. Tinha uma única filha, Eneida, de vinte e seis anos; estava fazendo mestrado em Paris. Era viúvo. Natural de Belém do Pará, já vivia há muito tempo em Brasília, “a cidade mais estrangeira do mundo, mas a única capaz de me proporcionar 30 mil reais por mês” – pensou. Marqueteiro dos bons na superfície, era, na verdade, poeta; poeta nos sete oitavos do seu iceberg pessoal. Viu Boi Bambo emergir do formigueiro defronte ao shopping e materializar-se à sua frente. Deveria chamar-se Boi Zebu, pois tinha o alto das omoplatas gordo como cupim. Seu andar era pesado e lerdo, meio bambo, como se estivesse dançando. Abriu-se em largo sorriso, estendendo a pata ao colega.

- Três espressos curtos – Galicíssimo pediu à moça do balcão. 

- Ele pagou tudo, até o último centavo - disse Boi Bambo, adoçando com açúcar o forte, fumegante e amargo robusta. Sua cabeça só faltava ter chifres para ser mesmo boi. Era grandalhão e gordo como um barril. Quando caminhava, apenas suas pernas se moviam. Os braços pareciam dois quartos de boi pendurados no tronco roliço. Seus olhos lembravam os de uma boneca, fechando-se e abrindo-se lentamente, sem que nenhum outro músculo do seu corpo se movesse. Usava Chanel Número Cinco e terno branco, de linho irlandês; era capaz de sair de uma briga de rua tão alinhado quanto entrara. Treinara na Joe Louis, em Belém. 

- Tudo? – disse Galicíssimo, incrédulo. Yanna não desgrudava os olhos do livro. 

- Bem, tive de convencê-lo - continuou Boi Bambo. - Estive ontem lá e disse a ele: vou voltar amanhã cedo e se tu não estiveres aqui, com meu dinheiro, levarei um pedaço teu - um dedo, uma orelha, um ovo, qualquer pedaço, desde que tu fiques vivo. Ele me olhou com uma cara enfadada. Então mostrei a Glock a ele e expliquei que ela é uma pequena metralhadora, que poderia varrer sua flor do jardim de trás do mapa em alguns segundos. Tu sabes, vai sobrar muito dinheiro da campanha e o canalha do tesoureiro vai ficar com uma grana preta; se não recebêssemos logo, o nosso candidato ia querer pagar com cargos de assessoria especial ou uma sinecura qualquer, e se perder estas eleições, aí é que não veríamos a cor da grana, embora saibamos que ele não vai perder; as pesquisas mostram que ganhará no primeiro turno.

- Já me sinto culpado só de participar da campanha desse cretino; não quero fazer parte da quadrilha dele trabalhando no governo – disse Galicíssimo.

- Eu pago o almoço, hoje – disse Boi Bambo. – Vamos comer no Porcão! Darei os cheques de vocês lá e discutiremos melhor os passos finais da campanha. 

Era o início da tarde. O sol fazia a grama estalar como palha. Em setembro, o tempo é seco como o Saara. Isso começa em julho e vai até outubro. Setembro estava no fim. Cigarras gritavam em qualquer árvore que escapou do concreto de Oscar Niemeyer; a Esplanada dos Ministérios, devastada pela prancheta do famoso arquiteto, tremia à onda de calor que sufocava a decrepitude precoce da cidade-estado. O automóvel, grande e negro, deixou para trás a Praça dos Três Poderes rumo ao Lago Sul. Do vidro da janela do carona Boi Bambo atirou um toco de cigarro na grama seca, que logo começou a crepitar.

Do livro O CASULO EXPOSTO


SERVIÇO

O Casulo Exposto está à venda nos seguintes locais:

Livraria Leitura do Conjunto Nacional de Brasília

Ler Editora/Libri Editorial, no SIG (Setor de Indústrias Gráficas), Quadra 3, Bloco B, Lote 49, Loja 59 – Brasília/DF - CEP 70610-430 - Telefone: (55-61) 3362-0008

Livreiros podem fazer pedidos ao editor pelo e-mail:
atendimento@lereditora.com.br

Contato com o autor: raycunha@gmail.com

ARTIGO/Dilma na encruzilhada das Coreias

DEMÓSTENES TORRES
Para o Blog do Noblat

O ano se fecha com a economia estagnada e a Educação no vermelho. Se o exercício da Presidência fosse submetido ao sistema de avaliação dos colégios, Dilma Rousseff estaria reprovada.

Enquanto nações como China e Coreia crescem exigindo nas escolas esforço e mérito, as novidades do setor por aqui são a Lei da Palmada, o Kit Gay, os livros pornográficos distribuídos pelo governo, as cotas e a doutrinação.
Dilma só alcança nota 10 se somadas a inflação (6,3% de IPC), a expansão do PIB (2,92%, segundo o Banco Central) e a produção industrial (0,82%, ainda de acordo com o boletim Focus, do BC) – a primeira, maior que a prevista; as outras, reduzidas a cada semana.
As duas potências asiáticas têm números auspiciosos porque investem em Educação não somente dinheiro. O Brasil prefere o caminho contrário.
A ditadura chinesa reserva menos tempo dos estudantes para propaganda ideológica que nossa democracia.
Nesse item, copiamos a Coreia, não a do Sul, mas a do recém-falecido Kim Jong-il, que matou de fome 3 milhões de pessoas.
O receituário do nanodéspota se assemelhava ao dos companheiros do Planalto: culto à personalidade, ódio à opinião livre, salas de aula transformadas em comitês do partido.
Nada mais parecido com Kim, seu pai e seu filho, que o compadrio no ensino superior (que de superior mesmo tem apenas o apelido). Testes para entrada, como Enem e vestibulares, são redigidos para aferir se o candidato se comporta perante o mandatário como os adesivos da moda em automóveis – criança segurando a mão do papai estado e da mamãe esquerda.
Na saída da universidade para o mercado, o Enade confere quem aumentou as orelhas de tanto ouvir pregação das maravilhas do Executivo.
Na China, o segredo para entrar em faculdade de primeira é dedicação diuturna, quando descansa carrega livro. Quanto mais competente, mais conceituada a instituição que vai recebê-lo. Caso não se sobressaia, ingressa numa menos disputada.
Durante os cursos, a veneração à pesquisa é absoluta. Na Coreia do Sul, férias e fins de semana são sinônimos de horas em laboratório e biblioteca.
Aqui, do básico à pós-graduação, obedecem à escala do poder central: demagogia do começo ao fim. As universidades reservam vagas de acordo com a cor da pele, as séries básicas são obrigadas a aprovar até quem nada aprendeu e o ensino médio está abandonado.
Os profissionais da área vivem sob o garrote dos sindicatos e de métodos antiquados, como o Paulo Freire, uma mistura de “Zorra Total” com “Amor e revolução”. Nele, o professor perde prestígio e, em vez de ensinar, mandam que debata com o aluno.
Chegada de novo ano sempre gera expectativa de mudança. Afinal, o modo de tratar a Educação vai definir em qual dos lados da península coreana Dilma deseja que o Brasil se transforme.
Apesar dos tiranetes que morrem por lá e pululam cá, feliz Natal para você e sua família. E 2012 melhor para a Educação no País. 
Demóstenes Torres é procurador de Justiça e senador (DEM/GO)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Trem de passageiros Brasília-Luziânia, no Entorno Sul do Distrito Federal, começa a se tornar realidade

Agnelo Queiroz e Marconi Perillo se unem
pelo Entorno do DF (Foto: Rodrigo Cabral)

RAY CUNHA
raycunha@gmail.com
Com Agências

Brasília, 16 de dezembro de 2011 – Foi assinado, quinta-feira 15, no Ministério da Integração Nacional, acordo de cooperação para a realização dos Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Sócio-Ambiental para implementação de linha de trem de passageiro da Rodoferroviária, em Brasília, até Luziânia (GO), maior cidade do Entorno (Sul) do Distrito Federal, passo fundamental para o início dos trabalhos de licitação da obra. A coordenação do comitê técnico da ferrovia está a cargo da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) e o custo total dos estudos está estimado em até R$ 4 milhões.

Assinaram o documento os ministros da Integração Nacional, Fernando Coelho, e dos Transportes, Paulo Sérgio Oliveira Passos; os governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PTMDB), e de Goiás, Marconi Perillo (PSDB); o superintendente do Desenvolvimento do Centro-Oeste, Marcelo Dourado; o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo; e o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Jorge Ernesto Pinto Fraxe.

Prevê-se a instalação, até dezembro de 2012, de veículo leve sobre trilho (VLT), com velocidade entre 80 a 100 quilômetros por hora. Em cada viagem, o trem poderá transportar cerca de 1,4 mil pessoas. A via férrea Brasília-Luziânia desafogará o tráfego, cada vez mais intenso, na BR-040, espinha dorsal do Entorno Sul (Cidade Ocidental, Luziânia, Novo Gama e Valparaíso), de onde se deslocam para Brasília, diariamente, cerca de 500 mil pessoas, para trabalhar, estudar, fazer compras e se divertir.

O Distrito Federal tem hoje mais de 1,3 milhão de carros, um para cada duas pessoas. Boa parte deles circula em Brasília, onde não se pode mexer no traçado original das ruas, que se transformaram, no governo Agnelo Queiroz, na alegria dos mecânicos de automóveis: estão só buraco. Segundo projeções da Sudeco, quem há 10 anos levava 20 minutos para chegar ao seu destino, leva, hoje, cerca de duas horas no mesmo percurso, quando o carro não cai numa vala.

Ainda senador, Marconi Perillo já vinha trabalhando para viabilizar o trem de passageiros no Entorno Sul, adaptando a ferrovia já existente, utilizada atualmente para transporte de carga. Após tomar posse, em 1 de janeiro, ele e Agnelo Queiroz já se reuniram várias vezes para tratar do assunto, que, agora, toma contornos realistas.

Marconi Perillo é um estadista e sabe da importância desse trem para a inserção social no Entorno Sul. Grande parte da impressionante violência na região é causada pela pobreza da população. Quanto a Agnelo Queiroz, quer influir nas eleições municipais de outubro de 2012, apesar de se debater num lamaçal pútrido.

Marconi explicou que a viabilização da linha férrea para transporte de passageiros “é o resgate de um compromisso que fiz em diversas oportunidades durante minha passagem por Luziânia, Valparaíso, Cidade Ocidental e Novo Gama”. Com efeito, ao entrevistá-lo em campanha ele afirmou, convicto, que o trem de passageiros Brasília-Luziânia se tornaria uma realidade, caso se elegesse.

O prefeito de Luziânia há 7 anos, Célio Silveira, e seu candidato a sucedê-lo e sócio, o vice-prefeito Eliseu Melo, ambos do PSDB de Marconi Perillo, jamais falaram em trem de passageiros Luziânia-Brasília. Mas prefeito não cuida de questões que envolvem governos federal e estaduais, dirão. Cuida, sim. Mas só os preparados. Quando não são, cuidam de questão de outra ordem: cesta básica.

Outra questão para a qual prefeitos geralmente não estão nem aí é a dos transportes. Já que estamos falando em Luziânia, nunca ouvi dizer que Célio Silveira tivesse uma reunião com a diretoria da Viação Anapolina, ou procurasse o Ministério Público, no sentido de melhorar o transporte público metropolitano. Quanto ao transporte coletivo circular, nesse é que ele não mexe mesmo.

Falar em ônibus metropolitano no Entorno Sul, é inevitável pensar na BR-040, que corta a região e a liga à Brasília. A rodovia, quando divide a cidade de Valparaíso ao meio, torna-se um corredor da morte. Os moradores contam com duas passarelas ao longo de vários quilômetros urbanos, uma das quais uma sucata. A prefeita, Lêda Borges, também do PSDB de Marconi Perillo, deve estar esperando que Marconi, ou a presidente Dilma Rousseff (PTMDB), tome providência.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Entrevista/MARCONI MELQUÍADES DE ARAÚJO


Corumbá IV: a joia do Entorno do DF


A Corumbá Concessões, empresa sediada em Brasília e que controla a usina de Corumbá IV, no Entorno do Distrito Federal, é o maior empreendimento na região. Fornece 13% da energia elétrica consumida no DF, o equivalente a 15 mil/18 mil residências, e, a partir de 2012, começará a fornecer água potável para os 8 municípios do entorno do lago e para o DF. A empresa vem ainda pondo em execução vários projetos sociais e econômicos. Mergulhada, no seu nascedouro, em politicagem, hoje é um empreendimento sólido, que veio para ficar, como disse o presidente da empresa, o engenheiro eletricista Marconi Melquíades de Araújo (foto), que foi contratado para dirigir a empresa por um escritório de caça-talentos.
A Usina Hidrelétrica de Corumbá IV tem potência instalada de 129 MW (megawatts), suficiente para garantir energia para uma cidade com 250 mil habitantes. A barragem foi construída no rio Corumbá, que tem suas nascentes localizadas na Serra dos Pirineus. O reservatório se estende por 173 quilômetros quadrados e volume total de aproximadamente 3,8 trilhões de litros, banhando áreas dos municípios de: Luziânia, Alexânia, Abadiânia, Corumbá de Goiás, Silvânia, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama e Gameleira de Goiás. O lago de Corumbá IV tem 8.900 hectares de Área de Preservação Permanente (APP) e 783,7 quilômetros de contorno.
Em 5 anos, a Corumbá Concessões pagou em royalties: R$ 5 milhões para o governo do estado de Goiás; R$ 803.416 para a Prefeitura de Abadiânia; R$ 1.142.301 para a Prefeitura de Alexânia; R$ 14.269 para a Prefeitura de Corumbá de Goiás; R$ 1.326.408 para a Prefeitura de Luziânia; R$ 7 mil para a Prefeitura de Novo Gama; R$ 1.562.007 para a Prefeitura de Santo Antônio do Descoberto; e R$ R$ 615.229 para a Prefeitura de Silvânia; R$ 1,519 milhão para a Agência Nacional de Águas (ANA); R$ 466.272 para o Fundo Nacional de Ciências e Tecnologia; R$ 364.704 para o Ministério do Meio Ambiente; e R$ 364.704 para o Ministério de Minas e Energia.
Marconi Melquíades de Araújo recebeu este repórter na chuvosa manhã de 23 de novembro, uma quarta-feira, na sala de reuniões da Corumbá Concessões, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), em Brasília. Ao cabo da entrevista, ele sugeriu uma parceria entre os governos de Goiás e do Distrito Federal, o Ministério Público, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e as grandes empresas instaladas na região, como Bunge, Itaú e Bradesco, a criarem um ordenamento social no entorno da usina de Corumbá IV, com o objetivo de melhor distribuir a renda dessas instituições, na região, promovendo, assim, inserção social, o instrumento adequado para o desenvolvimento dos moradores dos oito municípios integrados pelo lago. E afirmou, categórico: “A usina Corumbá IV está aqui para sempre”. Leia a entrevista.
A Corumbá Concessões fornece energia elétrica para quantos domicílios do Distrito Federal?
Nossa energia assegurada, 76 megawatts médios, é totalmente vendida para a Companhia Energética de Brasília (CEB), distribuidora que atende a capital federal. Isso representa de 15 a 18 mil residências. Dentro do portfólio de compra de energia da CEB, nosso fornecimento é de 13%. A geração da usina é de 129 megawatts, em termos de potência. E quando você gera energia secundária, ela pode ser vendida para todo o mercado nacional. Essa disponibilidade é feita na liquidação de curto prazo, através da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.
A Corumbá Concessões fornece água potável?
Nós não temos concessão de fornecimento de água. Quem tem aqui, na região, é a Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal), e, no estado de Goiás, a Saneago (Saneamento de Goiás). Está sendo construída uma obra do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), uma estação de captação e tratamento de água, numa associação da Caesb e a Saneago, com projeto da Themag Engenharia. Essa obra começou no governo do ex-presidente Lula, com continuidade, agora, no governo da presidenta Dilma (Rousseff). Essa obra prevê a captação, até o ano de 2.040, de 8 metros cúbicos de água por segundo. A previsão inicial era de que a obra ficasse pronta em 2010, mas, por motivos que eu desconheço, atrasou. Mas em 2012 deve iniciar a captação com 1 metro cúbico por segundo, começando a distribuição de água em cidades do entorno do reservatório, no estado de Goiás, e, posteriormente, existem planos de trazer uma parcela dessa água para o DF, à medida que a captação for aumentando. Em 2020, possivelmente, já haverá uma captação de 5 metros cúbicos por segundo, quando então passaria a haver um transporte de água para a capital federal.
Há alguma parceria da Corumbá Concessões no sentido de se aproveitar o potencial turístico de Corumbá IV?
Ainda não. Não há marco regulatório que crie um ordenamento institucional do turismo no Brasil, muito menos no entorno do nosso reservatório, que é uma região bem mais pobre, onde o poder público estadual pouco tem feito nesse sentido, de modo que o que se vê é uma expansão natural do turismo, de forma desordenada, trazendo muito resíduo sólido para o reservatório, muito lixo. A Corumbá tem um programa de educação ambiental. Temos batido muito nessa questão da educação com relação ao lixo. Este ano, participamos do projeto Limpa Brasil, que vem trazendo justamente o procedimento de que você não deve reduzir o seu consumo, prejudicando a indústria, o desenvolvimento do país, mas se educar, para jogar o lixo no lixo. O turismo cresce de forma quase predatória, danosa, se não vier acompanhado de educação.
No entorno do lago vivem cerca de 1 milhão de pessoas, em 8 municípios. Como a Corumbá lida com o lixo e o esgoto produzidos na região, que não conta com usinas de tratamento de dejetos?
Somos um gerador de energia, de controle privado. Não temos como interferir na questão do lixo, o que é uma obrigação, constitucional, do poder público. Cabe ao Ministério Público e ao Ibama fiscalizar essa atividade municipal, de recolher o lixo urbano e o lixo rural. Mas, mesmo sem ser nossa obrigação, fazemos parcerias com as prefeituras em campanhas de limpeza. Doamos camisetas, folders, sacos de lixo, fazemos a divulgação das campanhas em jornais, colocamos placas ao longo do reservatório, fazemos oficinas de educação ambiental e procuramos incentivar todas as prefeituras a tomarem esse posicionamento de olharem a questão do resíduo sólido, do lixo. Nas nossas campanhas, recolhemos toneladas e toneladas de lixo e, às vezes, é difícil encontrar um local para depositar esse lixo.
A Corumbá tem projeto de reflorestamento?
Dentro dos nossos planos básicos ambientais um deles é a revegetação de toda a área de preservação permanente, que é de 100 metros a partir da margem do reservatório, com árvores do bioma Cerrado. A reconstituição dos corredores ecológicos é de suma importância para a sobrevivência dos animais, até para poderem fugir da sanha, da ganância, de caçadores, que não obedecem a legislação ambiental. Temos tido enorme dificuldade de implantar a revegetação, porque, ao longo do reservatório, o grande foco ainda é uma bacia leiteira. Nós plantamos as mudas e os fazendeiros, que não têm a devida educação, nem o devido compromisso cívil para com o país, não obedecem as regras básicas de cidadania, soltam gado em cima da APP (Área de Preservação Permanente) e o gado pisoteia a revegetação e come as mudas. A nossa intenção é fazer uma parceria com o Ministério Público, o Ibama e os fazendeiros, criando um TAC, Termo de Ajuste de Conduta, em que a Corumbá se responsabilizará em plantar 3 milhões de árvores do bioma Cerrado e os fazendeiros terão a obrigação de colocar cerca nas suas fazendas, uma vez que deixar o gado invadir a APP é crime ambiental. Dentro do Pacueira, o Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório da UHE Corumbá IV, estão definidos corredores para a dessedentação (bebedouros de animais). O Pacueira, infelizmente, demorou 5 anos para ser aprovado pelo Ibama e isso criou uma situação desordenada no entorno do reservatório, de modo que muitos proprietários imaginam que a APP, que foi comprada e paga, ainda pertence a eles, e que eles podem jogar o gado em cima da revegetação. No ano passado, nós instalamos um projeto de revegetação numa área, gastamos em torno de R$ 400 mil, entre mudas, adubo orgânico e cuidados para revegetar, e praticamente 80% foram destruídos pelo gado. Nós denunciamos isso ao Ibama e alguns foram multados. Mas ainda existe uma grande dificuldade em dar continuidade à criação dos corredores ecológicos, que poderiam unir todas as reservas, entre Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, criando um grande corredor de circulação de animais silvestres, coisa que hoje não existe. Existem pequenos resíduos do Cerrado, e os animais estão sendo dizimados pela sanha criminosa de caçadores, que não obedecem a legislação.
Em que pé está o TAC sobre o qual o senhor se referiu?
Está ainda na estaca zero, porque, apesar de todo o nosso empenho, não conseguimos trazer nem o Ibama, nem o Ministério Público, para chamar proprietário por proprietário para fazer esse compromisso. A antiga superintendente do Ibama-DF, Maria Silvia Rossi, estava estruturando todo esse arranjo legal conosco. Iria conversar com o Ministério Público, através da procuradora federal Ana Paula Mantovani, por quem nós, da Corumbá, temos muito apreço e respeito, para que nós montássemos esse arranjo legal, mas por causas que eu desconheço a Maria Silvia Rossi saiu do Ibama-DF e, infelizmente, esse compromisso, que estava caminhando, retrocedeu e nós queremos novamente montar esse arranjo para que a revegetação tenha sucesso.
Como é a atuação do Ibama no entorno de Corumbá IV?
Devido ao rio Corumbá ser estadual, Corumbá IV deveria, pela legislação vigente, ser licenciada pela Agência Goiana de Meio Ambiente, como foi a Corumbá III. A mim parece que por um viés político houve o encaminhamento por solicitação do Ministério Público para que o Ibama se encarregasse do nosso licenciamento, apesar de não ter motivo para tal. Não sei se isso aconteceu porque o reservatório atinge cidades da Ride (Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno). Enfim, o Ibama é o nosso licenciador, a quem nós devemos obediência na questão ambiental. Procuramos lidar com o Ibama da forma mais proativa possível, obedecendo as suas determinações, fazendo com que o nosso empreendimento esteja dentro de toda a legislação ambiental, obedecendo aos seus ofícios, desde que viáveis, e tratando agora da renovação da nossa licença. O Pacueira (Plano Ambiental de Conservação e Uso de Reservatório Artificial) está no seu passo final de implantação. Enfim, a usina Corumbá IV está aqui para sempre. É um empreendimento que foi determinado pelo presidente da República – é importante ressaltar isso. O setor elétrico é extremamente intelectualizado e muita gente que lida com ele não o entende. A construção da usina Corumbá IV foi uma determinação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), através do seu Ministério de Minas e Energia, utilizando o braço regulatório, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). O marco regulatório do setor elétrico brasileiro é o melhor que existe no país; foi totalmente implantado na vigência da nossa presidenta Dilma Rousseff quando ministra de Minas e Energia e chefa da Casa Civil. Todo o nosso marco regulatório passou por audiência pública, de modo que a determinação da construção de uma usina hidrelétrica é uma determinação do poder concedente, do governo federal, uma necessidade para o país. Produção de energia limpa, como a hidráulica, é uma necessidade, e toda grande obra apresenta fatos negativos. O aeroporto de Brasília apresentou fatos negativos; alguém pretende mandar fechá-lo, tirá-lo de lá? Não! Todas as estradas provocam impacto ambiental, mas são necessárias para o avanço do país; assim é com a energia hidráulica. É muito melhor ter energia hidráulica, apesar dos fatos que ocorrem para a implantação dela, do que ter uma energia nuclear, do que ter energia térmica a óleo combustível.
O senhor se referiu a fatos negativos. Com relação a Corumbá IV, que fatos são esses?
O simples fato de se inundar uma grande área, que poderia ser utilizada na produção de gêneros alimentícios. Mas o avanço da agricultura não seria possível sem energia. O grande avanço do agronegócio do Brasil foi pautado também pelo crescimento da energia rural. A energia também serve para a inserção cultural e social. O Nordeste apresenta hoje o maior crescimento do Brasil, por conta da difusão de programas ligados à energia elétrica, como Luz no Campo e Energia para Todos, criado na gestão da presidenta Dilma Rousseff.
Como é a composição acionária da Corumbá Concessões?
A Corumbá Concessões é uma empresa privada, controlada pela Construtora Serveng-Civilsan, de São Paulo. Entre os acionistas minoritários temos a C&M Engenharia Elétrica e várias empresas do GDF (governo do Distrito Federal), como a Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal), a Terracap (Companhia Imobiliária de Brasília) e a CEB (Companhia Energética de Brasília), maior acionista dentro das empresas do GDF. E temos um fundo de participação, o FIP, do BRB (Banco de Brasília).
Qual o valor investido em Corumbá IV?
Foi em torno de R$ 700 milhões. Deveria ter sido bem menos. Não foi menos por conta dos problemas ambientais e a paralisação da usina por ação do Ministério Público, em torno de dois anos, com mil trabalhadores parados e os devidos aditivos contratuais. O prejuízo da paralisação da usina foi em torno de R$ 150 milhões, provocado por ações do poder público.
Ainda há alguma demanda judicial contra a Corumbá Concessões?
As demandas judiciais, da época da obra, estão sendo eliminadas. Estamos discutindo, com todas as instituições, Ministério Público, Ibama, mostrando que algumas ações foram motivadas por viés político. O importante a ressaltar é que a diretoria da Corumbá é profissional. Eu e o Marcelo Mendes, que é o diretor financeiro e administrativo, fomos contratados por escritório de headhunters (caça-talentos). Quando viemos para cá não conhecíamos nenhum acionista. Fomos contratados no mercado. Eu era da diretoria da Companhia Energética de São Paulo, que hoje, depois da privatização, tem seis usinas – chegou a ter 21 usinas. Sou um engenheiro com 30 anos de trabalho no setor elétrico, e o Marcelo veio da Light, uma empresa que tem 100 anos. Nós somos profissionais, não viemos para dirigir a empresa porque tenhamos ligação política ou conhecimento com alguma autoridade. Somos técnicos e estamos aqui para fazer um trabalho técnico. Nunca moramos aqui, antes de vir dirigir a empresa. Fazemos um trabalho puramente profissional. Algumas ações judiciais do passado, temos certeza, pelo seu contexto, foram de viés político. Vamos tentar eliminá-las. Não temos que ficar ligados a ações jurídicas que têm viés político.
Qual a dívida da empresa e o faturamento?
Nós só temos um contrato de venda de energia, com a CEB, com faturamento anual em torno de R$ 110 milhões a R$ 115 milhões. Temos ainda uma dívida com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que é paga todo mês. O BNDES e o Banco do Brasil emprestaram em torno de R$ 310 milhões para a Corumbá. Hoje, essa dívida está em torno de 200 e poucos milhões de reais, e a estamos pagando todo mês, nunca atrasamos um dia sequer. Fora essa dívida, temos ainda que resgatar o FIP, até 2016, além de pagar o BNDES até 2018. Fora isso, temos mais uma dívida com a construção da usina. Não atrasamos nenhum pagamento e a empresa, hoje, já distribui dividendos.
Qual o custo anual do empreendimento?
A operação/manutenção chega em torno de 5% do nosso faturamento. O grande custo, hoje, da Corumbá, é o pagamento do BNDES e Banco do Brasil, em torno de 60%, 70% do faturamento. Quando acabar esse pagamento, em 2018, a Corumbá será um excelente, enorme, gerador de caixa e distribuidor de dividendos.
Quando a usina começou efetivamente a operar?
No dia primeiro de abril de 2006, com a unidade 2; no dia 8 de abril, entrou a unidade 1. Desde esse dia (1 de abril), ela nunca parou de gerar. Tem um índice de manutenção baixíssimo; é uma usina das mais modernas do país, toda digitalizada.
O que é o projeto Balde Cheio?
É um projeto de geração de emprego e renda para o pequeno pecuarista. A região (de Corumbá IV) é de bacia leiteira. Contratamos uma empresa para fazer projetos sócio-econômicos para a população ribeirinha, e ganhou por ampla maioria o projeto ligado à pecuária. Tomamos conhecimento de que a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) tinha este projeto, chamado Balde Cheio. Fomos atrás, melhoramos e implementamos o projeto. Agora, ele está fazendo com que muitas pessoas que tinham abandonado o campo e que estavam em subempregos aqui no Distrito Federal, como faxineiro, como vendedor de bala em farol (semáforo), tenham voltado para as propriedades rurais, porque o projeto valoriza o ser humano, lhe dá cidadania. As pessoas abandonavam o campo porque o campo não lhe dava condições de viver bem. As propriedades eram divididas em chácaras e vendidas. Conheço proprietários que me disseram que se não fosse o Balde Cheio teriam vendido sua propriedade, e hoje vivem da produção de leite. A Corumbá instala tudo. Foram criadas 20 unidades. O proprietário tem zero real de despesa, e conta com zootecnistas. Foi feita uma parceria, fundamental, com a Fundação Banco do Brasil, para financiamento com taxas extremamente atrativas, pois nós não damos o peixe; ensinamos a pescar. Em 2011, partimos para a segunda fase do projeto, que é a melhoria genética do gado. Estamos promovendo inseminação artificial em 120 propriedades de pequenos pecuaristas, cada uma com 10 cabeças de gado. Muitos pecuaristas melhoraram tanto a sua renda que já partiram para mais 10 cabeças de gado.
A Corumbá tem projetos nas escolas da região?
Nosso projeto de educação nas comunidades rurais do entorno da Corumbá está em pleno desenvolvimento, pois já construímos e reformamos 8 escolas, dotadas como nunca antes se viu na região. Queremos dar o exemplo para o poder público municipal de como se faz uma escola dotada dos melhores recursos. Não podemos contratar professores porque não nos cabe isso, mas incitamos os prefeitos a dotarem as escolas de bons professores, com merenda escolar e distribuição de livros. Conhecemos escolas na região onde os estudantes sentavam no chão, não havia merenda escolar, não havia livros e cadernos, e com professores descontentes. A primeira coisa que fizemos foi dotar o ambiente de qualidade. Temos testemunhos de professores e diretores sobre a vontade que os alunos têm de estudar, agora, de ir para a escola, que já estão munidas de carteiras novas, certificadas pelo MEC (Ministério da Educação). Sem educação não se vai a canto nenhum. O segundo passo é uma gestão de polícia, mesmo, porque para criminoso recalcitrante é polícia. A educação é para as crianças não se encaminharem para o caminho mais fácil do crime. Já mandamos ofício ao secretário de Segurança Pública do estado de Goiás, no governo passado, solicitando maior dotação do poder policial nos municípios do entorno do reservatório. Nunca recebi resposta. Ajudamos com 50% na construção do quartel de polícia de Abadiânia, uma vez que não havia lá local apropriado para policiais, que dormiam numa área da penitenciária. Um descalabro. Sempre que possível ajudamos a Polícia Florestal, doamos barcos para que a Polícia Florestal combata o crime ambiental, a pesca predatória, e durante a piracema. Estamos abertos, sempre, a parcerias. Fazemos tudo o que é possível fazer pela região, porque temos, dentro da empresa, esse princípio de cidadania, já que estaremos aqui para sempre. Todos os municípios do entorno do reservatório serão eternamente nossos vizinhos, e a relação de vizinhança tem que ser uma relação pródiga, uma relação de crescer. O crescimento das cidades do entorno de um reservatório é um fato clássico. Todas as cidades do entorno de Corumbá vão crescer, e muito, mas precisam de ordenamento jurídico, de plano diretor sério, que não atenda a interesses escusos, de proprietários ou de políticos da região. E o plano diretor deveria ser observado, cuidado pelo Ministério Público, para evitar que seja desviado, que venha a atender a interesses privados e não ao interesse da sociedade.
Fale sobre o projeto Jardim do Aprender.
A importância do Jardim do Aprender é a reeducação alimentar. Nós sabemos que por conta da mídia, da televisão, as crianças são muito induzidas a comerem coisas que no fundo são prejudiciais à saúde; é refrigerante, comida empacotada, gordura trans, enfim, que são saborosos, mas são prejudiciais à saúde, provocam obesidade, gerando diabetes, que é um dos grandes problemas hoje no Brasil, além da questão cardíaca. Contratamos uma empresa especializada na área, chamada Seriema (Seriema Serviços e Estudos de Meio Ambiente), e com a nossa equipe de meio ambiente, multidisciplinar e extremamente ativa, criamos o Jardim do Aprender, que consiste em criar uma horta orgânica, associada a uma compostera, um minhocário e um jardim de ervas medicinais, no quintal de casa, e não ficar dependente da alopatia, da drogaria, de remédios químicos, caros, que a população carente tem dificuldade de pagar. Os postos de saúde nas comunidades rurais são extremamente carentes, não dispõem de remédio, o médico aparece de vez em quando. Se temos problema de saúde no Distrito Federal imagine nas comunidades rurais no entorno do reservatório. É extremamente grave o problema. Então, criar um jardim de ervas medicinais vem a favorecer a saúde dos ribeirinhos. Criamos, portanto, essa horta orgânica em escolas das comunidades rurais, e cada aluno tem por objeto desse projeto replicar a horta no quintal da sua casa, igualzinha à da escola, tudo isso acompanhado por uma equipe, com técnico agrícola, pedagogo e nutricionista, contratados pela Corumbá. Dentro do projeto tem também a reeducação alimentar, fazendo com que todas as crianças passem a se alimentar da produção da horta orgânica. Há depoimentos de crianças que passaram a comer verduras, legumes, abandonando o costume anterior, do refrigerante e da gordura trans. Também promovemos almoço na escola. Há um mês, doamos prêmios, primeiro, segundo e terceiro lugares, à melhor escola, ao melhor quintal, ao melhor professor. Agora vamos levar este projeto para as comunidades rurais, e não somente para as escolas, que já podem andar com suas próprias pernas. Já estamos conversando com o Fundação Banco do Brasil para que a gente amplie este cinturão verde. Brasília é uma cidade que importa legumes, frutas e verduras. Essa produção criará um corredor comercial para que Brasília não precisa mandar buscar legumes em São Paulo, mas tenha no seu entorno um grande cinturão verde e possa se autoabastecer.
Como é o relacionamento do governador Marconi Perillo (PSDB) com o empreendimento?
O estado de Goiás não é acionista da Corumbá. Eu não conheço o governador Marconi Perillo; apenas pela mídia, nunca nos encontramos. Então, não há um relacionamento próximo. Até gostaria de ter esse relacionamento, já que as cidades do entorno de Corumbá são do estado de Goiás, com o objetivo de que houvesse algumas parcerias produtivas, como na questão da segurança, e isso são ações de governo. Nos municípios do entorno de Corumbá temos outras grandes empresas, como a Bunge Alimentos, Banco Itaú, Bradesco. Era necessário que houvesse uma grande parceria, movimentada pelo governador Marconi Perillo, bem como pelo governador do Distrito Federal, o senhor Agnelo Queiroz (PT), trazendo parcerias públicas com as empresas privadas, o Ministério Público, o Ibama, criando-se um ordenamento jurídico e social com o único interesse de beneficiar as populações mais pobres, porque é necessário haver divisão de riqueza, do estado e das empresas privadas, com as populações mais pobres.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Entrevista/CRISTÓVÃO TORMIN: Luziânia só se desenvolverá com choque de gestão


Marconi Perillo observa Cristóvão Tormin assinar ordem de
serviço de R$ 4 milhões para recapear as ruas de Luziânia

Aeroclube de Brasília, localizado em Luziânia, será ampliado

Trem metropolitano de passageiros, ligando Luziânia a Brasília, será ativado

Município, que já conta com forte setor de agronegócios, terá polo industrial


RAY CUNHA


Brasília, 23 de novembro de 2011 - As eleições municipais ainda estão longe, mas já se percebe nas ruas de Luziânia (GO), a maior cidade do Entorno do Distrito Federal e distante apenas 60 quilômetros de Brasília, que há um favorito para comandar, em 1 de janeiro de 2013, o destino de um dos municípios goianos que mais exportam: Cristóvão Tormin, 36 anos, luzianiense, bacharel em direito, produtor rural, deputado estadual pelo Partido Social Democrático (PSD). Aos 25 anos, foi eleito vereador com 2.307 votos, o mais votado de todos os tempos da cidade e região; em 2044, foi reeleito vereador, com 2.918 votos, novamente como o mais votado, presidindo a Câmara em 2006, ano em que foi eleito deputado estadual pelo PTB, com 20.905 votos; e em 2010, foi reeleito deputado estadual, ainda pelo PTB, com 36.474 votos. Filiou-se ao recém-criado PSD em 23 de setembro deste ano.
Agora, ele pretende partir para seu voo mais ousado: a prefeitura de Luziânia, para o que já tem um pré-projeto com o objetivo de tornar o município um dos mais prósperos do Planalto Central, por meio de um choque de gestão em todas as áreas de atividades. Mas no seu projeto três pontos se destacam: a criação de um polo industrial; a ampliação do Aeroporto de Luziânia, tornando-o alternativo de Brasília, a dois anos e meio da Copa do Mundo de 2014; e a implementação de trens metropolitanos de passageiros ligando Brasília a Luziânia, que fica na zona metropolitana da capital federal. Isso, sem falar no investimento maciço que pretende fazer na Educação, por meio de aula em tempo integral. Também Cristóvão é autor de uma PEC que tramita na Assembleia Legislativa de Goiás, criando o Fundo do Entorno, com o objetivo, entre outros, de pagar professores, policiais e o pessoal da área de saúde tão bem quanto seus colegas do Distrito Federal, muitas vezes separados apenas por uma rua.
Cristóvão Tormin me recebeu na manhã de segunda-feira 14, no seu escritório no Corumbá Plaza Hotel, defronte à construção do que será o maior shopping do interior de Goiás, com data marcada para ser inaugurado em abril de 2012, em Luziânia, para a seguinte entrevista:
O senhor é pré-candidato a prefeito de Luziânia?
Com certeza, nosso nome será colocado nas convenções do próximo ano como pré-candidato à Prefeitura Municipal de Luziânia, com respaldo do PSD e partidos aliados, principalmente o PT, o PMDB, o PV e vários outros partidos que virão somar conosco. Assim sendo, poderemos ser candidatos a prefeito de Luziânia, sim.
E o PSD?
Já nasceu grande. Temos uma bancada federal em Goiás, com 4 deputados federais, maior do que a do PSDB e atrás somente do PMDB. Na Assembleia Legislativa temos 6 deputados estaduais. É a terceira bancada, atrás do PSDB e do PMDB. Temos dezenas de prefeitos, centenas de vereadores e pré-candidatos a prefeito na quase totalidade dos municípios.
Fontes minhas dão conta de que o senhor teria pelo menos 60% dos votos, caso as eleições fossem hoje. O senhor confirma isso?
Nós fazemos também as nossas avaliações no contato com as pessoas no dia-a-dia, mas é ainda muito prematura essa questão. Entretanto, esse tipo de projeção só aumenta nossa força de vontade, o entusiasmo de lutar por um ideal, já que temos a confiança de muitas pessoas que acham o nosso nome bom para administrar o município de Luziânia.  Mesmo que a verdadeira pesquisa seja a das urnas, já é um bom indício uma aceitação desse porte. Sabemos, porém, que pesquisas feitas agora mostram apenas a tendência do momento. E se estão assim é porque o momento é favorável.
Supondo que o senhor seja candidato e ganhe as eleições, qual seria seu foco principal como prefeito de Luziânia?
Primeiramente, um choque de gestão. Em especial na saúde pública. Precisamos incrementar não só os postos de saúde, mas o Hospital Regional, pondo tudo para funcionar. Precisamos mudar a concepção de saúde pública do nosso município, uma vez que até as mais simples cirurgias são enviadas para o Hospital de Santa Maria (DF), o Hospital de Base (DF) e o Hospital Regional do Gama (DF). Nós temos que acabar com isso. Luziânia é uma cidade de médio porte e precisa de investimentos maciços na área de saúde. Com relação à infraestrutura, precisamos de obras de qualidade, desde um pequeno reparo até pavimentações asfálticas de grande porte, para realmente aplicar bem o dinheiro do povo, e o dinheiro do povo é uma responsabilidade muito grande que a gente tem. Então, as obras públicas têm que ter qualidade. Pretendo fazer uma revolução na área educacional, que também está precisando de um choque de gestão, principalmente com a implantação de aula em tempo integral. Nós também precisamos fazer parcerias com o governo federal, que está aqui tão pertinho da gente, tanto para a área de infraestrutura quanto para a área de segurança pública. O problema da violência não será resolvido, na nossa região, se não for com parcerias entre as prefeituras e os governos estadual e federal, alocando recursos e executando também programas nas áreas educacional e social. Só assim haverá inclusão social e a marginalidade será bastante reduzida. Precisamos ainda atrair indústrias de porte, tanto para Luziânia sede quanto para o Distrito do Jardim Ingá, para gerarmos emprego, renda, dar dignidade às pessoas para que elas não precisem ir para Brasília, enfrentando esse trânsito horrível nos horários de pico, e poder trabalhar perto da sua casa e contribuir com o progresso, o desenvolvimento do município, trabalhando aqui. Nós ainda estamos em fase de elaboração do plano de governo, uma vez que as eleições ocorrerão somente daqui a dez meses, mas o foco principal será nestas áreas: saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e geração de emprego e renda.
O senhor falou no tráfego intenso entre Luziânia e Brasília. Se eleito prefeito o senhor se empenhará pela instalação de trem metropolitano de passageiros Luziânia-Brasília-Luziânia?
Com certeza. Já há inclusive a linha férrea. Além do trem de passageiros, há também outra solução que será implementada, que será o corredor exclusivo para ônibus na BR-040. O governador Marconi Perillo (PSDB) já sinalizou positivamente com relação a isso, assim como o presidente da Agetop (Agência Goiana de Transportes e Obras), meu amigo Jayme Rincón – já estivemos na Agetop várias vezes para tratar desse assunto. Essa é uma questão primordial, uma vez que milhares de pessoas se deslocam dos mais variados bairros de Luziânia em direção à capital federal.
Brasília precisa de um aeroporto alternativo, especialmente por causa da Copa do Mundo de 2014. Luziânia, distante somente 60 quilômetros de Brasília, conta com aeroporto, e o Ministério da Aeronáutica tem, prontinho, o projeto de ampliação desse aeroporto. Não se ouve os prefeitos que se sucedem em Luziânia dar um pio sobre este assunto. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Nós, que pensamos uma Luziânia grande, progressista, temos que dar a infraestrutura, as condições necessárias, para os empresários, para as pessoas se deslocarem com mais rapidez para o nosso município. Já temos o Aeroclube de Brasília, que fica em Luziânia e que é auxiliar do Aeroporto de Brasília. Buscaremos, junto ao governo federal, recursos para a ampliação do Aeroporto de Luziânia, que não está ainda nem balizado, não funciona à noite. Nós precisamos incrementar o aeroporto, buscando parcerias, com os governos federal e estadual e com a iniciativa privada, no sentido de que não seja só um aeroporto alternativo; que Brasília o utilize, mas que seja utilizado também pelos moradores de Luziânia e toda a região do Entorno do Distrito Federal, e, principalmente, no sentido de atrair investimentos, buscar facilidades, para que os empresários, os investidores, as pessoas que pensam grande, possam investir no nosso município.
A inserção social só se dará por meio da industrialização do município. O senhor já pensou na criação de um polo industrial em Luziânia? Terra é o que não falta.
Nós temos todas as condições para isso, pela proximidade da capital da república, por tantos municípios populosos limítrofes que são polos consumidores, e também pela linha férrea que passa pelo nosso município, ligando-nos a pontos de escoamento no Sudeste. Então, o Distrito Agroindustrial de Luziânia, por tanto tempo esquecido, tem que ser incrementado, temos que trazer novas empresas para o município. Temos como exemplo Anápolis (GO), que é uma potência, mas lá, desde o início, houve investimento, vontade política. Luziânia tem que buscar também seu foco industrial e investir nele, coisa que não vem ocorrendo no momento.
O que o senhor acha da criação de um fundo para financiar exclusivamente a inserção social e o desenvolvimento do Entorno?
Isso é importantíssimo, fundamental. Nós apresentamos um projeto de emenda à Constituição do Estado de Goiás (PEC 170/2007) criando o Fundo do Entorno. Essa PEC, que está tramitando na Assembleia Legislativa, destina recursos vultosos para ser aplicados exclusivamente na nossa região. Os policiais civis e militares, os bombeiros, os professores da região fazem um trabalho igual ou até maior do que seus colegas do Distrito Federal, do outro lado da divisa, que, às vezes, é uma rua, e a remuneração desses profissionais distritais é bem maior do que a dos seus colegas que trabalham do lado de cá. Lá, recebem mais, porque são custeados pela União, pelo Fundo Constitucional do Distrito Federal, que paga a Educação, a Saúde e a Segurança. Então, a nossa região, para crescer, para progredir, precisa de mais investimentos diferenciados, não só em pessoal, em salários, mas também em infraestrutura, em programas sociais, e isso só será resolvido com a criação do fundo, razão pela qual apresentei, este ano, o projeto de emenda à Constituição do estado criando o Fundo do Entorno.
Caso eleito, o senhor estará dentro do contexto da Copa do Mundo de 2014. Como Luziânia pode faturar o Mundial?
Nós temos que aproveitar essa oportunidade. Nós temos o Estádio Municipal Zequinha Roriz, o Serra do Lago, com estrutura muito boa, precisando apenas de algumas adequações, que pode servir para treinamento para nossa Seleção, ou para outras seleções, e temos a barragem de Corumbá IV, com potencial turístico muito grande. Precisamos, agora, ajudar nossos empresários com incentivo, principalmente os da rede hoteleira, dando-lhes as condições necessárias para expandirem seus investimentos. Precisamos criar um conjunto de ações para aproveitarmos esse momento que é ímpar, perante o qual Luziânia não pode ficar inerte, aguardando as coisas chegarem. Temos que começar isso já, e não a partir do próximo prefeito, que só vai assumir em 1 de janeiro de 2013; ainda estamos em 2011. É claro que o próximo prefeito participará disso mais ativamente.
O Lago de Corumbá IV tem potencial para um polo de turismo, mas não há uma política municipal voltada para isso. O que o senhor tem a comentar sobre essa questão?
Foi criada recentemente a Secretaria de Turismo do município. Agora é buscar junto à Goiás Turismo, junto ao Ministério do Turismo, junto aos empreendedores que querem investir no local, potencializar essa questão, uma vez que o Lago Corumbá IV é subaproveitado. Nós temos riquezas naturais imensuráveis, e uma delas é Corumbá IV, subaproveitado devido à falta de visão de quem está gerindo a administração pública.
O governador Marconi Perillo reuniu pelo menos um terço dos prefeitos goianos, dia 11 de novembro, no auditório Mauro Borges, do Palácio das Esmeraldas, em Goiânia, para assinar as primeiras ordens de serviço para a recuperação imediata de ruas e avenidas de 133 cidades. O senhor também assinou a ordem de serviço para o município de Luziânia. Como foi sua participação nesta ação?
Primeiramente nós aprovamos, na Assembleia Legislativa, o Fundo de Transportes, que foi a forma que o governador e o presidente da Agetop encontraram para buscar recursos para serem aplicados ainda este ano no recapeamento das rodovias goianas e também em ruas dos municípios. Assim, aprovamos o Fundo de Transportes e o Programa Rodovida de modo que agora, dia 11, pude assinar, como o deputado mais votado de Luziânia, a liberação de mais de R$ 4 milhões para o município de Luziânia, para recapear as ruas em todos os bairro da cidade. Também foram contemplados os municípios de Valparaíso, Novo Gama, Santo Antônio do Descoberto e Águas Lindas, e, na segunda etapa, estão incluídos os municípios de Cristalina e Cidade Ocidental. Enfim, todos os municípios do estado serão contemplados. Nós tivemos a felicidade de fazer gestões junto ao governador para que Luziânia obtivesse um bom quinhão, o que vai ajudar muito na restauração das ruas do município, com um trabalho de boa qualidade, como o governador enfatizou na solenidade. Não adianta fazer pavimentação asfáltica utilizando material que não seja de boa qualidade, pois esse tipo de obra se deteriora rapidamente com as chuvas. Isso é desperdício, é irresponsabilidade com o dinheiro público. O governador bateu lá na mesa e disse que as empreiteiras serão apenadas se o serviço não for de qualidade. Isso nos alegra muito, porque se não fosse a Assembleia Legislativa esse programa não teria saído do papel. Foram tirados recursos da Side, do Detran, de outras áreas, para ser criado o Fundo de Transportes, que é uma iniciativa do governo do estado que merece todo o nosso aplauso, porque foi a saída encontrada para resolver esse problema nos municípios.
Qual a sua participação na restauração da Igreja do Rosário?
Eu me emociono ao falar sobre isso. A Igreja do Rosário já estava praticamente em ruínas. Se ela não fosse restaurada antes das chuvas talvez caísse. E a igreja é o maior patrimônio de Luziânia - histórico, cultural, religioso. Nosso trabalho começou já na elaboração do projeto, com a participação do nosso bispo diocesano, Dom Afonso, do pároco, padre Simão, dos integrantes da comunidade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, junto à Agepel, a Agência Goiana de Cultura Pedro Ludovico Teixeira, e com o apoio fundamental do Iphan (Instituto Histórico e Artístico Nacional), na pessoa da superintendente Salma Saddi Waress de Paiva, e de seus auxiliares, e da senadora Lúcia Vânia (PSDB/GO), que não mediu esforços para nos ajudar na questão dos recursos. Esse trabalho foi coroado de pleno êxito, uma vez que não tivemos uma mera reforma, mas uma restauração, observando todos os aspectos originais da obra, que está aí para todo mundo ver quão magnífica ficou a nossa Igreja Nossa Senhora do Rosário. É uma alegria muito grande, como luzianiense, como representante da nossa cidade na Assembleia Legislativa, ter dado a minha pequena participação nessa obra. Tive uma surpresa muito grande, e gratificante, quando, no dia da reinauguração, o bispo diocesano Dom Afonso divulgou a bênção apostólica assinada pelo Papa Bento XVI nos parabenizando pelos relevantes serviços prestados na restauração da Igreja Nossa Senhora do Rosário.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

“O Entorno só terá paz com inclusão social” – diz Doka, prefeito de Novo Gama, no Entorno do DF, após encontro com o ministro José Eduardo Cardozo e os governadores Agnelo Queiroz (DF), Marconi Perillo (GO) e Antonio Anastasia (MG)


Doka e Marconi Perillo: compromisso com a redução
da violência, a começar pelo asfaltamento de 60% das
ruas de Novo Gama, duplicação e pavimentação da
GO-520, e construção do Hospital da Cruz Vermelha

RAY CUNHA


Brasília, 22 de novembro de 2011 – “O Entorno só terá paz com inclusão social.” Essa frase, dita para o DF-GOIÁS – Zona Metropolitana de Brasília pelo prefeito João Assis Pacífico, o Doka (PSDB), de Novo Gama, cidade goiana que faz divisa com o Distrito Federal, ao sul, é emblemática. Doka fez a observação logo após o primeiro Colóquio sobre Segurança Pública no DF e Entorno, com lançamento de um plano de desarmamento da região, em Luziânia (GO), na manhã de hoje, com a presença do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, dos governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT); de Goiás, Marconi Perillo (PSDB); e de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), e prefeitos da região.
Durante a campanha eleitoral, ano passado, tive a oportunidade de entrevistar o então senador Marconi Perillo, que, em dois mandatos, foi o único governador de Goiás que investiu no Entorno do Distrito Federal, construindo escolas, hospitais, prédios para as polícias e rodovias, além de implementar vários programas sociais na região. Pois bem, na entrevista, Marconi deixou claro que só o desenvolvimento será capaz de acabar com a violência no Entorno, um dos índices mais altos do planeta, em países que não estão em guerra.
A reunião ocorreu em Luziânia, a 60 quilômetros de Brasília, por razões óbvias. Trata-se da maior cidade do Entorno, localizada entre Brasília e Goiânia, e uma das mais violentas da região, onde execuções são comuns e vige uma política municipal assistencialista, sem atacar a maior causa da violência: o desemprego e a desqualificação de mão de obra.
Antecipando-se à publicação, esta semana, de entrevista que o deputado estadual Cristóvão Tormin, do PSD de Luziânia, concedeu a este DG-GOIÁS – Zona Metropolitana de Brasília, Tormin afirma que Luziânia só se desenvolverá com um choque de gestão; que seu aeroporto será ampliado; que o trem metropolitano de passageiros, ligando Luziânia a Brasília, será ativado; e que o município, que já conta com forte setor de agronegócios, terá polo industrial. “Supondo que o senhor seja candidato e ganhe as eleições, qual seria seu foco principal como prefeito de Luziânia?” – perguntei a Cristóvão Tormin.

Resposta: “Primeiramente, um choque de gestão. Em especial na saúde pública. Precisamos incrementar não só os postos de saúde, mas o Hospital Regional, pondo tudo para funcionar. Precisamos mudar a concepção de saúde pública do nosso município, uma vez que até as mais simples cirurgias são enviadas para o Hospital de Santa Maria (DF), o Hospital de Base (DF) e o Hospital Regional do Gama (DF). Nós temos que acabar com isso. Luziânia é uma cidade de médio porte e precisa de investimentos maciços na área de saúde. Com relação à infraestrutura, precisamos de obras de qualidade, desde um pequeno reparo até pavimentações asfálticas de grande porte, para realmente aplicar bem o dinheiro do povo, e o dinheiro do povo é uma responsabilidade muito grande que a gente tem. Então, as obras públicas têm que ter qualidade. Pretendo fazer uma revolução na área educacional, que também está precisando de um choque de gestão, principalmente com a implantação de aula em tempo integral. Nós também precisamos fazer parcerias com o governo federal, que está aqui tão pertinho da gente, tanto para a área de infraestrutura quanto para a área de segurança pública. O problema da violência não será resolvido, na nossa região, se não for com parcerias entre as prefeituras e os governos estadual e federal, alocando recursos e executando também programas nas áreas educacional e social. Só assim haverá inclusão social e a marginalidade será bastante reduzida. Precisamos ainda atrair indústrias de porte, tanto para Luziânia sede quanto para o Distrito do Jardim Ingá, para gerarmos emprego, renda, dar dignidade às pessoas para que elas não precisem ir para Brasília, enfrentando esse trânsito horrível nos horários de pico, e poder trabalhar perto da sua casa e contribuir com o progresso, o desenvolvimento do município, trabalhando aqui. Nós ainda estamos em fase de elaboração do plano de governo, uma vez que as eleições ocorrerão somente daqui a dez meses, mas o foco principal será nestas áreas: saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e geração de emprego e renda”.

Não à toa, as ruas de Luziânia já dão indícios de que Cristóvão Tormin será o novo prefeito da cidade. Jovem e bem-preparado, o deputado sabe que populismo e paternalismo formam a ladeira perfeita que leva à miséria e, esta, à violência.

Doka, o prefeito de Novo Gama, vê da mesma forma, embora não dê para comparar o município de Novo Gama com Luziânia, do qual foi desmembrado. Novo Gama se encontra em um estágio em que precisa desesperadamente de infraestrutura básica e urbanização, daí o empenho de Doka por asfalto e um grande hospital. Dia 11, Marconi Perillo assinou ordem de serviço para o asfaltamento de 370 mil metros quadrados de ruas de Novo Gama, o equivalente a 60% da zona urbana, e é provável que ainda este ano Marconi e Doka assinarão a ordem de serviço para a grande obra local, aguardada há uma eternidade: a duplicação e pavimentação da GO-520, a principal artéria que corta o Novo Gama. Trata-se da única via utilizada no transporte coletivo de moradores de 5 bairros com destino ao centro da cidade, à Brasília e às cidades da região. Os bairros são: Alvorada, América do Sul, Boa Vista, Lago Azul e Lunabel. A GO-520 se encontra esburacada, o que dificulta o trabalho dos motoristas que precisam trafegar na rodovia.
Marconi Perillo assinou, dia 2 de setembro, um protocolo de intenções com a Cruz Vermelha Brasileira para a construção, a partir de 2012, de um hospital de nível internacional, no valor de R$ 220 milhões, numa área de 40 mil metros quadrados, em Novo Gama. Marconi Perillo já garantiu a Doka que o hospital é mesmo de Novo Gama. Dia 10, o secretário municipal de Infraestrutura, Marinaldo Almeida Nascimento, se encontrou com o assessor da presidência da Saneago, José Fernandes Peixoto Júnior, para tratar da desapropriação de área da empresa para a construção do hospital. “A construção começará no próximo ano” – comemorou um entusiasmadíssimo Doka.
OS NÚMEROS DA VIOLÊNCIA - Familiares de vítimas da violência no Entorno protestaram, na manhã desta segunda-feira, em frente ao Centro Cultural de Luziânia, onde foi realizado o Colóquio sobre Segurança Pública no DF e Entorno. Luziânia, juntamente com Águas Lindas, Valparaíso, Cidade Ocidental e Novo Gama, apresentam índice alarmante de crimes, principalmente assassinatos. Segundo o governo de Goiás, até o fim de outubro de 2011, foram registrados 476 homicídios no Entorno, o equivalente a 35% de todos os casos registrados em todo o estado de Goiás. Luziânia é a terceira cidade mais violenta do estado, com 126 assassinatos este ano, perdendo apenas para Goiânia (408) e Aparecida de Goiânia (139), que são bem maiores. O Entorno apresentou 448 homicídios em 2010 e 540 em 2011. Latrocínios (roubo seguido de morte) aumentaram 137%, tentativas de homicídio subiram 131% e estupros cresceram 105%.
No Entorno, a média, em 2011, é de 70,22 homicídios para cada 100 mil habitantes. O nível considerado aceitável pela Organização das Nações Unidas (ONU) é de 10 homicídios por 100 mil habitantes. A média nacional é de 24 homicídios para cada 100 mil habitantes. No Distrito Federal, a média prevista para 2011 é de 37 assassinatos para cada 100 mil habitantes. É o Brasil em guerra urbana.
Os policiais civis nos 19 municípios goianos do Entorno estão em greve há 31 dias. Reivindicam aumento da gratificação de localidade dos atuais R$ 276 para R$ 800, e concurso público. O piso do agente da Polícia Civil em Goiás é R$ 2.711. No outro lado da rua, no DF, os policiais civis estão em greve há 27 dias; reivindicam aumento de 13%. O piso inicial de um agente no DF é R$ 7.514 e pode chegar a R$ 11.879.
Será que as Forças Armadas dariam conta de pacificar o Entorno? Não! Só inclusão social, como disse Doka.